Introdução
Francisco María Cuervo Espaliat, conhecido como Padre Quevedo, nasceu em 23 de outubro de 1930, em Madri, Espanha. Morreu em 8 de julho de 2018, em São Paulo, Brasil. Jesuíta, parapsicólogo e professor, ganhou fama no Brasil por desmascarar fenômenos paranormais considerados fraudes. Seu bordão “Isso non ecziste”, com sotaque espanhol marcante, viralizou em programas de TV como o Fantástico e o de Silvio Santos.
Autor de mais de 20 livros, como As Forças Físicas do Espiritismo (1967), defendeu a parapsicologia científica contra curandeirismo e espiritismo. Naturalizado brasileiro em 1970, lecionou na PUC-SP por décadas. Sua abordagem racional e católica gerou polêmicas, mas popularizou o ceticismo frente ao sobrenatural. Até 2018, permaneceu ativo em debates públicos, deixando legado em ciência e fé.
Origens e Formação
Padre Quevedo cresceu em Madri durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Sua família católica sofreu perseguições, o que influenciou sua vocação religiosa. Aos 18 anos, em 1948, ingressou na Companhia de Jesus, ordem jesuítica fundada por Santo Inácio de Loyola.
Estudou humanidades em Sarriá, Espanha, e filosofia em Santander. Transferiu-se para Lovaina, Bélgica, onde cursou teologia e psicologia. Ordenado sacerdote em 1962, em Alcalá de Henares, Espanha, especializou-se em parapsicologia na Universidade Católica de Lovaina. Lá, obteve mestrado sob orientação de pesquisadores como o padre dominicano Boel.
Em 1964, aos 34 anos, chegou ao Brasil convidado pelos jesuítas para lecionar. Fixou-se em São Paulo, adaptando-se à cultura local. Aprendeu português fluente, mantendo o sotaque espanhol que virou marca registrada. Iniciou estudos na PUC-SP, onde mais tarde se tornaria professor titular de parapsicologia em 1974.
Trajetória e Principais Contribuições
No Brasil, Padre Quevedo fundou o primeiro curso de parapsicologia na América Latina, na PUC-SP, em 1968. Lecionou por 40 anos, formando gerações de alunos em fenômenos psi e fraudes. Seus livros desmontavam supostos milagres: O Que É Parapsicologia (1964), Magia e Ciúme (1970) e Física Quântica e Parapsicologia (1990).
Na TV, estreou no programa Mundo X (1973-1980), da TV Cultura, analisando casos paranormais. Participou do Fantástico (Globo), Programa Silvio Santos (SBT) e Domingo Legal, onde o bordão “Isso non ecziste” ecoava ao expor truques de médiuns e ufólogos. Em 1976, debateu com o médium Chico Xavier, acusando-o de fraude, o que gerou controvérsias.
Fundou o Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (1971), com laboratórios para testes científicos. Desmascarou curandeiros como José Arigó e Edson Queiroz. Em palestras, viajou pelo Brasil e exterior, integrando fé católica e ciência. Publicou Histórias Extraordinárias (1985), coletânea de casos investigados.
Sua contribuição principal foi popularizar a parapsicologia como ciência experimental, diferenciando-a de ocultismo. Enfatizava testes controlados para telepatia, clarividência e poltergeists, sempre cético quanto a espíritos. Até os anos 2000, manteve colunas em jornais e rádio.
- Principais livros e marcos:
Ano Obra/Evento Destaque 1964 Chegada ao Brasil e O Que É Parapsicologia Introdução ao tema 1967 As Forças Físicas do Espiritismo Crítica ao espiritismo 1971 Fundação do Instituto Pesquisa científica 1974 Professor titular PUC-SP Ensino formal 1995 Parapsicologia e Missão da Igreja Integração fé-ciência
Vida Pessoal e Conflitos
Padre Quevedo viveu como jesuíta obediente, sem casamento ou filhos. Residiu em colégios jesuítas em São Paulo, como o São Luís. Sua saúde declinou nos anos 2010: sofreu AVC em 2010 e usou cadeira de rodas após 2015. Internado várias vezes, faleceu de pneumonia aos 87 anos.
Polêmicas marcaram sua carreira. Espíritas o acusavam de intolerância religiosa; ele respondia que combatia fraudes, não crenças. Em 1995, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) o defendeu contra processos judiciais movidos por médiuns. Críticos o chamavam de “caçador de bruxas”; defensores, de cientista corajoso.
Nunca se envolveu em escândalos pessoais. Mantinha rotina de oração, estudo e missas. Amigos notavam seu humor irônico e devoção mariana. Em entrevistas, revelava fascínio pela mente humana, mas rejeitava materialismo ateu.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até 2018, Padre Quevedo influenciou o ceticismo brasileiro. Seu instituto continuou pesquisas pós-morte. Vídeos no YouTube somam milhões de views, popularizando frases como “Isso non ecziste”. Livros permanecem editados, usados em cursos de psicologia.
Em 2020, documentários como Quevedo Eterno (YouTube) revisitaram sua obra. Debates sobre fake news e pseudociência citam-no como pioneiro. A Igreja Católica o reconhece por defender a fé contra superstições, alinhado ao Catecismo. Até 2026, seu legado persiste em podcasts céticos e aulas online da PUC-SP, combatendo desinformação paranormal.
