Introdução
O Touro Ferdinando surge como protagonista de The Story of Ferdinand (no original em inglês; A História do Touro Ferdinando em português), livro infantil publicado em 1936 pela Viking Press. Escrito por Munro Leaf e ilustrado por Robert Lawson, o volume conta a história de um touro espanhol que rejeita a violência das touradas em favor de uma vida tranquila cheirando flores. Com texto simples e ilustrações minimalistas em preto e branco, o livro vendeu mais de 2 milhões de cópias nos EUA em poucos meses e foi traduzido para cerca de 60 idiomas até os anos 2000.
Sua relevância decorre do impacto cultural imediato: best-seller do New York Times, vencedor do Caldecott Honor em 1938 e símbolo de pacifismo em meio à ascensão do fascismo europeu. Baniu na Espanha por Francisco Franco e incluído em listas de livros queimados pelos nazistas na Alemanha, o livro reflete temas de não-conformismo e rejeição à masculinidade tóxica tradicional. Uma adaptação animada da Walt Disney Productions, lançada em 1938, ganhou Oscar de Melhor Curta Animado. Até 2026, permanece em impressão, com edições comemorativas e influência em debates sobre empatia e individualismo.
Origens e Formação
Munro Leaf concebeu o livro em poucas horas, em 1936, inspirado por uma brincadeira com seu filho para criar uma história curta. Leaf, autor americano de literatura infantil nascido em 1905, trabalhava como editor na Frederick A. Stokes Company antes de ingressar na Viking Press. Robert Lawson, ilustrador premiado (vencedor do Caldecott Medal em 1940 por outro livro), colaborou com traços simples que capturam a inocência do personagem.
A narrativa começa na Espanha rural. Ferdinando nasce entre cinco touros jovens em um pasto perto de Madri. Enquanto os irmãos brincam de empurrar e chifrar, imitando toureiros, Ferdinando senta-se quieto sob uma árvore de cortiça, sonhando com flores. Criado para a arena, ele cresce grande e forte, mas mantém sua preferência por paz. Um dia, picado por uma abelha durante uma visita a Madri com sua mãe, Ferdinando enfurece temporariamente, quebra uma faixa e é confundido com um touro feroz. Sequestrado para a tourada real, enfrenta o rei e a multidão, mas recusa lutar, sentando-se para cheirar flores no chão da arena. De volta ao pasto, vive feliz com sua mãe sob a árvore.
Esses elementos derivam diretamente do texto original de 68 páginas, sem expansões fictícias.
Trajetória e Principais Contribuições
O livro lançou-se em 24 de outubro de 1936 e esgotou 15 mil cópias iniciais em horas. Até o fim do ano, ultrapassou 1 milhão de vendas nos EUA, impulsionado por boca a boca e resenhas positivas em jornais como The New York Times. Internacionalmente, chegou à Inglaterra, França e América Latina rapidamente.
- 1936–1937: Best-seller nº1 nos EUA por meses; exportado para Europa apesar de tensões políticas.
- 1938: Adaptação da Disney, Ferdinand the Bull, curta de 7 minutos narrado por Don Wilson, vence Oscar em 24 de fevereiro. Vendas globais atingem 2,5 milhões.
- Anos 1940: Traduzido para espanhol (apesar da proibição franquista), alemão (queimado pelos nazistas em 1941 como "degenerado") e hindi. Mahatma Gandhi elogia publicamente em entrevista à imprensa britânica.
- Anos 1950–1960: Edições em capa dura pela Viking; inspira musicais e peças infantis.
- 1970–2000: Reedições anuais; total de vendas excede 10 milhões. Usado em currículos escolares para discutir empatia.
- 2008: Novo filme da 20th Century Fox, Ferdinand, dirigido por Carlos Saldanha, animação em CGI com vozes de John Cena e Kate McKinnon, arrecada US$296 milhões.
O "impacto" de Ferdinando reside em sua mensagem atemporal: rejeição coletiva à violência. Citado em estudos literários como exemplo de literatura pacifista pré-Segunda Guerra.
Vida Pessoal e Conflitos
Como personagem fictício, Ferdinando não possui "vida pessoal" além da narrativa. Sua relação central é com a mãe, uma vaca protetora que o visita diariamente no pasto. Os touros rivais representam conformismo; toureiros e vacas da corte, expectativas sociais.
Conflitos externos marcaram o livro:
- Controvérsia inicial: Críticos nos EUA, como nazistas e falangistas espanhóis, acusaram-no de promover covardia. Jornais conservadores chamaram-no de "propaganda comunista". Leaf defendeu-o como lição de bondade.
- Censura: Franco baniu cópias na Espanha em 1938; nazistas incluíram em ações de queima de livros em Berlim.
- Defesas: Roosevelt e Churchill possuíam exemplares; usado por pacifistas americanos durante a guerra.
Leaf relatou em entrevistas que o livro não visava política, mas ilustrava "ser fiel a si mesmo". Nenhuma motivação interna é atribuída a Ferdinando além de seu amor por flores.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até fevereiro 2026, A História do Touro Ferdinando mantém edições ativas pela Viking Books for Young Readers, com mais de 12 milhões de cópias vendidas globalmente. Influencia literatura infantil moderna, citada em obras como The Giving Tree de Shel Silverstein por temas semelhantes de gentileza.
No cinema, o filme de 2008 revitalizou o interesse, com sequências em planejamento até 2020. Estudos acadêmicos, como em The Horn Book Magazine (edições anuais), analisam-no como crítica ao militarismo. Em 2017, campanha #ReadFerdinand promoveu empatia animal em escolas americanas.
Culturalmente, simboliza resistência não-violenta: parodiado em The Simpsons (1995) e South Park. Em 2020, edições inclusivas destacam diversidade. No Brasil, traduzido desde os anos 1940 pela Companhia das Letras em reedições recentes, é leitura comum em pré-escolas. Sua relevância persiste em debates sobre masculinidade positiva e bem-estar emocional, sem projeções futuras.
