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Joseph Addison

Joseph Addison

Biografia Completa

Introdução

Joseph Addison nasceu em 1º de maio de 1672, em Milston, Wiltshire, Inglaterra, e faleceu em 17 de junho de 1719, em Londres. Figura central do Iluminismo inglês inicial, destacou-se como poeta, ensaísta, dramaturgo e político. Sua relevância reside na popularização de ensaios acessíveis que moldaram o debate moral e social no século XVIII. Com Richard Steele, lançou The Tatler (1709-1711) e The Spectator (1711-1712), publicações que alcançaram até 3.000 leitores diários e influenciaram o jornalismo moderno. Addison defendeu virtudes cívicas em prosa elegante, sem adornos excessivos. Sua tragédia Cato (1713) tornou-se um hino à liberdade, citada por líderes como George Washington. Político whig, serviu como subsecretário de Estado (1706-1708) e secretário de Estado (1717-1718). Sua vida reflete a fusão de literatura e política na era pós-Revolução Gloriosa, promovendo moderação e razão.

Origens e Formação

Addison cresceu em uma família clerical. Seu pai, Lancelot Addison, era reitor de Milston e mais tarde arcidiácono de Salisbury, autor de obras devocionais. A mãe, Jane Gulston, veio de uma família de clérigos. O jovem Joseph era o filho mais velho de seis irmãos. Em 1686, com 14 anos, ingressou na Charterhouse School, em Londres, onde conheceu Richard Steele, amizade vital para sua carreira.

Em 1687, matriculou-se no Queen's College, Oxford, transferindo-se para Magdalen College em 1689. Graduou-se em 1693 com bacharelado em artes e mestrado em 1699. Durante estudos, escreveu versos latinos premiados, como o poema The Account of the Greatest English Poets (1694), elogiando contemporâneos como Dryden. Recebeu bolsa para viajar pela Europa (1699-1703), visitando França, Itália e Suíça, aprimorando francês e italiano. Patrocinado por whigs como Charles Montagu (Lord Halifax), iniciou contatos políticos. Retornou à Inglaterra em 1704, pronto para unir letras e serviço público.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira literária de Addison ganhou tração com poesia política. Em 1705, publicou The Campaign, poema épico sobre a Batalha de Blenheim (1704), que lhe rendeu nomeação como Comissário da Receita de Apostas. O texto celebrou o Duque de Marlborough com metáforas clássicas, consolidando sua reputação.

Em 1709, com Steele, lançou The Tatler, 271 números até 1711, sob pseudônimo Isaac Bickerstaff. Os ensaios abordavam moda, teatro e moralidade cotidiana, misturando sátira leve e conselhos práticos. Sucesso levou a The Spectator (555 números, 1711-1712), com Mr. Spectator como narrador observador. Addison contribuiu com cerca de 274 ensaios, cobrindo hipocrisia social, educação feminina e virtudes como "verdadeiro humor". A revista vendia 3.000 cópias diárias, republicada em volumes.

No teatro, Rosamond (1707), ópera com música de Clayton, falhou comercialmente. Mas Cato (1713), tragédia neoclássica sobre o romano Cato Uticensis resistindo a César, lotou teatros por meses. Representada em 26 de abril de 1713, atraiu whigs e tories; o príncipe de Gales chorou. Virou símbolo anti-arbitrário, impressa em 10 edições em semanas. Addison escreveu The Drummer (1716), comédia leve.

Politicamente, serviu como subsecretário de Estado sob Halifax (1706-1708), acompanhando negociações da União com a Escócia (1707). Tornou-se membro do Parlamento por Malmesbury (1708-1709), Lostwithiel (1710) e Wendover (1713). Como chefe do excise (1711), geriu impostos. Secretário de Estado para o Norte (1717-1718) sob George I, renunciou por saúde fraca. Publicou Freeholder (1715-1716), defendendo a dinastia Hanoveriana contra jacobitas. Sua prosa influenciou o estilo inglês claro, oposto ao metafísico.

Vida Pessoal e Conflitos

Addison era reservado, descrito como "homem de grande prudência" por amigos. Sua amizade com Steele azedou por divergências políticas; Steele apoiava whigs radicais, Addison moderados. Rivalizava com Alexander Pope, que satirizou-o em Epistle to Dr. Arbuthnot (1735) como "Atticus". Pope alegava ciúmes por louvor a The Campaign sobre seu Windsor Forest.

Casou-se tardiamente em agosto de 1716 com Charlotte, Condessa Viúva de Warwick, 16 anos mais velha, mãe de seu pupilo Joseph Somerset. O casamento visava posição social, mas foi infeliz; relatos indicam brigas por ciúmes e intemperança dela. Addison sofria de asma crônica, agravada por bebida. Nos últimos meses, demitiu-se do cargo ministerial e converteu-se ao catolicismo em leito de morte, segundo rumores negados por amigos. Deixou bens a Charlotte, que se casou novamente. Não teve filhos. Sua vida equilibrou ambição pública e retiro literário, marcado por saúde declinante.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Addison moldou o ensaio inglês pessoal, influenciando Goldsmith, Johnson e o New Yorker moderno. The Spectator inspirou jornais opinativos globais. Cato ecoou na Revolução Americana; Washington encenou-o em Valley Forge (1778). Sua ênfase em virtude cívica ressoa em debates éticos. Até 2026, edições críticas persistem, como a de 1965 pela Clarendon Press. Universidades estudam-no em cursos de literatura restauracionista e Iluminismo. No Brasil, traduzido em antologias de ensaios ingleses. Seu estilo perspicaz permanece modelo de clareza jornalística, sem floreios.

Pensamentos de Joseph Addison

Algumas das citações mais marcantes do autor.