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Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges foi um célebre escritor, poeta e ensaísta argentino. Publicou poemas e contos que ficaram famosos no mundo todo.

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Frases - Página 6

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"A UM GATO Não são mais silenciosos os espelhos Nem mais furtiva a aurora aventureira; Tu és, sob a lua, essa pantera que divisam ao longe nossos olhos. Por obra indecifrável de um decreto Divino, buscamos-te inutilmente; Mais remoto que o Ganges e o poente, É tua a solidão, teu o segredo. O teu dorso condescende à morosa Carícia da minha mão. Sem um ruído Da eternidade que ora é olvido. Aceitaste o amor desta mão receosa. Em outro tempo estás. Tu és o dono de um espaço cerrado como um sonho."
"O instante Onde estarão os séculos, o sonho de espadas, o que os tártaros sonharam, onde os sólidos muros que aplanaram, onde a árvore de Adão e o outro Lenho? O presente está só. Mas a memória erige o tempo. Sucessão e engano, esta é a rotina do relógio. O ano jamais é menos vão que a vã história. Entre a alba e a noite há um abismo de agonias, de luzes, de cuidados; o rosto que se vê nos desgastados e noturnos espelhos não é o mesmo. O hoje fugaz é tênue e é eterno; nem outro Céu nem outro Inferno esperes."
"Sou Sou o que sabe não ser menos vão Que o vão observador que frente ao mudo Vidro do espelho segue o mais agudo Reflexo ou o corpo do irmão. Sou, tácitos amigos, o que sabe Que a única vingança ou o perdão É o esquecimento. Um deus quis dar então Ao ódio humano essa curiosa chave. Sou o que, apesar de tão ilustres modos De errar, não decifrou o labirinto Singular e plural, árduo e distinto, Do tempo, que é de um só e é de todos. Sou o que é ninguém, o que não foi a espada Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada."
"As Coisas A bengala, as moedas, o chaveiro, A dócil fechadura, as tardias Notas que não lerão os poucos dias Que me restam, os naipes e o tabuleiro, Um livro e em suas páginas a desvanecida Violeta, monumento de uma tarde Sem dúvida inesquecível e já esquecida, O rubro espelho ocidental em que arde Uma ilusória aurora. Quantas coisas, Limas, umbrais, atlas, taças, cravos, Servem-nos, como tácitos escravos, Cegas e estranhamente sigilosas! Durarão para além de nosso esquecimento; Nunca saberão que partimos em um momento."