Introdução
Max Karl Ernst Ludwig Planck nasceu em 23 de abril de 1858, em Kiel, na então Prússia (atual Alemanha), e faleceu em 4 de abril de 1947, em Göttingen. Físico teórico de renome, ele é amplamente considerado o pai da física quântica. Sua contribuição pivotal ocorreu em 1900, quando resolveu o problema da radiação do corpo negro postulando que a energia é emitida em pacotes discretos, ou "quanta", introduzindo a constante de Planck (h), fundamental para a física moderna.
Essa ideia, inicialmente vista com ceticismo pelo próprio Planck, desafiou a física clássica e abriu as portas para desenvolvimentos como a teoria de Einstein sobre o efeito fotoelétrico e a mecânica quântica de Heisenberg e Schrödinger. Planck recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1918, especificamente "em reconhecimento à descoberta da energia quantizada do movimento de irradiância". Sua carreira abrangeu mais de seis décadas, incluindo posições em universidades de Kiel e Berlim, e liderança na Kaiser Wilhelm Gesellschaft (atual Sociedade Max Planck). Apesar de contextos turbulentos como as duas guerras mundiais e o regime nazista, Planck manteve-se fiel à ciência racional. Sua obra não só transformou a compreensão da matéria e energia, mas também influenciou gerações de físicos até os dias atuais. (178 palavras)
Origens e Formação
Planck veio de uma família erudita. Era o quarto filho (quinto no total, com um irmão gêmeo morto cedo) de Julius Wilhelm Planck, professor de direito constitucional e história da política na Universidade de Kiel e Göttingen, e de Emma Patzig. A família valorizava a educação humanística e científica.
Cresceu em Kiel até 1867, quando se mudou para Munique devido à carreira do pai. Ali, frequentou o Maximiliansgymnasium, onde se destacou em línguas clássicas, música e ciências. Influenciado pelo professor de física Philipp von Jolly, Planck manifestou interesse precoce pela termodinâmica. Em 1874, aos 16 anos, ingressou na Universidade de Munique, estudando matemática (com Felix Klein) e física (com Jolly).
Em 1877, transferiu-se para a Universidade de Berlim, onde trabalhou com Hermann von Helmholtz e Gustav Kirchhoff, pioneiros em termodinâmica e espectroscopia. Retornou a Munique em 1878 para concluir seu doutorado em 1879, com uma tese sobre o segundo princípio da termodinâmica, aprovada por Jolly, Kirchhoff e Helmholtz. Apesar de sua inclinação teórica, enfrentou um mercado acadêmico saturado, lecionando como privatdozent em Munique de 1880 a 1885. Esses anos iniciais moldaram sua abordagem rigorosa e conservadora à física. (212 palavras)
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Planck ganhou impulso em 1885, quando assumiu a cátedra de física teórica na Universidade de Kiel, sucedendo Kirchhoff. Lá, aprofundou estudos em termodinâmica e eletromagnetismo. Em 1889, foi nomeado professor associado na Universidade de Berlim, tornando-se titular em 1892 como sucessor de Helmholtz na Academia de Ciências e na universidade.
Seu marco maior veio em 1900. Investigando a radiação do corpo negro – discrepância entre teoria clássica de Rayleigh-Jeans (ultravioleta catastrófico) e experimentos –, Planck derivou a lei da radiação do corpo negro assumindo que a energia dos osciladores é quantizada: E = nhf, onde h é a constante de Planck (6,626 × 10^{-34} J·s) e f a frequência. Publicada em duas partes (14 e 21 de dezembro de 1900), essa hipótese foi inicialmente um artifício matemático para Planck, que resistia a suas implicações revolucionárias.
Em 1905, Einstein usou os quanta para explicar o efeito fotoelétrico, consolidando a ideia. Planck expandiu sua teoria em trabalhos subsequentes, incluindo o princípio da ação de Planck (E = hν) e contribuições à teoria da relatividade especial. Durante a Primeira Guerra Mundial, atuou como presidente da Comissão de Pesquisa Científica. De 1926 a 1937, presidiu a Kaiser Wilhelm Gesellschaft, rebatizada em sua honra em 1948. Publicou extensivamente, com mais de 300 artigos, e influenciou alunos como Einstein (que o elogiou como "o homem mais profundo") e Lise Meitner. Seus trabalhos em entropia, teoria quântica inicial e filosofia da ciência permanecem pilares. (268 palavras)
Vida Pessoal e Conflitos
Planck casou-se em 1887 com Marie Merck, com quem teve quatro filhos: Karl, twins Margarete e Emma, e Erwin. Marie faleceu em 1909 de varíola. Em 1911, desposou Marga von Hösslin, 40 anos mais jovem, ex-nora de um amigo; o casal teve um filho, Hermann.
A Primeira Guerra custou a vida de Karl em 1916, na frente ocidental. As gêmeas casaram-se com químicos: Margarete com John von Laue (filho de Max von Laue), Emma com Hugo Nutting. Ambas morreram jovens: Margarete em 1917 no parto, Emma em 1919 de gripe espanhola.
O nazismo trouxe dilemas profundos. Como presidente da Kaiser Wilhelm Gesellschaft, Planck opôs-se discretamente ao regime. Tentou proteger colegas judeus, como Fritz Haber e Einstein (que emigrara). Em 1933, aconselhou Hitler contra interferência na ciência, mas sem sucesso total. Demitiu-se em 1937 por divergências, especialmente após a "Noite das Facas Longas" e perseguições. Seu filho Erwin foi acusado de complô contra Hitler em 1944, julgado e executado em 1945. Planck, aos 87 anos, testemunhou os bombardeios aliados e o colapso nazista. Pós-guerra, ajudou a reconstruir a ciência alemã em Göttingen. Sua postura estoica reflete seu lema: "A verdade triunfa por si mesma". (238 palavras)
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O legado de Planck define a física quântica, base de tecnologias como lasers, semicondutores, MRI e computação quântica. A constante h é unidade SI desde 2019. A Sociedade Max Planck, com 86 institutos, perpetua sua visão interdisciplinar, com avanços em astrofísica, biologia quântica e IA até 2026.
Einstein creditou-lhe a "revolução quântica". Prêmios como a Medalha Max Planck (desde 1952) homenageiam contribuições. Em 2023-2025, celebrações do 125º aniversário da hipótese quântica destacaram simulações quânticas e criptografia. Até fevereiro 2026, sua influência persiste em debates sobre interpretação quântica (Copenhagen, many-worlds) e unificação quântica-gravitacional. Planck simboliza a coragem científica em tempos adversos, com biografias e documentários mantendo sua relevância. Não há indícios de controvérsias não resolvidas; seu perfil permanece de integridade exemplar. (151 palavras)
