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Machado deAssis

Machado deAssis

Biografia Completa

Introdução

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, bairro pobre do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil. Filho de pai mulato e mãe portuguesa de origem humilde, ele se tornou o principal nome da literatura brasileira do século XIX. Sua trajetória exemplifica superação: autodidata, enfrentou epilepsia desde a infância e cegueira nos anos finais.

Machado publicou poesia, contos, crônicas e nove romances, além de peças teatrais e críticas literárias. Obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) inauguraram o realismo no Brasil, com narrativas inovadoras em primeira pessoa e ironia corrosiva. Ele criticou hipocrisias sociais, escravidão e elites sem panfletismo direto. Em 1897, fundou a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a presidiu até sua morte, em 1908. Sua relevância persiste como espelho da sociedade brasileira. (178 palavras)

Origens e Formação

Machado cresceu em ambiente precário. Seu pai, Francisco José de Assis, pintava casas e tinha origens africanas. A mãe, Maria Leopoldina Machado de Assis, lavava roupa para sustento. Órfão de mãe aos dez anos, viveu com a madrasta. A família era analfabeta, exceto pelo avô paterno, que contava histórias.

Ele frequentou escola primária por pouco tempo, até os 15 anos, na Casa de Ensino Lancastre. Aprendeu a ler e escrever com dificuldade. Trabalhou como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional e no Diário do Rio de Janeiro. Ali, corrigia provas e absorvia cultura. Autodidata voraz, leu clássicos portugueses, franceses e ingleses: Shakespeare, Sterne, Cervantes, Eça de Queirós.

Em 1860, publicou os primeiros poemas no Paraná Journal. Ingressou no funcionalismo público em 1865, como escrevente no Ministério da Agricultura. Casou em 1869 com Carolina Xavier de Novais, portuguesa culta, que o incentivou e traduziu suas obras. Essa união elevou seu círculo social. Ele ascendeu na carreira: segundo oficial em 1873, chefe de seção em 1882 e diretor do Imprensa Nacional em 1898. (212 palavras)

Trajetória e Principais Contribuições

Machado iniciou na poesia romântica. Crisálidas (1864) e Falas Crepusculares (1870) mostram influências de Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu. Passou para contos e crônicas em jornais como Auqbar e Gazeta Literária. Histórias da Meia-Noite (1873) e Papéis Avulsos (1882) revelam ironia crescente.

O marco veio com os romances. Ressurreição (1872) e A Mão e a Luva (1874) são realistas iniciais. Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878) exploram dilemas morais. A trilogia realista começa em Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881): narrador morto conta vida em tom satírico, invertendo convenções. Critica vaidades, política e escravidão.

Quincas Borba (1891) aprofunda o "humanitismo", filosofia fictícia irônica. Dom Casmurro (1899), seu mais célebre, narra ciúmes de Bento Santiago via monólogo, questionando verdade e traição. Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1906) fecham a fase madura, com visão desencantada da República.

Ele dirigiu Revista Brasileira (1895-1896) e fundou a ABL em 1897, inspirada na Francesa. Escolhido imortal na cadeira 23, presidiu de 1897 a 1908. Publicou Ocidentais (1906), última poesia. Sua crítica literária, em Objecções contra a Iracema de Alencar (1871), moldou debates. Contribuições: inovação narrativa, realismo psicológico brasileiro, denúncia sutil de desigualdades. (298 palavras)

Vida Pessoal e Conflitos

Machado casou com Carolina em 3 de novembro de 1869, após noivado de quatro anos. Ela era filha do professor português José de Novais. O casal teve filha única, Alphonsina, morta aos três anos em 1870. Sem outros filhos, adotaram o sobrinho João. Carolina morreu em 1904, após 35 anos de casamento; Machado dedicou Memorial de Aires a ela.

Ele sofreu epilepsia desde os 15 anos, com crises controladas, mas progressivas. Cegueira instalou-se nos anos 1890; ditava textos ao final. Apesar disso, manteve rotina produtiva. Viveu no Flamengo, comprando casa em 1884.

Conflitos foram internos e sociais. Como mulato num Brasil escravista, ocultou origens, mas aludiu em obras. Abolicionista discreto, integrou campanhas pela liberdade. Políticamente republicano moderado, lamentou excessos da Proclamação de 1889 em crônicas. Críticos o acusavam de elitismo ou falta de paixão romântica; ele respondia com ironia. Na ABL, mediou disputas entre gerações. Saúde declinou: morreu em 29 de setembro de 1908, de câncer na boca, aos 69 anos. Enterro simples, no Cemitério de São João Batista. (238 palavras)

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Machado é patrono da ABL e referência obrigatória nos currículos brasileiros. Suas obras integram cânone lusófono, traduzidas em dezenas de idiomas. Edições críticas, como as de John Gledson e Sidney Chaloub, analisam seu abolicionismo velado e visão de raça/classe.

Em 2008, centenário de morte gerou eventos globais: simpósios na Sorbonne, exposições no British Museum. No Brasil, Lei Rouanet financiou adaptações teatrais e fílmicas de Dom Casmurro. Até 2026, estudos destacam interseccionalidade: gênero, raça, colonialismo em sua obra. Influenciou Clarice Lispector, Dalton Trevisan e contemporâneos como Conceição Evaristo.

UNESCO o celebrou em 2008. Romances inspiram graphic novels e séries, como Dom (2021, Globoplay). Sua ironia ressoa em debates sobre corrupção e desigualdade. Críticos como Antonio Candido o chamam de "maior escritor brasileiro". Legado: fundação de identidade literária nacional, com realismo que transcende o tempo. (121 palavras)

Pensamentos de Machado deAssis

Algumas das citações mais marcantes do autor.