Introdução
Luis Buñuel Portolés nasceu em 22 de fevereiro de 1900, em Calanda, uma pequena vila na província de Teruel, Aragão, Espanha. Morreu em 29 de julho de 1983, no Cidade do México. Considerado um dos maiores cineastas do século XX, Buñuel revolucionou o cinema com sua adesão ao surrealismo, influenciando gerações de diretores. Sua filmografia, que abrange mais de 30 longas-metragens, ataca instituições como a Igreja Católica, a burguesia e o colonialismo, usando imagens chocantes, humor negro e narrativas não lineares.
Filmes como Un Chien Andalou (1929) e O Discreto Charme da Burguesia (1972) exemplificam sua maestria em subverter expectativas. Exilado durante a Guerra Civil Espanhola, trabalhou na França, Estados Unidos, México e Espanha. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes por Viridiana (1961) e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por O Discreto Charme da Burguesia. Sua obra permanece relevante por questionar normas sociais até os dias atuais. Buñuel dirigiu seu último filme, Cet Obscur Objet du Désir, em 1977, aos 77 anos. (178 palavras)
Origens e Formação
Buñuel cresceu em uma família católica burguesa de sete filhos. Seu pai, Leonardo Buñuel, era um engenheiro agrônomo bem-sucedido que acumulou fortuna na Cuba colonial. A mãe, Maria Portolés, era devota e educou os filhos em internatos jesuítas rigorosos em Comillas, Cantábria. Essa educação religiosa marcou sua posterior crítica anticlerical.
Em 1912, a família mudou-se para Saragoça. Buñuel estudou agronomia na Universidade de Saragoça, mas abandonou o curso. Em 1917, ingressou na Residência de Estudantes de Madrid, um centro intelectual vibrante. Lá, conviveu com Federico García Lorca e Salvador Dalí, formando o trio que impulsionou sua carreira artística. Buñuel trabalhou como assistente de Jean Epstein em Paris em 1925, onde descobriu o cinema experimental.
Influenciado pelo dadaísmo e surrealismo de André Breton, Buñuel escreveu artigos para revistas como La Gaceta Literaria. Sua formação incluiu leituras de Freud, Marx e Sade, que moldaram sua visão do inconsciente e da crítica social. Em 1928, com 28 anos, produziu seu primeiro curta experimental. (192 palavras)
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Buñuel decolou com Un Chien Andalou (1929), curta-metragem de 16 minutos co-dirigido com Dalí. A cena icônica da navalha cortando o olho de uma mulher chocou o público parisiense e definiu o surrealismo no cinema. Seguiu-se L'Âge d'Or (1930), longa de 63 minutos, banido por escandalizar a elite católica com cenas de erotismo e anticlericalismo.
Com a ascensão do franquismo, Buñuel exilou-se em 1936. Trabalhou na propaganda republicana durante a Guerra Civil Espanhola e em Hollywood (1938-1945), como censor e tradutor, mas sem dirigir. Em 1946, mudou-se para o México, onde produziu filmes comerciais para sobreviver, como Gran Casino (1947) e El Gran Calavera (1949). Destes, destacam-se Los Olvidados (1950), sobre delinquência juvenil em slums mexicanos, premiado em Cannes.
Na década de 1950, dirigiu Él (1953), estudo de paranoia, e Nazarín (1959), crítica à hipocrisia religiosa. Viridiana (1961), coproduzido com Espanha, ganhou a Palma de Ouro, mas Franco o baniu por "blasfêmia". Na França, produziu sua fase mais aclamada: Belle de Jour (1967), com Catherine Deneuve como prostituta diurna; Tristana (1970), adaptação de Galdós; O Fantasma da Liberdade (1974), antologia de vinhetas absurdas; e O Discreto Charme da Burguesia (1972), sátira aos ricos incapazes de jantar, Oscar em 1973.
Seu filme final, Cet Obscur Objet du Désir (1977), usa duas atrizes para a mesma personagem, explorando desejo frustrado. Buñuel contribuiu com roteiros inovadores, edição precisa e trilhas sonoras minimalistas, priorizando som sobre imagem. Dirigiu mais de 20 filmes no México, consolidando-se como cronista do subconsciente latino-americano. (312 palavras)
Vida Pessoal e Conflitos
Buñuel casou-se em 1925 com Jeanne Bécker, francesa com quem teve dois filhos: Juan Luis (1927) e Rafael (1934). Viveu modestamente apesar de sucessos, rejeitando luxos burgueses que satirizava. Ateu convicto, cortou laços com a Igreja após juventude.
Políticamente, alinhou-se à esquerda republicana na Guerra Civil, mas criticou stalinismo. Exilado três vezes – pela República Espanhola (1939), México (anos 1950 por Hollywood blacklist) e França –, enfrentou censura constante. L'Âge d'Or provocou tumultos; Viridiana escandalizou o Vaticano.
Buñuel bebia moderadamente e fumava charutos, mas manteve disciplina. Amizades com Dalí azedaram após 1930 por divergências políticas. Colaborou com roteiristas como Julio Alejandro e Jean-Claude Carrière. Enfrentou depressão nos anos 1940 no México, mas renasceu com Los Olvidados. Sua saúde declinou nos anos 1970: cegueira parcial e Parkinson o forçaram à aposentadoria. Recusou autobiografia oficial, mas ditou memórias a Carrière em Mon Dernier Soupir (1982). (198 palavras)
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Buñuel influenciou diretores como David Lynch, Pedro Almodóvar e Alejandro Jodorowsky. Seu surrealismo antecipou o cinema pós-moderno, com narrativas fragmentadas e crítica social. Filmes como O Discreto Charme são estudados em universidades por desconstruir poder e classe.
Em 2026, suas obras circulam em plataformas de streaming, com restaurações digitais de Un Chien Andalou. Exposições no MoMA e Centre Pompidou celebram seu centenário de morte em 1983. Festivais como Cannes e Veneza homenageiam-no anualmente. Críticos o veem como ponte entre vanguardas europeias e cinema latino-americano. Seu anticlericalismo ressoa em debates sobre secularismo. Documentários como Buñuel en el Laberinto de las Tortugas (2018) revivem sua vida. Até fevereiro 2026, nenhuma biografia majoritária nova altera fatos consolidados; seu arquivo no Filmoteca Espanola preserva roteiros inéditos. Buñuel permanece ícone de rebeldia cinematográfica. (167 palavras)
