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May Sarton

May Sarton

Biografia Completa

Introdução

May Sarton, nascida Eleanore Marie Sarton em 3 de maio de 1912, em Wondelgem, perto de Ghent, na Bélgica, emergiu como uma das vozes mais introspectivas da literatura americana do século XX. Filha de um historiador da ciência e uma pintora, ela se tornou poeta, romancista, memorialista e dramaturga, com mais de 50 obras publicadas. Sua escrita, marcada por temas de solidão, amor, natureza e identidade feminina, ganhou destaque nos diários pessoais, como Journal of a Solitude (1973), que revelam lutas internas sem filtros.

Sarton representou uma ponte entre tradições europeias e americanas, influenciada pela imigração precoce para os EUA em 1916, fugindo da Primeira Guerra Mundial. Sua obra ganhou relevância por abordar abertamente a homossexualidade feminina em uma era de repressão, além de questões como depressão e envelhecimento. Até sua morte em 1995, ela cultivou uma vida reclusa em York, Maine, onde escreveu sobre o cotidiano como forma de transcendência. Seu impacto persiste em estudos de gênero e literatura confessional, com fatos documentados em biografias e arquivos pessoais.

Origens e Formação

May Sarton cresceu em um ambiente intelectual estimulante. Seu pai, George Sarton, era um renomado historiador da ciência belga, autor de obras como Introduction to the History of Science. A mãe, Mabel Ancles Reynolds, era uma artista plástica americana de Nova Inglaterra. A família vivia em uma casa modesta na Bélgica rural quando a guerra eclodiu.

Em 1916, aos quatro anos, Sarton e os pais fugiram para os Estados Unidos, instalando-se inicialmente em Northampton, Massachusetts, e depois em Cambridge. George Sarton lecionou na Universidade de Harvard, moldando um lar repleto de livros e discussões acadêmicas. May aprendeu francês e inglês fluentemente, absorvendo influências europeias.

Aos 12 anos, ela abandonou a escola formal, optando por educação particular e autodidata. Interessou-se por teatro e dança. Em Nova York, aos 16, trabalhou como aprendiz de Eva Le Gallienne no Civic Repertory Theater. Fundou seu próprio grupo teatral, o Associated Actors' Theater, em 1930, dirigindo peças como A Struggle Rehearsed (1933), sua primeira peça publicada. Essa fase formativa uniu sua paixão por performance e linguagem poética.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira literária de Sarton decolou nos anos 1930. Seu primeiro livro de poesia, Encounter in April (1937), recebeu elogios por sua lirismo clássico e imagens da natureza. Seguiram-se romances como The Single Hound (1938) e The Bridge of Art: Poems (1945). Durante a Segunda Guerra Mundial, ela contribuiu com poemas patrióticos e trabalhou em empregos variados para se sustentar.

Nos anos 1950, Sarton ganhou prêmios como a Guggenheim Fellowship (1947 e 1952). Publicou I Knew a Phoenix (1959), um diário fragmentado sobre amores passados. Em 1958, comprou uma casa centenária em Nelson, New Hampshire (depois York, Maine), tema central de Plant Dreaming Deep (1968), um memorial sobre raízes e criação.

O ápice veio com Journal of a Solitude (1973), um diário cru sobre depressão, isolamento e relacionamentos lésbicos. Ele vendeu dezenas de milhares de cópias e inspirou leitores a confrontarem vulnerabilidades. Outros diários incluem A Reckoning (1978), At Seventy (1984) e Endgame (1995), este último póstumo.

Sarton produziu poesia prolífica: Collected Poems (1974, 1993). Romances como Mrs. Stevens Hears the Mermaids Singing (1965) exploram artistas gays e lésbicos. Ela recebeu o Levinson Prize (1958) e o Society of Midland Authors Award. Lecionou ocasionalmente, como na Universidade de Nova Hampshire. Sua obra totaliza 19 coleções de poesia, 15 romances, 11 diários e memórias, além de peças e ensaios.

Vida Pessoal e Conflitos

Sarton manteve uma vida privada intensa. Relacionamentos com mulheres marcaram sua existência, incluindo Judy Matlack nos anos 1950 e Bracker, uma jovem artista. Esses laços inspiraram obras, mas também dores, como separações e infidelidades documentadas em diários. Ela descreveu lutas com depressão recorrente, especialmente após os 60 anos, agravada por críticas literárias mistas – alguns a viam como sentimental, outros como autêntica.

A homossexualidade, assumida publicamente nos anos 1960, trouxe isolamento social. Viveu sozinha em sua casa de campo, com gatos e jardim como companheiros. Conflitos familiares surgiram com o pai controlador; após sua morte em 1956, ela ganhou mais liberdade. Saúde declinou nos anos 1980: derrame em 1987 limitou mobilidade, mas ela continuou escrevendo ditando.

Amizades com figuras como Elizabeth Bowen e Muriel Rukeyser enriqueceram sua rede, mas solidão era tema recorrente. Críticas apontavam repetição em temas, mas defensores valorizavam honestidade. Sarton evitou rótulos feministas radicais, preferindo universalidade.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

May Sarton faleceu em 16 de julho de 1995, em York, Maine, aos 83 anos, de complicações cardíacas. Sua casa em Nelson tornou-se museu. Obras foram reeditadas; Journal of a Solitude permanece em listas de melhores diários.

Até 2026, seu legado influencia literatura queer e confessional. Estudos acadêmicos analisam sua representação de envelhecimento lésbico, como em teses sobre gênero. Antologias incluem sua poesia em coleções feministas. Filmes e podcasts adaptam diários, destacando resiliência.

Instituições como a May Sarton Collection na Universidade de Nova Hampshire preservam arquivos. Premiações póstumas, como o Ruth Lilly Prize (1990, recebido em vida?), reforçam status. Sua relevância persiste em contextos de saúde mental e identidade, com fatos confirmados em biografias como Faithful Are the Wounds de Margot Peters (1983). Sem projeções, Sarton simboliza persistência criativa em meio à adversidade.

Pensamentos de May Sarton

Algumas das citações mais marcantes do autor.