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Leonora Carrington

Leonora Carrington

Biografia Completa

Introdução

Leonora Carrington nasceu em 6 de abril de 1917, em Clayton-le-Woods, Lancashire, Inglaterra, e faleceu em 25 de maio de 2011, na Cidade do México. Pintora surrealista, escritora e escultora, ela integrou o círculo do surrealismo europeu antes de se estabelecer no México, onde passou a maior parte da vida adulta. Sua obra, marcada por imagens fantásticas, animais híbridos e simbolismo alquímico, reflete uma visão única do inconsciente e do feminino.

Carrington desafiou convenções sociais de sua época, rejeitando o papel esperado para mulheres de família abastada. Seu encontro com o surrealismo, via Max Ernst, a catapultou para o centro das vanguardas artísticas parisienses nos anos 1930. A Segunda Guerra Mundial interrompeu essa trajetória, levando-a a exílios e transformações. No México, desde 1942, ela desenvolveu um estilo maduro, influenciando o surrealismo local ao lado de Remedios Varo e Kati Horna. Sua relevância persiste em retrospectivas e estudos sobre arte feminista até 2026. (178 palavras)

Origens e Formação

Leonora nasceu em uma família católica e conservadora de classe alta. Seu pai, Harold Carrington, era industrial têxtil irlandês, e sua mãe, Maureen Moorhead, de origem irlandesa, gerenciava o lar. A família possuía uma mansão em Lancashire, mas Leonora cresceu inquieta com as normas impostas. Desde criança, manifestou interesse pelo fantástico: contava histórias inventadas e desenhava criaturas imaginárias. Aos dez anos, escreveu sua primeira narrativa curta, "The Debutante", sobre uma menina que troca de lugar com uma hiena.

Educada em colégios de freiras, rebelou-se cedo. Expulsa de várias escolas por mau comportamento, frequentou aulas de arte com Mortimer Wheeler, arqueólogo. Em 1935, com 18 anos, ingressou na Chelsea School of Art, em Londres, mas abandonou após meses. Viajou para Florença, Itália, estudando com artesãos locais. Em 1937, mudou-se para Paris, atraída pelo surrealismo. Ali, frequentou o ateliê de Amédée Ozenfant e expôs pela primeira vez no International Surrealist Exhibition. Esses anos formativos moldaram sua técnica: óleo sobre tela, com traços finos e cores vibrantes, inspirados em Bosch e Grünewald. (212 palavras)

Trajetória e Principais Contribuições

Em 1937, Leonora conheceu Max Ernst, pintor surrealista 26 anos mais velho, em uma festa londrina. Eles se mudaram juntos para Saint Martin-d'Ardèche, França, onde Ernst divorciou-se e ela posou para obras como "La Femme 100 Têtes". Produziu pinturas como "The Inn of the Dawn Horse" (1939) e "Portrait of Max Ernst" (1940), exibindo em galerias parisienses.

A invasão nazista em 1940 mudou tudo. Ernst foi preso como inimigo estrangeiro; Leonora fugiu para Espanha, sofreu colapso nervoso e foi internada no manicômio de Santander. Submetida a tratamentos brutais, como lavagens cardiolipídicas, descreveu a experiência em "Down Below" (1944), relato autobiográfico surreal. Libertada com ajuda diplomática, viajou para Lisboa, Nova York (1941) e, finalmente, México (1942).

No México, casou-se por conveniência com o poeta Renato Leduc para obter visto. Separaram-se em 1943; ela uniu-se a Emerico "Chiki" Weisz, fotógrafo húngaro. Nasceram filhos Pablo (1945) e Gabriel (1946). Carrington retomou a criação: "The House Opposite" (1945), "Green Tea" (1942) e esculturas em bronze como "The World Upside Down". Participou da exposição "Exposition Internationale du Surréalisme" (1947) e integrou o movimento mexicano com Varo.

Nos anos 1950-60, trabalhou em teatros, criando cenários para a companhia de Dolores del Río. Publicou contos como "The Oval Lady" e o romance "The Hearing Trumpet" (1974), sobre uma idosa em asilo com toques apocalípticos. Exposições no México (Inaugural da Galeria Antonio Souza, 1961) e EUA consolidaram sua fama. Recebeu o Prêmio Nacional de Artes da Cidade do México (1983). Até os 90 anos, produziu obras como "La Jicarera" (2008). Contribuições incluem fusão de mitologia celta, tarot e xamanismo mexicano em narrativas visuais. (378 palavras)

Vida Pessoal e Conflitos

A vida de Carrington foi marcada por turbulências. O relacionamento com Ernst terminou com a guerra; ela o reencontrou em Nova York, mas ele partiu com Peggy Guggenheim. A internação espanhola, descrita em "Down Below", revelou traumas: alucinações e perda de identidade. No México, encontrou estabilidade com Weisz, com quem viveu até sua morte em 1980. Mãe dedicada, equilibrou criação dos filhos com arte, apesar de depressões pós-parto.

Conflitos familiares surgiram cedo: pais a deserdaram por fugir com Ernst. Críticas ao surrealismo masculino vieram depois; Breton a via como musa, mas ela afirmava autonomia. No México, enfrentou sexismo, mas formou rede feminina com Varo e Horna, conhecida como "as três musas". Políticamente, opôs-se ao franquismo e apoiou indígenas zapotecas, incorporando seus motivos em obras. Saúde declinou nos 90: catarata e pneumonia, mas manteve lucidez. Viúva e centenária em 2017 (comemorações póstumas), evitou holofotes, preferindo ateliê em casa na Colônia Roma. (198 palavras)

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Carrington influencia o surrealismo contemporâneo e arte feminista. Suas obras estão em acervos como MoMA, Tate Modern e MUNAL (México). Retrospectivas incluem "Leonora Carrington" no MoMA PS1 (2013) e "La casa encantada" no Reina Sofía (2022). No México, é ícone nacional; o governo emitiu selo em 2017. Estudos acadêmicos, como "The Surrealist Who Painted Cats" (biografia de 2022), destacam seu pioneirismo.

Até 2026, sua obra inspira artistas como Marlene Dumas e instalacionistas mexicanas. Filmes como "Leonora" (2011, documentário) e adaptações de "The Hearing Trumpet" mantêm vitalidade. O legado reside na subversão do racional via inconsciente feminino, com mais de 400 pinturas e dezenas de escritos catalogados. Exposições virtuais durante a pandemia (2020-2022) ampliaram acesso global. (81 palavras)

Pensamentos de Leonora Carrington

Algumas das citações mais marcantes do autor.