Introdução
O Retorno de Mary Poppins, conhecido internacionalmente como Mary Poppins Returns, representa uma continuação oficial do icônico filme Mary Poppins de 1964, dirigido por Robert Stevenson e estrelado por Julie Andrews. Lançado em 19 de dezembro de 2018 nos Estados Unidos (e em datas semelhantes no Brasil e outros países), o longa é uma produção da Walt Disney Pictures, com distribuição pela Walt Disney Studios Motion Pictures. Dirigido por Rob Marshall, conhecido por musicais como Chicago (2002) e Into the Woods (2014), o filme reconecta o público à magia da babá sobrenatural criada pela autora australiana P.L. Travers.
Emily Blunt assume o papel principal de Mary Poppins, trazendo uma interpretação fresca à personagem que retorna à Rua Cherry Tree Lane em Londres, na década de 1930, durante a Grande Depressão. O enredo foca na família Banks adulta: Michael (Ben Whishaw), viúvo e pai de três crianças, e sua irmã Jane (Emily Mortimer). A babá mágica intervém para restaurar a alegria e resolver problemas financeiros via uma viagem fantástica pelo mundo animado de Mary. Com música e letras originais de Marc Shaiman e Scott Wittman, o filme homenageia o original enquanto introduz novas canções como "The Place Where Lost Things Go" e "Trip a Little Light Fantastic". Orçado em cerca de 140 milhões de dólares, arrecadou globalmente 349 milhões, confirmando sua relevância comercial e cultural como ponte entre gerações de fãs Disney.
Origens e Formação
O conceito de uma sequela a Mary Poppins remonta aos anos 1980, quando a Disney considerou ideias baseadas nos livros subsequentes de P.L. Travers, como Mary Poppins Comes Back (1935), Mary Poppins Opens the Door (1943) e Mary Poppins in the Park (1952). Travers, que relutantemente aprovou o primeiro filme, faleceu em 1996 sem endossar sequências. A produção ganhou tração nos anos 2010, sob a liderança de Rob Marshall, selecionado pela Disney por sua expertise em musicais adaptados.
O roteiro foi escrito por David Magee, que adaptou obras como Finding Neverland (2004), em colaboração com Marshall, Callie Khouri e Jane Goldman. A pré-produção começou em 2016, com filmagens principais em Londres de 2017, utilizando estúdios como os Shepperton Studios e locações reais como a Heron Path em Kew Gardens para cenas de rua. A animação tradicional, reminiscent do original, foi produzida pela Walt Disney Animation Studios, com sequências como o mergulho na banheira e a jornada de bicicleta noturna. Emily Blunt foi escalada após testes, escolhida por sua versatilidade em musicais (Into the Woods) e dramas. Lin-Manuel Miranda, criador de Hamilton, interpreta Jack, um lampião inspirado em Bert (Dick Van Dyke no original). Meryl Streep surge como Topsy, prima excêntrica de Mary, adicionando camadas estelares.
Trajetória e Principais Contribuições
O filme segue uma estrutura episódica similar ao de 1964, com Mary Poppins resolvendo dilemas cotidianos via magia prática. Principais marcos narrativos incluem:
- Reencontro na Rua Cherry Tree Lane: Mary desce com seu guarda-chuva para ajudar Michael, endividado após perder sua esposa, e seus filhos Anabel (Pixie Davies), John (Nathanael Saleh) e Georgie (Joel Dawson).
- Viagem ao Mundo Subaquático: Na banheira, a família explora um reino de conchas e lamúrias, com canção "Can You Imagine That?".
- Ascensão pelo Chaminé: Usando fuligem mágica, viajam a um mundo de giz animado, ecoando a sequência de Bert.
- Bicicleta Noturna: Uma perseguição aérea culmina em "Trip a Little Light Fantastic", com coreografias de Geoffrey Garrett.
- Resolução com o Balonista: Angela Lansbury reprisa um papel similar ao do original, elevando os Banks em balões para perspectiva.
Musicalmente, Shaiman e Wittman compuseram 16 faixas originais, incluindo "The Place Where Lost Things Go" (indicada ao Oscar de Melhor Canção Original) e "(Underneath the Lovely London Sky)". A trilha sonora, lançada pela Walt Disney Records, alcançou o topo das paradas de álbuns infantis no Billboard. Tecnicamente, o filme ganhou o Oscar de Melhor Design de Produção em 2019 e foi indicado em categorias como Melhor Atriz Coadjuvante (Streep), Melhor Canção Original e Melhores Efeitos Visuais.
Lançado em dezembro de 2018, estreou com 53 milhões de dólares nos EUA no fim de semana de abertura, competindo com Aquaman. No Brasil, chegou em 25 de dezembro, sincronizado com as festas natalinas. A campanha promocional enfatizou a nostalgia, com Blunt em figurinos icônicos desenhados por Colleen Atwood (ganhadora do Oscar pelo filme).
Vida Pessoal e Conflitos
Como produção cinematográfica, o filme não possui "vida pessoal", mas enfrentou desafios logísticos e criativos. Rob Marshall lidou com a pressão de suceder Julie Andrews, optando por uma abordagem respeitosa sem recriar cenas idênticas. Emily Blunt, grávida durante parte das filmagens, realizou coreografias complexas com suporte médico. Dick Van Dyke, aos 92 anos, faz uma aparição como Sr. Dawes Sr., correndo em uma cadeira de rodas – um momento leve que homenageia o original.
Críticas iniciais elogiaram a fidelidade visual e musical (87% no Rotten Tomatoes), mas alguns apontaram falta de inovação, comparando-o desfavoravelmente ao predecessor em termos de química e impacto cultural. Não houve controvérsias significativas, exceto debates sobre o envelhecimento da franquia Disney. Julie Andrews, produtora executiva, aprovou publicamente o projeto, apesar de recusar participação por motivos de saúde vocal. A pandemia de COVID-19, pós-lançamento, impulsionou streams no Disney+ a partir de 2020.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até 2026, O Retorno de Mary Poppins solidificou-se como um pilar da era de renascimentos Disney, influenciando musicais como Mufasa: The Lion King (2024). Sua bilheteria e indicações (4 ao Oscar, 2 ao Globo de Ouro) validam a viabilidade de sequências de clássicos. Disponível no Disney+, o filme educa novas gerações sobre animação 2D tradicional em era digital. Críticos como Roger Ebert destacam sua mensagem de resiliência familiar durante crises econômicas, ressonante pós-2008 e na Depressão retratada.
Em 2023, celebrações do 60º aniversário do original incluíram exibições duplas. Emily Blunt expressou interesse em retornos futuros, mas sem anúncios confirmados até 2026. O filme contribui para o catálogo Disney de adaptações literárias, preservando Travers via fantasia acessível. Sua recepção mista reflete tensões entre nostalgia e originalidade na indústria.
