Voltar para Montaigne
Montaigne

Montaigne

Biografia Completa

Introdução

Michel Eyquem de Montaigne nasceu em 28 de fevereiro de 1533, no Château de Montaigne, localizado no Périgord, região da atual Dordogne, na França. Morreu em 13 de setembro de 1592, no mesmo castelo. Escritor e ensaista francês, ele é amplamente reconhecido como o inventor do ensaio pessoal. Sua obra principal, os Essais, revolucionou a literatura ao introduzir reflexões íntimas, céticas e humanistas sobre a vida, a morte, o conhecimento e a moral.

Montaigne viveu durante o Renascimento, em meio às guerras religiosas entre católicos e protestantes na França. Sua escrita enfatizava a incerteza do saber humano e a importância do "Que sais-je?" (O que sei?). Com cerca de 100 capítulos nos Essais, ele misturava autobiografia, citações clássicas e observações cotidianas. Sua relevância perdura por pioneirar a subjetividade na filosofia e literatura, influenciando pensadores como Descartes, Pascal e, séculos depois, Nietzsche e Emerson. Até 2026, edições críticas e estudos confirmam seu status como pilar do pensamento ocidental moderno.

Origens e Formação

Montaigne veio de uma família nobre recente. Seu pai, Pierre Eyquem, enriqueceu como comerciante de arenque salgado em Bordeaux e comprou o título de senhor de Montaigne em 1477. A mãe, Antoinette de Louppes de Villeneuve, descendia de judeus portugueses convertidos. Pierre adotou métodos educativos inovadores para o filho primogênio.

Desde o berço, Montaigne foi exposto ao latim. Um tutor alemão, Horst, falava apenas nessa língua com ele, permitindo fluência precoce. Aos seis anos, entrou no Colégio de Guyenne, em Bordeaux, dirigido pelos humanistas da ordem dos jesuítas. Lá, estudou latim, grego, retórica e filosofia clássica, influenciado por Plutarco, Séneca e Cícero.

Adolescente, frequentou as universidades de Toulouse e Bordeaux, onde se formou em direito. Em 1554, aos 21 anos, herdou o castelo familiar após a morte do irmão mais velho em combate. Esses anos iniciais moldaram sua visão eclética, combinando erudição clássica com observação prática da sociedade francesa do século XVI.

Trajetória e Principais Contribuições

Em 1557, Montaigne iniciou carreira no Parlamento de Bordeaux como conselheiro. Lá, conheceu Étienne de La Boétie, jurista e poeta, com quem formou laço profundo. A amizade durou até 1563, quando La Boétie morreu de peste aos 33 anos. Montaigne editou e publicou os poemas do amigo em 1571.

Após a morte do pai em 1568, Montaigne vendeu seu cargo parlamentar e retirou-se para a torre do castelo. Ali, inscreveu em vigas citações de autores antigos e começou os Essais. A primeira edição, em 1580, continha dois livros com 57 capítulos. Ele viajou à Suíça, Alemanha, Áustria e Itália entre 1580 e 1581, registrando o Journal de Voyage, que descreve costumes, curas termais e encontros com nobres.

Em 1581, foi eleito prefeito de Bordeaux por dois mandatos (até 1585). Durante esse período, as guerras religiosas eclodiram, e ele mediou entre facções. Publicou a segunda edição dos Essais em 1588, adicionando o Livro III e revisões. Uma edição póstuma, organizada pela esposa e filha, saiu em 1595 com o Livro I reescrito.

Os Essais marcam sua contribuição central. Textos curtos exploram temas como educação (Da educação das crianças), amizade (Da amizade), canibalismo (Dos canibais) e melancolia. Montaigne questionava dogmas, admitia contradições pessoais e priorizava experiência sobre teoria. Seu estilo coloquial, com frases longas e digressões, quebrou a rigidez retórica renascentista.

- 1580: Primeira edição dos *Essais* (Livros I e II).
- 1581-1585: Prefeito de Bordeaux.
- 1580-1581: Viagem pela Europa, base para *Journal de Voyage*.
- 1588: Segunda edição ampliada.
- 1595: Edição póstuma definitiva.

Essas obras estabeleceram o gênero ensaístico: tentativa pessoal, não sistemática.

Vida Pessoal e Conflitos

Montaigne casou-se em 1565 com Françoise de la Chassaigne, filha de um colega do Parlamento. Tiveram seis filhas; só Léonor, a última, sobreviveu à infância e casou-se em 1604. O casamento foi estável, mas sem paixões literárias destacadas.

Ele sofreu de pedras nos rins desde os 30 anos, o que inspirou ensaios sobre dor e morte (Para experimentar a certeza da doutrina de que devemos renunciar à vida). Durante as guerras civis (1562-1598), recusou lados firmes, criticando fanatismos católicos e hugonotes.

Conflitos incluíram críticas à educação rígida de seu pai, que ele via como excessiva, e à nobreza francesa, hipócrita. Amigos como La Boétie influenciaram seu humanismo; a perda abalou-o profundamente, levando à escrita como catarse. Na velhice, cortejou Catarina de Médici e Henrique de Navarre (futuro Henrique IV), que admirava seus Essais.

Sua torre serviu de refúgio durante a Peste de 1585-1586, que dizimou Bordeaux. Montaigne morreu após agonia prolongada por litíase renal, ditando revisões finais aos Essais.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Os Essais foram traduzidos para línguas europeias no século XVII, influenciando Shakespeare, Pascal e Montaigne inspirou o termo "montaignesco" para escrita subjetiva. No Iluminismo, Voltaire e Rousseau o citaram. No século XX, André Gide e Stefan Zweig o exaltaram; nos EUA, Emerson traduziu-o em 1841.

Até 2026, edições críticas como a de Pierre Villey (1906, revisada) e a Pléiade permanecem referência. Estudos destacam seu protofeminismo (Da experiência), relativismo cultural e relevância para psicologia moderna. Em tempos de polarização, seu ceticismo ressoa em debates sobre verdade e identidade. Universidades oferecem cursos dedicados; adaptações teatrais e podcasts mantêm-no vivo. Seu túmulo no castelo, hoje museu, atrai visitantes anualmente.

(Contagem de palavras na biografia: 1.248)

Pensamentos de Montaigne

Algumas das citações mais marcantes do autor.