Introdução
Maomé, também conhecido como Muhammad, nasceu por volta de 570 d.C. em Meca, na atual Arábia Saudita, e faleceu em 632 d.C. em Medina. Ele é reconhecido como o profeta final no islamismo, religião monoteísta fundada por suas revelações. De acordo com fontes islâmicas tradicionais, como o Corão e hadiths, Maomé recebeu mensagens de Deus (Alá) por meio do anjo Gabriel, compiladas no Corão.
Sua vida marca a transição da Arábia pré-islâmica politeísta para uma sociedade unificada sob o tawhid (unicidade de Deus). A Hégira, migração de Meca para Medina em 622 d.C., inicia o calendário muçulmano e simboliza o estabelecimento da ummah (comunidade islâmica). Seu impacto é global: o islamismo hoje tem cerca de 1,8 bilhão de adeptos. Os fatos aqui derivam de narrativas históricas consensuais, como a Sira de Ibn Ishaq (séc. VIII), com alta confiabilidade acadêmica até 2026. Não há detalhes sobre infância ou eventos além dos amplamente documentados.
Origens e Formação
Maomé nasceu em Meca, centro comercial controlado pela tribo Quraysh, no clã Hashim. Seu pai, Abdallah, morreu antes do nascimento; sua mãe, Amina, faleceu quando ele tinha seis anos. Órfão, foi criado pelo avô, Abd al-Muttalib, até os oito anos, e depois pelo tio Abu Talib, líder do clã.
Como jovem, Maomé trabalhou como pastor e mercador, ganhando reputação de al-Amin (o confiável). Aos 25 anos, casou-se com Khadija bint Khuwaylid, viúva rica de 40 anos, que o empregava. Eles tiveram vários filhos, incluindo Fátima, que sobreviveu à infância. Khadija foi sua primeira convertida ao islamismo.
Meca era politeísta, com a Caaba como santuário. Maomé, influenciado pelo monoteísmo hanif (crença em um Deus sem ídolos), meditava na caverna de Hira. Aos 40 anos, em 610 d.C., teve a primeira revelação: "Iqra!" (Recita!), iniciando as suras do Corão. Esses fatos são centrais nas biografias tradicionais e corroborados por historiadores não muçulmanos.
Trajetória e Principais Contribuições
A pregação pública de Maomé começou por volta de 613 d.C. Ele pregava o tawhid, justiça social e fim da usura e infanticídio feminino. Inicialmente, atraiu elites como Abu Bakr e Omar, mas enfrentou oposição dos Quraysh, que viam ameaça ao comércio idolátrico.
Em 615 d.C., alguns muçulmanos migraram para a Abissínia por proteção do negus cristão. Perseguições intensificaram-se; Maomé recusou compromissos politeístas. Em 620 d.C., ocorreu o Mi'raj (ascensão noturna a Jerusalém e céus), evento relatado no Corão (Sura 17).
A Hégira em 622 d.C. foi pivotal: convidados de Medina (Yathrib) juraram lealdade (Pacto de Aqaba). Maomé e seguidores fugiram de Meca, estabelecendo-se em Medina. Lá, redigiu a Constituição de Medina, aliança entre muçulmanos, judeus e pagãos.
Liderou batalhas defensivas:
- Badr (624 d.C.): vitória contra 1.000 mequinos, consolidando o islã.
- Uhud (625 d.C.): revés tático, mas sobrevivência.
- Trincheira (627 d.C.): cerco falhado de Meca.
Em 628 d.C., Tratado de Hudaybiyyah permitiu peregrinação pacífica. Violado pelos Quraysh, levou à conquista incruenta de Meca em 630 d.C.: Maomé destruiu ídolos da Caaba, declarando anistia geral. Expansões seguiram para Ta'if e alianças tribais.
Suas contribuições incluem o Corão (revelado oralmente, compilado pós-morte), os Cinco Pilares (shahada, salat, zakat, sawm, hajj) e sharia inicial. Unificou a Arábia sob islamismo até sua morte.
Vida Pessoal e Conflitos
Maomé teve uma vida monogâmica com Khadija por 25 anos, até sua morte em 619 d.C. Posteriormente, casou-se com várias mulheres, incluindo Aisha (filha de Abu Bakr, casada aos 9 anos) e Sawda, totalizando cerca de 11 esposas, muitas viúvas ou para alianças tribais. Esses casamentos são documentados em hadiths sahih (autênticos).
Conflitos incluíram acusações de feitiçaria e poesia satírica contra ele. A "Satanic Verses" (versos supostamente revogados) é debatida, mas não consensual. Críticas de opositores mequinos focavam em sua rejeição aos ídolos ancestrais. Maomé enfrentou atentados, como o sono induzido por veneno em Khaybar (628 d.C.), que afetou sua saúde.
Doenças crônicas, possivelmente envenenamento ou febre, levaram à sua morte em 8 de junho de 632 d.C., aos 62 anos, nos braços de Aisha em Medina. Abu Bakr sucedeu-o como califa. Não há registros de herdeiros varões sobreviventes; a sucessão gerou tensões entre sunitas e xiitas.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O legado de Maomé é o islamismo como segunda maior religião mundial. Após sua morte, conquistas rápidas (Síria 634, Pérsia 636, Egito 641) espalharam o islã. O Corão, preservado oral e escrito, guia 1,8 bilhão muçulmanos. Hadiths compilados por Bukhari e Muslim (séc. IX) detalham sua sunna.
Até 2026, sua figura permanece central: celebrações como Mawlid (aniversário) em muitos países; debates acadêmicos sobre historicidade via fontes como Doctrina Jacobi (634 d.C.), confirmando profeta árabe. Críticas ocidentais (ex.: In Rushdie, 1988) focam em versos sobre violência, mas defensores enfatizam contexto defensivo. Influencia política (ex.: Estado Islâmico invoca califado rashidun) e cultural (arquitetura, lei). Organizações como ONU reconhecem contribuições éticas no Diálogo Inter-religioso.
