Introdução
Vladimir Ilitch Ulianov, conhecido como Lênin, nasceu em 22 de abril de 1870, em Simbirsk, na Rússia tsarista, e faleceu em 21 de janeiro de 1924. Pseudônimo adotado durante sua atividade revolucionária, ele emergiu como o principal teórico e líder do movimento bolchevique. De acordo com fatos históricos amplamente documentados, Lênin foi o arquiteto da Revolução Russa de 1917, que derrubou o regime provisório e estabeleceu o primeiro governo socialista da história.
Sua relevância reside na fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e na formulação do marxismo-leninismo, uma adaptação do marxismo às condições russas. Como presidente do Conselho de Comissários do Povo (Sovnarkom), implementou políticas radicais como a nacionalização de indústrias e terras. Até fevereiro de 2026, seu legado permanece central em debates sobre socialismo, autoritarismo e revoluções do século XX, influenciando regimes em todo o mundo.
Origens e Formação
Lênin nasceu em uma família de classe média. Seu pai, Ilya Ulianov, era inspetor escolar e funcionário público progressista. A mãe, Maria Alexandrovna Blank, tinha ascendência judia e alemã, com formação em educação. O ambiente familiar incentivava o estudo e valores humanistas.
Em 1887, aos 17 anos, Lênin sofreu um golpe decisivo: seu irmão mais velho, Alexander Ulianov, foi executado por participação em um complô contra o tsar Alexandre III. Esse evento radicalizou o jovem Vladimir, que abandonou a fé ortodoxa e se voltou ao marxismo. Matriculou-se na Universidade de Kazan em 1887, mas foi expulso por participação em protestos estudantis.
Transferiu-se para São Petersburgo em 1891, onde concluiu estudos jurídicos externamente em 1891, obtendo diploma com distinção. Trabalhou brevemente como advogado, mas dedicou-se à agitação revolucionária. Influenciado por Karl Marx e Friedrich Engels, juntou-se ao círculo marxista de São Petersburgo em 1893. Fundou o União pela Luta pela Emancipação da Classe Operária em 1895, mas foi preso e exilado na Sibéria por três anos. Lá, conheceu Nadezhda Krupskaya, sua companheira vitalícia, com quem se casou em 1898.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira revolucionária de Lênin ganhou ímpeto no exílio europeu a partir de 1900. Publicou o jornal Iskra ("Centelha"), que unificou marxistas russos. No II Congresso do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), em 1903, liderou a facção bolchevique ("maioria"), defendendo um partido disciplinado de revolucionários profissionais contra os mencheviques ("minoria").
Durante a Revolução de 1905, retornou brevemente à Rússia, mas fugiu após a repressão tsarista. De 1909 a 1917, viveu em exílio na Europa, escrevendo obras como Materialismo e Empiriocriticismo (1909) e O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo (1916), que analisavam o capitalismo monopolista e justificavam a revolução em países atrasados como a Rússia.
A Primeira Guerra Mundial criou a oportunidade. Em 1917, com a abdicação do tsar Nicolau II em fevereiro (março no calendário gregoriano), Lênin retornou à Rússia em abril, via trem selado alemão. Apresentou as Teses de Abril, exigindo "todo o poder aos sovietes" e paz imediata. Após a Revolução de Outubro (25 de outubro de 1917, juliano), os bolcheviques tomaram o Palácio de Inverno. Lênin decretou a paz de Brest-Litovsk (1918) com a Alemanha, apesar de críticas internas.
Como chefe do Sovnarkom, promoveu a nacionalização de bancos, indústrias e terras. A Guerra Civil Russa (1918-1921) opôs Vermelhos (bolcheviques) aos Brancos (antirrevolucionários). Lênin adotou o Comunismo de Guerra, com requisições forçadas de grãos, levando a fome. Em 1921, introduziu a Nova Política Econômica (NEP), permitindo elementos de mercado para recuperar a economia. Fundou a Internacional Comunista (Comintern) em 1919 para espalhar a revolução global. Seus principais textos incluem O Estado e a Revolução (1917), defendendo a ditadura do proletariado.
Vida Pessoal e Conflitos
Lênin manteve uma vida austera e dedicada à causa. Casado com Krupskaya desde 1898, o casal não teve filhos, mas adotou filhos de parentes. Residiu em cremlin e datchas modestas. Sua saúde deteriorou após atentados: em 1918, Fanny Kaplan atirou nele, ferindo-o gravemente; em 1922, sofreu os primeiros AVCs.
Conflitos internos marcaram seu mandato. Enfrentou dissidências como a Rebelião de Kronstadt (1921), esmagada pelos Vermelhos, e críticas de trotskistas e burocratas emergentes. Em seu "Testamento" (1922-1923), ditado em segredo, alertou contra a ascensão de Stalin, chamando-o de "muito rude" e propondo sua remoção do Politburo. O documento foi suprimido após sua morte. Lênin sofreu múltiplos derrames, perdendo a fala em 1923, e faleceu aos 53 anos por hemorragia cerebral, mumificado por ordem de Stalin.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Lênin fundou a URSS em 1922, unindo repúblicas socialistas. Seu corpo permanece embalsamado na Praça Vermelha, Moscou, apesar de debates sobre remoção. O marxismo-leninismo tornou-se doutrina oficial em países comunistas como China, Cuba e Vietnã até os anos 1990.
Até 2026, historiadores reconhecem suas contribuições à teoria revolucionária, mas criticam o autoritarismo, repressões e fome associadas ao seu regime (estimadas em milhões de mortes). Influenciou movimentos anticoloniais e de esquerda global. Na Rússia contemporânea, é figura oficial reverenciada, mas contestada por liberais. Obras como Que Fazer? (1902) continuam estudadas em universidades. Seu impacto persiste em debates sobre desigualdade e Estado, sem projeções futuras.
