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Mao Tse-Tung

Mao Tse-Tung

Biografia Completa

Introdução

Mao Tsé-Tung nasceu em 26 de dezembro de 1893 e faleceu em 9 de setembro de 1976. Ele atuou como teórico marxista, político, revolucionário, poeta, soldado e governante comunista da República Popular da China. Esses papéis definem sua trajetória central na história do século XX.

Mao liderou a revolução chinesa contra o governo nacionalista do Kuomintang, culminando na proclamação da República Popular da China em 1º de outubro de 1949. Como presidente do Partido Comunista Chinês (PCC) de 1943 a 1976 e presidente da República de 1949 a 1959, implementou políticas como a reforma agrária, coletivização e campanhas ideológicas. Seus escritos, como "A Prática é o Critério da Verdade" e poesias, influenciaram o marxismo-leninismo adaptado à China rural.

Sua relevância persiste até 2026 como figura fundadora do Estado chinês contemporâneo, com o "pensamento Mao Tsé-Tung" incorporado à constituição chinesa. Políticas como o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural geraram debates sobre custos humanos e legados econômicos. Mao simboliza a adaptação do comunismo a contextos agrários, impactando movimentos globais de esquerda.

Origens e Formação

Mao nasceu em Shaoshan, província de Hunan, em uma família de camponeses abastados. Seu pai, Mao Yichang, era um agricultor rigoroso que administrava terras arrendadas. A mãe, Wen Qimei, era budista devota e influenciou sua infância. Aos 13 anos, Mao trabalhou na fazenda familiar, mas rebelou-se contra o pai, fugindo temporariamente.

Em 1911, eclodiu a Revolução Xinhai, que derrubou a dinastia Qing. Mao se alistou no exército hunanês por seis meses, experiência que o expôs a ideias republicanas. Após o serviço, frequentou a escola primária em Xiangxiang e, em 1913, a Primeira Escola Normal Provincial de Hunan em Changsha. Lá, leu obras de pensadores como Adam Smith, Montesquieu, Rousseau e Darwin.

Influenciado pelo Movimento da Nova Cultura (1915-1921), Mao adotou ideias anarquistas e nacionalistas. Em 1918, graduou-se e trabalhou como bibliotecário na Universidade de Pequim, sob Li Dazhao, um dos primeiros marxistas chineses. Em 1920, organizou o primeiro grupo comunista em Hunan. Em julho de 1921, participou da fundação do PCC em Xangai, com apenas 13 membros iniciais. Esses anos formataram sua visão de revolução camponesa, contrastando com o foco urbano marxista ortodoxo.

Trajetória e Principais Contribuições

A ascensão de Mao ocorreu durante a Expedição do Norte (1926-1927), aliança entre PCC e Kuomintang liderada por Chiang Kai-shek. Após a ruptura em 1927, massacres contra comunistas forçaram Mao a liderar guerrilhas em Jiangxi. Em 1931, proclamou a República Soviética Chinesa em Ruijin.

A Longa Marcha (1934-1935) marcou seu triunfo: de 100 mil combatentes, restaram 8 mil após 9.600 km. Em Zunyi, Conferência de Zunyi, Mao emergiu como líder supremo do PCC. Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), baseou-se em Yan'an, expandindo o Exército de Libertação Popular via reforma agrária.

Em 1949, após vitórias na Guerra Civil Chinesa, Mao proclamou a RPC em Pequim. Implementou a reforma agrária (1950-1952), redistribuindo terras de proprietários. A Primeira Frente Única terminou com a nacionalização industrial. Em 1953, iniciou os Planos Quinquenais, inspirados na URSS.

O Grande Salto Adiante (1958-1962) visava superar a Inglaterra em produção siderúrgica via comunas populares. Resultou em fome massiva, com estimativas de 20-45 milhões de mortes por inanição. Mao renunciou à presidência do Estado em 1959, mas reteve controle do PCC.

A Revolução Cultural (1966-1976) mobilizou Guardas Vermelhos contra "revisionistas". Purgou rivais como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping. Produziu caos social, com milhões perseguidos. Mao publicou "Citações do Presidente Mao" (Livro Vermelho), distribuído globalmente.

Como teórico, adaptou o marxismo em obras como "Sobre a Prática" (1937) e "Sobre a Contradição" (1937). Sua poesia, como "Neve", reflete temas revolucionários. Até 1976, consolidou o poder pessoal.

Vida Pessoal e Conflitos

Mao casou-se quatro vezes. Primeiro, com Luo Yixiu (1907-1910), casamento arranjado que ele repudiou. Segundo, Yang Kaihui (1920-1930), mãe de filhos, executada pelo Kuomintang. Terceiro, He Zizhen (1928-1937), companheira da Longa Marcha. Quarto, Jiang Qing (1939-1976), atriz que liderou a Revolução Cultural. Teve dez filhos, vários perdidos em guerras.

Conflitos incluíram rivalidades no PCC: purgas contra Zhang Guotao nos anos 1930 e contra Lin Biao em 1971, após suposto golpe. Chiang Kai-shek o via como traidor. Internacionalmente, rompeu com a URSS em 1960, iniciando a via chinesa.

Críticas apontam autoritarismo: Lei Antidireitista de 1957 suprimiu dissidentes. A Revolução Cultural gerou violência generalizada. Mao fumava muito e negligenciou saúde, sofrendo derrames finais.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Até 2026, Mao permanece ícone oficial na China: retrato na Praça Tiananmen, feriado de fundação da RPC. O PCC incorpora seu pensamento na ideologia, equilibrado com reformas de Deng Xiaoping pós-1978. Economicamente, legou base industrial apesar de falhas.

Globalmente, inspirou guerrilhas na Ásia, África e América Latina, como Sendero Luminoso e FARC. Seus textos circulam em estudos marxistas. Debates persistem: herói nacional para alguns, responsável por 40-80 milhões de mortes para outros, per historiadores como Frank Dikötter.

Em 2026, com ascensão chinesa, Mao simboliza soberania e anti-imperialismo. Museus em Shaoshan atraem milhões. Sua poesia é estudada academicamente. Influencia o Partido Comunista Chinês sob Xi Jinping, que cita Mao em discursos.

Pensamentos de Mao Tse-Tung

Algumas das citações mais marcantes do autor.