Introdução
"Judy: Muito Além do Arco-íris", título brasileiro do filme Judy (2019), surge como um retrato íntimo e dramático dos meses finais de Judy Garland, uma das maiores estrelas de Hollywood. Dirigido pelo britânico Rupert Goold, o longa é baseado na peça teatral End of the Rainbow, escrita por Peter Quilter em 2005. Estreado no Festival de Toronto em setembro de 2019, chegou aos cinemas americanos em 27 de setembro do mesmo ano e, em alguns países como o Brasil, em janeiro de 2020.
O filme foca em 1968-1969, quando Garland, aos 46 anos, tenta uma comeback em Londres com apresentações no cabaré Talk of the Town. Renée Zellweger, no papel principal, entrega uma performance ovacionada, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 2020, além de Globo de Ouro e BAFTA. Com duração de 118 minutos, o longa-metragem mistura fatos históricos documentados com dramatização, explorando o colapso físico e emocional de Garland. Produzido por estúdios como Pathé e BBC Films, ele arrecadou cerca de US$ 38 milhões mundialmente, segundo dados de bilheteria consolidados. Sua relevância reside na humanização de uma lenda, longe do glamour de O Mágico de Oz (1939), revelando as cicatrizes de uma carreira marcada por abusos da indústria.
Origens e Formação
O projeto tem raízes na peça End of the Rainbow, estreada em 2005 no Festival de Edimburgo, com Tracie Bennett no papel de Garland. Peter Quilter, dramaturgo britânico, inspirou-se em relatos reais dos últimos shows de Garland em Londres, incluindo entrevistas com produtores e testemunhas. A peça ganhou notoriedade por sua fidelidade aos eventos de 1968, quando Garland enfrentava dívidas e dependência química.
Rupert Goold, diretor com experiência em biopics como True Story (2015), assumiu o comando em 2017. O roteiro foi adaptado por Tom Edge, roteirista de séries como Vigil. As filmagens ocorreram em 2018, principalmente em Liverpool e Londres, recriando o Talk of the Town com cenários autênticos. Goold priorizou pesquisa histórica: consultou gravações reais de shows de Garland, como as preservadas em arquivos da BBC, e biografias como Judy Garland: The Secret Life of an American Legend, de David Shipman.
Renée Zellweger preparou-se intensamente. Ela perdeu peso, estudou horas de footage de Garland e trabalhou com coaches de canto para replicar a voz rouca e emotiva da estrela. Segundo entrevistas de Zellweger à revista Variety em 2019, ela evitou imitação cega, focando na essência vulnerável. O orçamento, estimado em US$ 11 milhões, permitiu figurinos fiéis, como os vestidos de sequins usados por Garland, reproduzidos a partir de fotos de arquivo.
Trajetória e Principais Contribuições
O filme segue uma estrutura cronológica linear, centrada em quatro meses decisivos: novembro de 1968 a junho de 1969. Garland chega a Londres exausta, contratada para 42 shows no Talk of the Town. O enredo destaca:
Shows turbulentos: Cenas icônicas mostram Garland atrasada, esquecendo letras, mas brilhando em números como "Over the Rainbow" e "Get Happy". Gravações reais foram usadas como base, com Zellweger dublando sobre elas.
Relacionamentos instáveis: Mickey Deans (Finn Wittrock), seu quinto marido, aparece como figura ambígua – protetor e explorador. O casal se casa em março de 1969 em um hotel londrino.
Conflitos profissionais: A gerente Rosalyn Wilder (Jessie Buckley) tenta controlar o caos, enquanto o produtor Barney Colehan (Michael Gambon) pressiona por performances.
Principais contribuições artísticas incluem a trilha sonora, com 12 músicas de Garland rearranjadas por Gabriel Yared e Marc Shaiman. Destaques são "By Myself", "The Trolley Song" e o medley final. Zellweger canta ao vivo em takes selecionados, adicionando autenticidade.
O filme marca o retorno de Zellweger após seis anos afastada, consolidando Goold como especialista em dramas biográficos. Sua recepção crítica foi positiva: 84% no Rotten Tomatoes (baseado em 300 resenhas), elogiando a atuação central. Premiações confirmam impacto:
| Prêmio | Categoria | Vencedor |
|---|---|---|
| Oscar 2020 | Melhor Atriz | Renée Zellweger |
| Globo de Ouro 2020 | Melhor Atriz - Drama | Renée Zellweger |
| BAFTA 2020 | Melhor Atriz | Renée Zellweger |
| National Board of Review | Melhor Atriz | Renée Zellweger |
Esses feitos elevaram o filme a referência em biopics musicais, comparado a Rocketman (2019).
Vida Pessoal e Conflitos
Embora o foco seja profissional, o filme aborda "vida pessoal" de Garland via dramatização factual. Conflitos incluem:
Vícios e saúde: Garland luta com anfetaminas, barbitúricos e álcool, prescritos desde adolescente pela MGM. Cenas mostram tremores, insônia e overdoses evitadas.
Finanças: Dívidas milionárias forçam os shows; o filme indica que ela mal recebia pagamento após impostos e gerentes.
Família: Filhas Liza Minnelli e Lorna Luft são mencionadas brevemente; Garland as vê em flashbacks, lamentando ausências.
Críticas apontam liberdades dramáticas: a peça original, e por extensão o filme, comprime eventos e inventa diálogos, como brigas com Deans. Historiadores notam que alguns atrasos foram exagerados, mas o cerne – morte por overdose acidental de barbitúricos em 22 de junho de 1969 – é preciso, ocorrida dias após cancelar shows.
Goold enfrentou controvérsias na produção: familiares de Garland questionaram a fidelidade, mas Minnelli elogiou Zellweger publicamente. O filme evita sensacionalismo, optando por empatia: Garland surge como vítima do estúdio system que a explorou desde os 13 anos em O Mágico de Oz.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até 2026, "Judy: Muito Além do Arco-íris" permanece relevante como crítica ao preço da fama. Disponível em plataformas como HBO Max e Netflix em rodízios regionais, influenciou biopics como Respect (2021) sobre Aretha Franklin. Zellweger citou o papel em discursos como turning point, recusando outros por exaustão emocional.
Culturalmente, revive interesse por Garland: álbuns de shows londrinos relançados em vinil em 2020 venderam bem. Em 2025, documentários como Judy Garland: Pieces of a Dream referenciam o filme. Sua acessibilidade – drama emocional com músicas cativantes – atrai gerações pós-#MeToo, destacando abusos em Hollywood.
O longa solidifica Goold na direção de prestígio e Quilter no teatro biográfico. Com streaming, ultrapassou 10 milhões de views em VOD até 2023. Legado: lembrete factual de que "Somewhere Over the Rainbow" esconde tragédia real.
