Introdução
Natalie Clifford Barney nasceu em 31 de outubro de 1876, em Dayton, Ohio, Estados Unidos. Morreu em 2 de fevereiro de 1972, em Paris, França, aos 95 anos. Escritora, poetisa e tradutora, destacou-se como salonnière no París do início do século XX. Seu salão na Rue Jacob, 20, no Left Bank, reuniu intelectuais como Marcel Proust, André Gide, Colette e Paul Valéry.
Barney publicou coleções de poemas e aforismos em inglês e francês, como Poems & Aphorisms of the Third Republic (1910) e Pensées d'une Amazone (1920). Abriu caminhos para a visibilidade lésbica na literatura. Seu legado reside na promoção de um espaço de liberdade criativa e sexual para mulheres. Até 2026, estudiosos reconhecem seu papel em redes literárias transatlânticas.
Origens e Formação
Natalie veio de uma família abastada. Seu pai, Albert Clifford Barney, era um rico agente de negócios de carvão e ferrocarril. A mãe, Alice Pike Barney, pintora amadora, influenciou seu interesse pelas artes. A família viajou pela Europa desde a infância de Natalie, expondo-a a culturas variadas.
Em 1896, aos 20 anos, Barney estreou na sociedade de Washington, D.C. Logo após, iniciou um romance com a atriz inglesa Lillie Langtry, que durou até 1901. Essa relação marcou sua identidade sexual aberta. Em 1900, mudou-se permanentemente para Paris, fugindo das convenções americanas.
Não frequentou universidade formal, mas autodidatou-se em línguas e literatura. Aprendeu francês fluente e traduziu obras próprias. Influências iniciais incluíram poetas simbolistas franceses e escritoras como Renée Vivien, com quem manteve laços afetivos.
Trajetória e Principais Contribuições
Em Paris, Barney abriu seu salão em 1909, na casa da Rue Jacob. O espaço, chamado "templo de amizade", promovia conversas semanais sobre arte e ideias. Frequentadores incluíam Truman Capote, Isadora Duncan e Mina Loy. O salão durou até os anos 1960.
Publicamente, lançou Some Literary Ladies of the Last Century em 1900. Seguiu com Rodin, l'Iris de Grèce (1909), tributo ao escultor Auguste Rodin. Em 1910, Poems & Aphorisms of the Third Republic ganhou elogios por seu lirismo irônico.
Durante a Primeira Guerra Mundial, organizou eventos beneficentes. Nos anos 1920, publicou The One Who Is Legion (1930), autobiografia velada sobre sua vida amorosa. Pensées d'une Amazone (1920) defende o amor entre mulheres com frases como "L'amour vient d'un manque, mais où manque-t-il le moins?".
Barney fundou a Académie des Femmes em 1927, paródia da Academia Francesa, para honrar escritoras. Premiou figuras como Colette e Lucie Delarue-Mardrus. Traduziu obras de Amy Lowell e Edith Wharton. Seus aforismos circularam em antologias, enfatizando independência feminina.
Nos anos 1930-1940, continuou o salão apesar da ocupação nazista. Pós-guerra, publicou Traits d'Union (1950), coletânea de ensaios. Sua escrita mesclava helenismo clássico com modernismo, celebrando a amizade platônica e o eros lésbico.
Vida Pessoal e Conflitos
Barney manteve relações duradouras com mulheres. De 1901 a 1907, relacionou-se com Eva Palmer Sikelianos, que reviveu teatro grego antigo. De 1914 a 1968, uniu-se à pintora Romaine Brooks, em um arranjo aberto. Outras parceiras incluíram Renée Vivien (1901-1908), Olive Custance e Dolly Wilde, sobrinha de Oscar Wilde.
Vivian em um círculo de expatriados americanos e europeus. Sua fortuna familiar sustentou o salão e viagens. Enfrentou críticas por seu estilo de vida "imoral". A imprensa sensacionalista a rotulou como "a amazona de Paris". Renée Vivien a retratou em poemas como rival ciumenta.
Durante a Segunda Guerra, recusou-se a fugir de Paris, abrigando amigos judeus discretamente. Pós-guerra, lidou com o declínio físico, mas manteve correspondências ativas. Barney evitava casamento e filhos, priorizando autonomia. Sua irmã, Laura Barney, converteu-se ao bahá'í, contrastando com o hedonismo de Natalie.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O salão de Barney influenciou a Geração Perdida e o modernismo lésbico. Obras suas foram reeditadas nos anos 1970 por estudiosas feministas. Suzanne Rodriguez Harkness publicou Natalie Clifford Barney: Passionate Heart (2002? espera, alta certeza: biografias como de Shari Benstock em Women of the Left Bank (1986)).
Até 2026, pesquisadores citam seu salão como precursor de espaços queer. Citações de Barney circulam em sites como pensador.com, destacando aforismos sobre amor e liberdade. Exposições em Paris e Washington homenageiam seu círculo. Seu arquivo pessoal reside na Bibliothèque Nationale de France.
Barney simboliza a expatriada cosmopolita que desafiou normas de gênero. Estudos recentes analisam sua helenização do feminismo. Sem herdeiros diretos, seu impacto persiste em narrativas literárias sobre Paris boêmia.
