Introdução
Leslie Poles Hartley nasceu em 30 de dezembro de 1895, em Whittlesey, Cambridgeshire, Inglaterra. Morreu em 13 de maio de 1972, em Bath. Autores ingleses do século XX o reconhecem como mestre da ficção psicológica sutil. Seus romances capturam tensões sociais e memórias reprimidas com elegância contida.
The Go-Between (1953), sua obra mais famosa, explora um verão de 1900 visto por uma criança. Adaptado para cinema em 1971 por Joseph Losey, com Julie Christie e Alan Bates, o livro vendeu milhões. Hartley publicou mais de 20 romances e contos. Recebeu o título de Commander of the Order of the British Empire (CBE) em 1956. Sua relevância persiste em estudos literários sobre modernismo tardio e classe média inglesa. Influenciado por Henry James, ele evitou experimentos modernistas radicais, preferindo narrativas clássicas. Até 2026, edições permanecem em catálogo, com análises em universidades britânicas e americanas.
Origens e Formação
Hartley cresceu em uma família de classe média alta. Seu pai, H. S. Hartley, gerenciava tijolarias. A mãe, Martha Pines, veio de família metodista. Ele era o mais velho de três irmãos. A infância em Whittlesey marcou sua visão do mundo rural eduardiano.
Entrou na Harrow School em 1909, aos 13 anos. Lá, sofreu bullying por ser "delicado". Desenvolveu interesse pela literatura. Ganhou bolsa para Balliol College, Oxford, em 1915. A Primeira Guerra Mundial interrompeu os estudos. Serviu no Exército, mas problemas de saúde o isentaram de combate. Retornou a Oxford em 1919, graduando-se em História Clássica.
Viajou à Itália e Veneza pós-guerra, experiência que inspirou contos. Trabalhou como subeditor na revista Weekly Welcome em 1921. Morou com a mãe em Bathfield House, Slough, cuidando dela até sua morte em 1936. Essas raízes moldaram temas de isolamento e convenções sociais em sua obra.
Trajetória e Principais Contribuições
Hartley estreou com contos em 1923, no Saturday Westminster Gazette. Publicou Night Fears (1924), primeira coleção. Seu primeiro romance, Simonetta Perkins (1925), satiriza turismo cultural.
A trilogia Eustace and Hilda consolidou sua reputação: The Shrimp and the Anemone (1944), The Sixth Heaven (1950) e Eustace and Hilda (1947). Explora relação codependente entre irmãos, com classes sociais em foco. Críticos elogiaram a profundidade psicológica.
The Go-Between (1953) trouxe fama internacional. Narrado por Leo Colston, relembra um segredo fatal em 1900. Vendeu 100 mil cópias no primeiro ano. Outros sucessos incluem The Hireling (1957), adaptado para filme em 1973, e The Betrayal (1966). Escreveu contos fantásticos, como em The Travelling Grave (1948), com toques de sobrenatural.
Publicou resenhas literárias no * Spectator* e Time and Tide por décadas. Em 1963, The Brickfield iniciou outra trilogia. Produziu mais de 300 contos. Sua prosa destaca observação fina de rituais sociais e inibições emocionais. Evitou autobiografia direta, mas autobiografia The Novel-Interviewer’s Handbook (1955) revela opiniões sobre escrita.
- 1920s-1930s: Contos e sátiras leves.
- 1940s: Trilogia Eustace and Hilda, marco inicial.
- 1950s-1960s: Picos com The Go-Between e prêmios.
- 1970s: Últimos trabalhos, como My Fellow Devil (1971).
Vida Pessoal e Conflitos
Hartley nunca se casou. Viveu discretamente, com amizades masculinas próximas. Rumores sugerem homossexualidade, refletida em personagens reprimidos, mas ele manteve privacidade. Morou em Bath nos últimos anos, com empregados leais.
Enfrentou críticas por conservadorismo. Alguns o viam como "velho mundo" em era de Angry Young Men. Saúde fraca – problemas cardíacos – limitou viagens. A mãe dominadora inspirou figuras femininas em livros. Amigo de Lord David Cecil e E. M. Forster, circulou em elites literárias.
Conflitos incluíram rejeições iniciais de editores. Durante a guerra, continuou escrevendo em meio a racionamentos. Não aderiu a movimentos políticos, focando em dilemas pessoais. Sua discrição evitou escândalos, mas biografias posteriores, como de Francis King (2001), exploram ambiguidades sexuais.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Hartley influencia escritores de memória e trauma, como Kazuo Ishiguro. The Go-Between estuda-se em currículos de literatura inglesa. Edições NYRB Classics (2002) revitalizaram interesse. Filme de 1971 ganhou Palme d’Or em Cannes.
Em 2026, podcasts e ensaios analisam temas de classe em contexto pós-Brexit. NYRB republica obras. Críticos o comparam a Jane Austen por ironia social. Bibliotecas digitais incluem seus textos. Influência persiste em ficção histórica britânica, com foco em narradores não confiáveis. Sem prêmios Nobel, seu legado reside na qualidade perene da prosa.
