Introdução
John Wayne emergiu como ícone do cinema americano no século XX, personificando o cowboy solitário e o herói patriótico em dezenas de westerns. Nascido Marion Robert Morrison em 26 de maio de 1907, em Winterset, Iowa, ele atuou em mais de 170 filmes entre as décadas de 1920 e 1970. Seu breakthrough veio com Stagecoach (1939), dirigido por John Ford, que o lançou como estrela. Wayne ganhou o Oscar de Melhor Ator por True Grit (1969) e recebeu um Oscar honorário em 1966 pela carreira. Sua imagem de masculinidade estoica influenciou gerações, alinhada ao conservadorismo político e ao anti-comunismo durante a Guerra Fria. Apesar de controvérsias, como críticas por não servir no combate da Segunda Guerra Mundial, ele permaneceu um símbolo cultural até sua morte em 11 de junho de 1979, aos 72 anos, vítima de câncer de pulmão. Sua relevância persiste em retrospectivas e homenagens até 2026.
Origens e Formação
John Wayne nasceu em uma família modesta no Meio-Oeste americano. Seu pai, Clyde Morrison, era farmacêutico, e sua mãe, Mary Alberta Brown, descendia de escoceses. A família mudou-se para o sul da Califórnia em 1914, devido a problemas de saúde do pai. Lá, o jovem Marion ganhou o apelido "Duke" por seu cachorro, um Airedale Terrier. Ele frequentou a Glendale High School, onde se destacou no futebol americano, o que lhe rendeu uma bolsa na University of Southern California (USC) em 1925.
Na USC, Wayne estudou pré-direito, mas continuou jogando futebol. Um acidente de surf em 1926 encerrou sua carreira esportiva. Para se sustentar, ele começou a trabalhar como figurante na Fox Film Corporation, graças a um amigo do pai, o diretor John Ford. Seus primeiros papéis foram em filmes de baixo orçamento, como Brown of Harvard (1926) e Bardelys the Magnificent (1926), onde atuou como dublê. Em 1929, adotou o nome artístico John Wayne após o ator Wayne Whittaker. Esses anos iniciais moldaram sua transição de atleta para ator, com papéis secundários em comédias e westerns B até a década de 1930.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Wayne decolou na década de 1930 com westerns da Republic Pictures e Monogram Pictures, como The Big Trail (1930), dirigido por Raoul Walsh, seu primeiro papel principal – embora o filme tenha sido um fracasso financeiro. John Ford o resgatou em Stagecoach (1939), onde interpretou o fora-da-lei Ringo Kid, consolidando sua imagem de herói durão. Essa parceria com Ford gerou clássicos como Fort Apache (1948), She Wore a Yellow Ribbon (1949), Rio Grande (1950), The Quiet Man (1952) – pelo qual ganhou sua primeira indicação ao Oscar – e The Searchers (1956), frequentemente citado como um dos melhores westerns.
Na década de 1950, Wayne expandiu para outros gêneros, estrelou The Sands of Iwo Jima (1949), indicado ao Oscar, e The Longest Day (1962), sobre o Dia D. Ele dirigiu e produziu The Alamo (1960), um projeto pessoal sobre a Batalha do Álamo, que custou milhões mas recuperou investimento. Hatari! (1962), com Howard Hawks, e Donovan's Reef (1963) mostraram seu carisma em aventuras. Na década de 1960, True Grit (1969), como o xerife Rooster Cogburn, rendeu seu único Oscar competitivo. Seu último filme foi The Shootist (1976), metaforicamente sobre um pistoleiro com câncer. Wayne contribuiu para o gênero western, elevando-o de séries B a épicos, e representou valores como honra, família e patriotismo em uma era de mudanças sociais.
Vida Pessoal e Conflitos
Wayne casou-se três vezes. O primeiro casamento, com Josephine Alicia Saenz em 1933, durou até 1945 e resultou em quatro filhos: Michael, Mary Antonia, Patrick e Melinda. Ele manteve relações extraconjugais, incluindo com as atrizes Gail Russell e Maureen O'Hara. O segundo casamento, com Esperanza Baur em 1946, terminou em divórcio conturbado em 1954, marcado por acusações de abuso e alcoolismo. Em 1954, casou-se com Pilar Pallete, com quem teve três filhos: Aissa, John Ethan e Marisa. A família cresceu para sete filhos no total.
Politicamente conservador, Wayne apoiou Barry Goldwater em 1964 e Richard Nixon. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele atuou em filmes de propaganda, como Back to Bataan (1945), mas evitou o alistamento ativo, priorizando a carreira – fato criticado por astros como Henry Fonda. Fumante convicto, foi diagnosticado com câncer de pulmão em 1964, submetendo-se a cirurgia que removeu um pulmão; voltou aos sets em 1965. Recidivas ocorreram em 1975. Ele recebeu a Presidential Medal of Freedom em 1973 de Nixon. Controvérsias incluíram declarações polêmicas em 1971 à revista Playboy, defendendo o colonialismo e minimizando o genocídio indígena, o que gerou críticas por racismo.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O legado de John Wayne reside na personificação do "herói americano" no cinema clássico. Seus filmes influenciaram diretores como Martin Scorsese e Quentin Tarantino, e westerns modernos como No Country for Old Men (2007). O American Film Institute o elegeu o terceiro maior astro masculino em 1999. Estátuas e aeroportos, como o Orange County Airport renomeado John Wayne Airport em 1979, homenageiam-no. Até 2026, retrospectivas no Turner Classic Movies e festivais como o de Cannes celebram sua obra. Críticas contemporâneas questionam seu conservadorismo e machismo em era #MeToo, mas sua estatura cultural permanece, com The Searchers em listas de melhores filmes da Sight & Sound (2022). Doações para pesquisa de câncer perpetuam sua memória filantrópica.
