Introdução
Oscar Levant nasceu em 27 de dezembro de 1906, em Pittsburgh, Pensilvânia, e faleceu em 14 de agosto de 1972, em Beverly Hills, Califórnia. Pianista virtuoso, compositor, ator e comediante, ele personificou o intelectual excêntrico do entretenimento americano do século XX. Levant ganhou fama por sua amizade com George Gershwin, interpretando obras como Rhapsody in Blue e Concerto in F. Sua presença em Hollywood, com papéis em musicais clássicos, e em talk shows de rádio e TV, onde soltava comentários espirituosos e autodepreciativos, o tornaram ícone cultural. Apesar de lutas com saúde mental e vícios, seu legado reside na fusão de música séria com humor cáustico, influenciando gerações de performers multifacetados. Até 2026, suas gravações e frases permanecem referenciadas em estudos sobre jazz e comédia americana.
Origens e Formação
Levant cresceu em uma família judia de imigrantes poloneses. Seu pai, Louis Levant, era dono de uma joalheria em Pittsburgh, e sua mãe, Annie, incentivou seu talento musical desde cedo. Aos 15 anos, em 1922, ele abandonou a escola secundária e mudou-se para Nova York para estudar piano. Lá, tornou-se aluno de Zygmunt Stojowski, renomado professor no Instituto de Música Musical de Nova York.
Essa formação clássica moldou sua técnica impecável. Levant absorveu influências de compositores como Chopin e Debussy, mas logo se voltou para o jazz e a música popular. Em 1924, conheceu George Gershwin em uma audição, iniciando uma amizade duradoura. Gershwin o contratou como revisor musical para suas partituras, e Levant serviu como solista reserva na estreia de Rhapsody in Blue com Paul Whiteman, em 1924. Esses anos iniciais estabeleceram sua reputação como pianista de elite no cenário neoyorquino.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Levant decolou nos anos 1920 com composições e gravações. Em 1929, ele compôs a canção "Blame It on My Youth", um standard do jazz gravado por artistas como Billie Holiday. Seu primeiro filme, Street Girl (1929), marcou sua entrada em Hollywood como pianista e ator. Seguiram-se papéis em musicais da RKO, como Dancing Lady (1933), ao lado de Joan Crawford e Fred Astaire.
Nos anos 1930 e 1940, Levant equilibrou concertos clássicos com cinema. Gravou integralmente as obras para piano de Gershwin para a RCA Victor, incluindo Preludes e Three Preludes. Atuou em Rhapsody in Blue (1945), biografia fictícia de Gershwin, e em Humoresque (1946), com Joan Crawford. Seu pico veio em 1951 com An American in Paris, dirigido por Vincente Minnelli, onde tocou piano e interpretou "Tra-la-la".
Na rádio, destacou-se no quiz Information Please (1938-1948), respondendo perguntas com sagacidade. Na TV, apresentou The Oscar Levant Show (1958-1960) na NBC, misturando piano e monólogos irônicos. Compôs para filmes, como "Lady Play Your Mandolin" (1931). Publicou autobiografias: A Smattering of Ignorance (1940), best-seller com anedotas, e The Memoirs of an Amnesiac (1965), repleta de humor negro. Suas contribuições incluem cerca de 20 gravações de Gershwin, preservadas em coleções da Library of Congress.
- Marcos musicais: Estreia como reserva em Rhapsody in Blue (1924); gravações RCA (1929-1950).
- Cinema: 15 filmes, incluindo Nothing Sacred (1937) e O. Henry's Full House (1952).
- Mídia: 500+ aparições em talk shows como The Tonight Show.
Vida Pessoal e Conflitos
Levant casou-se em 1932 com June Gale, atriz de musicais, com quem teve três filhas e um filho: Marcia, Myra, Abigail e Sam. O casal permaneceu unido até sua morte, apesar de tensões. Ele sofria de hipoglicemia severa, tratada com injeções de insulina, o que agravava depressão e ansiedade.
Admitiu vício em barbitúricos nos anos 1950, levando a internações psiquiátricas. Em entrevistas, brincava: "Eu aprendi a tocar piano com as mãos e a dirigir com os pés". Críticas o rotulavam de neurótico, mas ele retrucava com autoironia. Brigas públicas com colegas, como insultos a Leonard Bernstein, alimentaram sua imagem controversa. Apesar disso, manteve amizades com Gershwin (até 1937), Igor Stravinsky e Humphrey Bogart. Sua saúde declinou nos anos 1960, com poucas aparições públicas após 1960.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Levant influenciou pianistas de jazz como Bill Evans e comediantes como Woody Allen, que citou suas frases em roteiros. Suas gravações de Gershwin foram remasterizadas em 2000 pela Naxos, e A Smattering of Ignorance reeditado em 2005. Até 2026, documentários como An Evening with Oscar Levant (lançado em DVD em 2010) mantêm-no vivo. Frases como "Há dois lados em toda questão: o certo e o meu" circulam em redes sociais e compilações de aforismos. Sua fusão de alta cultura com baixa comédia inspira podcasts sobre entretenimento vintage. Em 2024, a Gershwin Society o homenageou em concerto com suas gravações. Seu arquivo pessoal reside na Universidade do Wyoming, consultado por pesquisadores de música americana.
