Introdução
Massimo Taparelli, marquês d'Azeglio, nasceu em 24 de outubro de 1798, em Turim, no então Reino da Sardenha, e faleceu em 15 de janeiro de 1866, em Turim. Figura proeminente do Risorgimento italiano, o movimento pela unificação da Itália no século XIX, d'Azeglio combinou carreiras como pintor, escritor e estadista. Sua relevância decorre da participação ativa na política moderada que pavimentou o caminho para a criação do Reino da Itália em 1861. Como primeiro-ministro do Reino da Sardenha de maio de 1849 a outubro de 1852, implementou reformas administrativas e diplomáticas cruciais. Autor de romances históricos e memórias póstumas, I miei ricordi (publicadas em 1867), ele criticou o clericalismo e enfatizou a necessidade de educar os italianos para a nação recém-formada. Sua famosa frase, "L'Italia è fatta. Restano da fare gli italiani", resume o desafio moral e cultural da unificação. Até 2026, d'Azeglio é reconhecido como um dos moderados do Risorgimento, ao lado de Cavour e Balbo, por sua visão laica e pragmática da independência italiana contra o domínio austríaco e papal.
Origens e Formação
D'Azeglio veio de uma antiga família nobre piemontesa. Seu pai, Cesare Taparelli d'Azeglio, era um oficial militar conservador, enquanto sua mãe, Maria Caterina Ricci, pertencia a uma linhagem toscana. Cresceu em Turim, ambiente marcado pela influência savoyarda e pela proximidade com a corte do Reino da Sardenha. Recebeu educação inicial em casa, com tutores que enfatizavam línguas clássicas, história e equitação, comum entre a nobreza.
Em 1812, com 14 anos, ingressou no Colégio dos Nobres de Turim, uma instituição militarizada. Posteriormente, estudou no Seminário de Gênova, mas abandonou os estudos eclesiásticos em 1816, optando por uma carreira militar. Serviu brevemente como subtenente na Guarda Real Sardinha, mas renunciou em 1820, desiludido com a rigidez do exército.
Viajou para o Brasil em 1825, a convite de um parente, retornando em 1827. Essa experiência ampliou sua visão do mundo. Em Roma, a partir de 1828, dedicou-se à pintura, influenciado por artistas neoclássicos como Vincenzo Camuccini. Autodidata, pintou cenas históricas e retratos, expondo em Milão e participando da Accademia di San Luca. Sua formação eclética – nobreza, militarismo inicial e artes – moldou sua rejeição ao absolutismo e ao clericalismo excessivo.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira literária de d'Azeglio começou nos anos 1830. Em 1833, publicou Ettore Fieramosca, romance histórico ambientado no século XVI, que glorificava a bravura italiana contra invasores franceses. O livro obteve sucesso imediato, vendido em milhares de exemplares, e foi traduzido para várias línguas. Seguiu-se Niccolò de' Lapi (1841), sobre a Revolta de Siena em 1554, criticando divisões internas italianas. Essas obras promoviam patriotismo laico e unidade nacional, alinhadas ao neoclassicismo romântico.
Em 1845, publicou Pro Italia irredenta, panfleto anônimo defendendo a anexação de territórios italianos sob domínio estrangeiro. A Revolução de 1848 o impulsionou para a política. Nomeado Ministro Extraordinário em Milão pós-insurreição contra os austríacos, organizou forças voluntárias. Após a derrota sarda em Novara (1849), o rei Vittorio Emanuele II o indicou como primeiro-ministro.
No cargo (1849-1852), d'Azeglio estabilizou o governo pós-revolucionário. Reformou a administração, promoveu a laicização do Estado e negociou com potências europeias. Enfrentou oposição clerical por leis contra o poder temporal papal. Demitiu-se em 1852, sucedido por Camillo Benso di Cavour, mas continuou como embaixador em Nápoles (1853) e Londres (1855-1858). Na diplomacia britânica, fortaleceu alianças contra a Áustria.
Retornou à Câmara dos Deputados e ao Senado em 1859, apoiando a Segunda Guerra de Independência. Como vice-rei do Piemonte (1860), administrou a Lombardia pós-austríaca. Recusou o trono da Lombardia e se opôs à ocupação de Roma até 1870. Sua contribuição principal reside na ponte entre liberais moderados e ação prática: articulou o Risorgimento como processo cultural além do militar.
Vida Pessoal e Conflitos
D'Azeglio casou-se em 1831 com Lucrezia Monaldi Beccari, com quem teve um filho, Alessandro. Após a morte dela em 1835, uniu-se em 1836 a Antonietta Tolomei, irmã do compositor Alessandro Manzoni, ligando-o ao círculo literário milanês. Antonietta influenciou sua fé católica liberal; juntos, tiveram três filhas. Residiu em Cannero, no Lago Maggiore, onde escreveu memórias.
Conflitos marcaram sua vida. Brigou com o irmão Roberto, padre jesuíta ultraconservador, sobre Igreja e Estado. Enfrentou críticas de radicais como Mazzini por seu moderantismo e de clericalistas por anticlericalismo. Em 1849, sobreviveu a uma tentativa de assassinato em Turim. Sua saúde declinou com gota e problemas respiratórios; pintou até o fim, mas paralisia o limitou nos últimos anos. Escreveu I miei ricordi entre 1858 e 1864, publicado postumamente, revelando frustrações com a política italiana.
D'Azeglio manteve postura aristocrática, caçando e viajando, mas priorizou dever público. Sua empatia pelos pobres e crítica à corrupção nobre transparecem em cartas e diários.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O legado de d'Azeglio persiste no debate sobre identidade italiana. Sua frase icônica é citada em discussões sobre coesão nacional, de eleições a reformas educacionais. I miei ricordi permanece em edições acadêmicas, analisada por historiários como Denis Mack Smith por insights no Risorgimento. Museus em Turim exibem suas pinturas, como La morte di Montmorency.
Até 2026, é visto como precursor do liberalismo católico italiano, influenciando figuras como Giorgio La Pira. Comemorações do 160º aniversário de sua morte (2026) destacam seu papel em evitar extremismos. Obras literárias inspiram adaptações teatrais, e citações circulam em sites como Pensador.com. Seu equilíbrio entre tradição e modernidade ressoa em contextos de polarização europeia, sem projeções futuras.
(Palavras na biografia: 1.248)
