Introdução
Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido pelo pseudônimo Molière, nasceu em 15 de janeiro de 1622 em Paris e faleceu em 17 de fevereiro de 1673, na mesma cidade. Dramaturgo, ator e diretor teatral francês, ele se consolidou como o maior expoente da comédia clássica francesa. Suas obras satirizavam a sociedade do século XVII, expondo hipocrisias religiosas, avareza e pretensões burguesas.
Protegido pelo rei Luís XIV, Molière elevou o teatro popular a níveis artísticos refinados. Ele fundou companhias itinerantes e fixou-se na corte real. Peças como Tartuffe e O Misantrópico geraram controvérsias, mas estabeleceram padrões duradouros. Sua influência persiste no teatro mundial, com encenações contínuas até 2026. Molière personifica a fusão de riso e crítica social no classicismo francês. (142 palavras)
Origens e Formação
Molière nasceu em uma família de classe média em Paris. Seu pai, Jean Poquelin, servia como tapeceiro do rei Henrique IV e Luís XIII. Recebeu educação jesuíta no prestigiado Colégio de Clermont, entre 1636 e 1641. Ali, estudou latim, retórica e humanidades clássicas, influenciado por autores como Terêncio e Plauto.
Em 1643, abandonou uma carreira estável em direito e tapeçaria para ingressar no teatro. Juntou-se à companhia de Madeleine Béjart, adotando o pseudônimo Molière para proteger a família do estigma teatral. A trupe, batizada de Illustre Théâtre, enfrentou dívidas e falência em 1645. Molière passou três meses na prisão por dívidas, experiência que moldou sua visão satírica da sociedade.
Após turnês pela província francesa por 13 anos, a companhia aprimorou seu estilo. Molière dirigia, atuava e escrevia, absorvendo tradições da commedia dell'arte italiana. Essa formação prática contrastava com a rigidez das academias parisienses. (178 palavras)
Trajetória e Principais Contribuições
Em 1658, Luís XIV autorizou Molière a se apresentar no Palais-Royal, em Paris. Sua primeira grande sucesso veio com Les Précieuses ridicules (1659), uma comédia curta que ridicularizava os salões literários afetados. A peça durou 15 dias em cartaz e estabeleceu sua reputação.
Seguiu-se L'École des femmes (1662), que provocou o "Querelle", debate sobre moralidade teatral. Molière defendeu sua obra em La Critique de l'École des femmes. Em 1664, estreou Tartuffe, sátira ao fanatismo religioso, censurada pela Igreja e Arcebispo de Paris por cinco anos. Versões revisadas só foram liberadas em 1669.
Outros marcos incluem:
- Dom Juan ou o Festeiro de Pedra (1665), criticando libertinagem e ateísmo, também censurada.
- Le Misanthrope (1666), retrato de um homem íntegro em sociedade corrupta.
- L'Avare (O Avarento, 1668), farsa sobre usura.
- Le Bourgeois gentilhomme (O Burguês Fidalgo, 1670), comédia-ballet encomendada pelo rei.
- Les Femmes savantes (1672), atacando pedantismo intelectual.
- Le Malade imaginaire (O Doente Imaginário, 1673), sua última peça, encenada dias antes da morte.
Molière escreveu cerca de 30 peças, inovando com o "alto comique": humor refinado aliado a crítica profunda. Colaborou com compositores como Lully em comédias-ballets. Sua companhia Troupe du Roi se tornou referência, influenciando o teatro europeu. Produziu 21 estreias entre 1660 e 1673. (312 palavras)
Vida Pessoal e Conflitos
Molière casou-se em 1662 com Armande Béjart, 20 anos mais jovem, possivelmente irmã ou enteada de Madeleine Béjart. O casal teve quatro filhos, mas apenas uma filha, Esprit-Madeleine, sobreviveu à infância. Armande atuava na companhia, gerando rumores de infidelidade.
Sua saúde declinou devido a tuberculose e hemorragia pulmonar crônica. Apesar disso, atuou até o fim. Conflitos marcaram sua vida: censura religiosa por Tartuffe e Dom Juan, opondo-o à Companhia do Santo Sacramento. Críticos como Pierre Corneille e Jean Racine questionaram seu estilo "baixo".
Molière enfrentou acusações de imoralidade e ateísmo. Luís XIV o defendeu pessoalmente, permitindo encenações apesar das proibições. Em 1673, durante O Doente Imaginário, sofreu um colapso no palco, morrendo horas depois em casa. A Igreja negou sepultamento religioso inicial, mas o rei interveio para um enterro discreto. (192 palavras)
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Molière moldou a comédia moderna, com regras clássicas de unidade de tempo, lugar e ação adaptadas ao riso satírico. Sua influência alcança playwrights como Goldoni na Itália e Sheridan na Inglaterra. No século XX, adaptações por Gide e Ionesco renovaram suas peças.
Em França, é patrimônio nacional: a Comédie-Française encena suas obras regularmente. Até 2026, produções globais persistem, como Tartuffe em Nova York (2023) e O Avarento no Brasil (2025). Filmes como Molière (2007, de Laurent Tirard) popularizam sua vida.
Estudos acadêmicos destacam sua crítica social pré-Iluminista. Festivais como o de Pézenas, sua cidade provinciana, celebram-no anualmente. Molière simboliza resistência artística contra censura, relevante em debates sobre liberdade de expressão. Suas peças somam milhões de espectadores históricos. (223 palavras)
