Introdução
Mikhail Aleksandrovich Bakunin nasceu em 30 de maio de 1814, em Premukhino, província de Tver, Império Russo, e faleceu em 1º de julho de 1876, em Berna, Suíça. Ele é amplamente reconhecido como um dos principais teóricos do anarquismo, ao lado de Pierre-Joseph Proudhon. Sua vida marcou o século XIX com intensa atividade revolucionária, prisões e exílios, culminando em contribuições teóricas que enfatizavam o coletivismo libertário contra o marxismo autoritário.
Bakunin fundou correntes anarquistas dentro do movimento operário internacional. Ele ingressou na Primeira Internacional em 1868, mas foi expulso em 1872 devido a conflitos com Karl Marx. Suas ideias influenciaram gerações de pensadores e ativistas antiestatistas. Obras como Deus e o Estado (1871) e Estatismo e Anarquia (1873) permanecem centrais no pensamento libertário. Sua trajetória reflete o ideal de revolução espontânea e federalismo operário, oposto a qualquer forma de centralização política.
Origens e Formação
Bakunin veio de uma família nobre russa. Era o nono de onze filhos de Aleksandr Bakunin, diplomata e proprietário de terras, e Varvara Muravieva, de linhagem nobre. Cresceu em Premukhino, ambiente intelectual com discussões filosóficas.
Aos 14 anos, em 1828, ingressou na Escola de Artilharia de São Petersburgo. Formou-se subtenente em 1831 e serviu como oficial. Em 1834, renunciou ao exército e retornou a Moscou. Lá, frequentou círculos eslavófilos e estudou filosofia, influenciado por Schelling e Fichte.
Em 1835, Bakunin uniu-se ao Círculo de São Petersburgo, grupo de jovens intelectuais radicais. Lê obras de Hegel intensamente. Em 1840, viaja a Berlim para estudar filosofia alemã. Permanece na Alemanha até 1841, quando vai a Zurique, Suíça, e conhece Wilhelm Weitling, pioneiro do socialismo comunista.
Esses anos formativos moldam sua visão antiaristocrática e revolucionária. Ele adota o hegelianismo de esquerda, vendo a dialética como motor de mudança social.
Trajetória e Principais Contribuições
Em 1844, Bakunin chega a Paris, centro revolucionário. Encontra Proudhon, George Sand e Karl Marx, iniciando amizade com o último, que depois se rompe. Publica artigos em jornais franceses. Em 1847, participa de banquetes reformistas e defende a independência polonesa.
Durante as revoluções de 1848, viaja à Boêmia e Praga. Após fracasso, em 1849, é preso em Dresden, extraditado para Prússia e Áustria. Em 1851, julgado em São Petersburgo, confessa sob interrogatório (documento conhecido como Confissão). Condenado a morte, comutada para prisão perpétua na Fortaleza de Pedro e Paulo.
Em 1855, transferido para Sibéria, em Tobolsk. Casa-se em 1861 com Antonia Kwiatkowska, sobrinha de sua companheira de cela. Em 22 de junho de 1861, foge com ela via Irkutsk, Japão, EUA e chega a Londres em dezembro.
Reencontra revolucionários russos como Herzen. Em 1862, vai à Itália, organiza a revolta em Palermo (falha). Funda sociedades secretas como a Fraternidade Internacional. Em 1864, junta-se à Associação Internacional dos Trabalhadores (Primeira Internacional) em Londres.
Em 1868, no Congresso de Genebra, defende o coletivismo: propriedade coletiva dos meios de produção, mas salário por hora de trabalho. Rivaliza com Marx, acusando-o de autoritarismo. Em 1869, funda a Aliança Internacional da Democracia Socialista, braço anarquista infiltrado na Internacional.
Publica Federalismo, Socialismo e Antiteologismo (1867) e Deus e o Estado (1871, póstumo). Em Estatismo e Anarquia (1873), critica o socialismo estatal de Marx e Lassalle, defendendo a revolução camponesa russa.
Participa do Congresso da Haia em 1872, onde é expulso da Internacional com aliados. Em 1873, tenta insurreição em Bolonha, Itália (fracasso). Continua escrevendo até saúde declinar.
Vida Pessoal e Conflitos
Bakunin casou-se em 1861 com Antonia Kwiatkowska, polonesa. Teve cinco filhas: Sofia (1862), Ludmila (1864), Vera (1866), Polina (1868) e Maria (1870). Viveu exilado na Suíça, França e Itália, enfrentando pobreza crônica. Dependeu de amigos como Herzen e Ogarev.
Sua saúde piorou com gota, cirrose hepática e paralisia progressiva nas pernas. Conflitos pessoais incluíram brigas com aliados, como o caso Nechayev em 1870: Bakunin rompeu com o terrorista russo após escândalos.
Rivalidade com Marx definiu sua trajetória. Acusava Marx de centralismo alemão e ditadura proletária. Marx o via como conspirador indisciplinado. Bakunin enfrentou acusações de antissemitismo em debates, mas defendeu judeus em textos.
Preso múltiplas vezes: Rússia (1849-1861), Sibéria, fugas arriscadas. Viveu sob vigilância constante, o que alimentou sua desconfiança em autoridades.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Bakunin é visto como pai do anarquismo coletivista, influenciando sindicatos revolucionários na Espanha (CNT, 1936) e México (Casa del Obrero Mundial). Suas ideias inspiram movimentos anti-globalização e ocupações horizontais, como Occupy Wall Street (2011) e Zapatistas no México.
Até 2026, edições críticas de suas obras circulam em línguas múltiplas. Pensadores como Noam Chomsky citam-no contra o poder estatal. No Brasil, anarquistas do início do século XX, como os de São Paulo (1906-1917), bebem de suas fontes. Debates sobre federalismo persistem em ecologia social e municipalismo libertário.
Seu antiestatismo questiona tanto capitalismo quanto socialismo autoritário, mantendo relevância em crises como a pandemia de COVID-19 (2020-2022), onde críticas a lockdowns centralizados ecoam suas teses.
