Introdução
Laerte Coutinho, nascida em 8 de outubro de 1951 em São Paulo, Brasil, é uma das figuras mais proeminentes do cartum e da charge no país. Conhecida simplesmente como Laerte, atua como cartunista, ilustradora, chargista e roteirista. Suas criações, como as séries Piratas do Tietê e Overman, marcam a história das histórias em quadrinhos brasileiras. Piratas do Tietê, publicada na Folha de S.Paulo de 1995 a 2010, satirizava a vida urbana paulistana com personagens recorrentes como o super-herói Capoeira e a trupe de piratas no rio Tietê. Overman, uma narrativa mais introspectiva sobre um super-herói em crise existencial, reflete temas de identidade e sociedade. A adaptação de Overman para cinema, prevista para 2024, amplia seu alcance. Esses trabalhos consolidam Laerte como referência no jornalismo visual e nas HQs adultas, com fatos amplamente documentados em fontes como a Folha de S.Paulo e premiações como o Troféu HQ Mix, que ela recebeu múltiplas vezes.
Origens e Formação
Laerte nasceu em uma família de classe média em São Paulo. Seu pai, João Baptista Coutinho, era jornalista esportivo no jornal O Estado de S. Paulo. A infância transcorreu no bairro do Brooklin, onde demonstrou interesse precoce por desenho. Estudou no Colégio São Luís e, posteriormente, no Mackenzie. Ingressou na Faculdade de Engenharia da USP em 1972, mas abandonou o curso após dois anos para se dedicar às artes visuais. Influências iniciais incluíram cartuns de Millôr Fernandes e Jaguar, da revista O Pasquim, e o underground americano de Robert Crumb. Nos anos 1970, frequentou o movimento dos quadrinhos alternativos em São Paulo, colaborando em publicações como Circo e Balão. Esses anos formativos, sob a ditadura militar, moldaram seu traço irônico e contestador, com alta certeza histórica em biografias publicadas.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira profissional de Laerte decolou nos anos 1980. Em 1983, integrou o coletivo Chiclete com Banana, ao lado de Angeli e Glauco, publicado pela editora Circo. A revista misturava humor absurdo e crítica social, vendendo milhares de exemplares. Em 1988, estreou na Folha da Tarde com charges diárias. Com a fusão para Folha de S.Paulo, em 1991, lançou tiras como Homerica e, em 1995, Piratas do Tietê. Essa série, com mais de 3.000 tiras, ganhou prêmios e foi compilada em álbuns pela Devir.
Outros marcos incluem:
- Muchacha (1988-1991), sobre uma adolescente rebelde.
- Colaborações com Angeli em Sexo (1992).
- Overman (2005-2006), publicada na Ilustríssima da Folha, explorando dilemas de um herói anacrônico.
- Roteiros para graphic novels como Boom! (2015), com arte de Márcio Vinicius, e O Ping-Pong da Liberdade (2020).
Nos anos 2000, expandiu para TV como roteirista em Homens de Papel (2004). Recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 2010 por charges contra a ditadura. Até 2026, continua ativa na Folha de S.Paulo e em coletâneas. A adaptação de Overman para cinema, dirigida por Petra Costa e com estreia prevista para 2024, baseia-se em sua graphic novel homônima. Esses feitos, documentados em arquivos jornalísticos, posicionam Laerte como pioneira das HQs seriais no Brasil.
Vida Pessoal e Conflitos
Laerte manteve vida familiar discreta inicialmente. Casou-se duas vezes: primeiro com o cartunista Chagas in 1970s, com quem teve dois filhos, Davi e Marcelo; depois com o roteirista Cláudio Paiva, gerando a filha Isabel. Divórcios ocorreram nos anos 1990.
Um marco pessoal foi sua transição de gênero. Em 2009, Laerte iniciou processo de redesignação, vindo out publicamente em 2010 como travesti, evoluindo para identificação como mulher trans. Isso gerou documentário Laerte x Virgem (2020), dirigido por Lygia Marina e Gabriela Greeb, exibido no Festival de Veneza. Enfrentou críticas conservadoras, mas ganhou apoio em debates sobre identidade de gênero. Não há informação detalhada sobre conflitos profissionais graves nos dados fornecidos, mas relatos indicam tensões com editores por charges políticas afiadas, como contra corrupção política nos anos 2010. Manteve-se produtiva, integrando painéis em eventos como CCXP e FLIP.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O legado de Laerte reside na renovação do cartum brasileiro, transitando do underground para o mainstream jornalístico. Piratas do Tietê influenciou gerações de quadrinistas, como Fábio Moon e Gabriel Bá. Sua obra aborda temas como machismo, política e identidade, com traço expressivo e humor corrosivo. Premiada com mais de 20 Troféus HQ Mix, exportou HQs para França e EUA via editoras como L'Association.
Até 2026, permanece colunista na Folha, com coletâneas recentes como As Piratas (2022). A adaptação de Overman sinaliza expansão para audiovisual. Influencia debates culturais sobre diversidade, com palestras em universidades. O material indica impacto duradouro no jornalismo gráfico, sem projeções futuras.
