Introdução
John Milton nasceu em 9 de dezembro de 1608, em Londres, Inglaterra, e faleceu em 8 de novembro de 1674. Ele é reconhecido como um dos maiores poetas da língua inglesa, autor de O Paraíso Perdido (1667), poema épico que reconta a queda do homem conforme a tradição bíblica. De acordo com fontes consolidadas, Milton atuou como político durante a Revolução Inglesa, defendendo o regime republicano de Oliver Cromwell. Como dramaturgo, produziu obras como Comus (1634) e Samson Agonistes (1671), e dedicou-se ao estudo da religião, produzindo tratados teológicos. Seu legado reside na fusão de erudição clássica, teologia protestante e ativismo político, marcando o classicismo inglês. Apesar da cegueira que o acometeu em 1652, ditou suas obras principais, consolidando sua posição na literatura universal.
Origens e Formação
Milton veio de uma família abastada. Seu pai, John Milton Sr., era um compositor e escrivão notário em Londres. O jovem John demonstrou precocidade intelectual desde cedo. Aos dez anos, compôs seu primeiro poema.
Entrou no St. Paul's School, onde aprendeu latim, grego e hebraico. Em 1625, ingressou no Christ's College, Universidade de Cambridge. Graduou-se em artes (BA) em 1629 e obteve o mestrado (MA) em 1632. Durante os estudos, adotou o estilo "senior fellow commoner", evitando tarefas servis.
Após Cambridge, Milton residiu na casa paterna em Horton, Buckinghamshire, de 1632 a 1638. Ali, dedicou-se a estudos intensos em teologia, línguas antigas e literatura clássica. Influenciado por Homero, Virgílio e Ovídio, preparou-se para uma vida de erudição. Em 1638, viajou pela França, Itália e Suíça. Na Itália, encontrou Galileu Galilei em Arcetri. Essa viagem expandiu sua visão humanista e reformista religiosa.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Milton dividiu-se entre poesia, panfletos políticos e tratados religiosos. Inicialmente, produziu poesia lírica. L'Allegro e Il Penseroso (1632) contrastam alegria e melancolia. A máscara Comus (1634), encenada em Ludlow, critica a corrupção sensual. Lycidas (1637), elegia por Edward King, satiriza o clero anglicano.
Com a Revolução Inglesa (1640-1660), Milton voltou-se à prosa política. Defendeu o divórcio em The Doctrine and Discipline of Divorce (1643), baseado em interpretações bíblicas, o que gerou controvérsia. Areopagitica (1644) é um marco na defesa da liberdade de imprensa contra a censura parlamentar. Serviu como secretário de línguas estrangeiras para o Conselho de Estado de Cromwell de 1649 a 1660, redigindo defesas republicanas como Eikonoklastes (1649), contra Eikon Basilike, suposto livro de Carlos I.
Em 1652, Milton ficou cego, provavelmente por glaucoma. Ditou obras com auxiliares. Após a Restauração monárquica (1660), enfrentou prisão breve, mas obteve anistia. Produziu sua obra-prima, O Paraíso Perdido (1667, 12 livros em blank verse), que narra a rebelião de Lúcifer, a criação e a queda de Adão e Eva. Seguiram O Paraíso Reconquistado (1671), sobre a tentação de Cristo, e Samson Agonistes (1671), drama grego sobre o herói bíblico.
Outros tratados incluem De Doctrina Christiana (escrito 1652-1658, publicado postumamente em 1825), compêndio teológico antitrinitário. Milton influenciou o pensamento puritano e liberal.
Vida Pessoal e Conflitos
Milton casou-se três vezes. Em 1642, com Mary Powell, 17 anos, de família realista. Ela abandonou-o temporariamente, inspirando tratados sobre divórcio. Reconciliaram-se; tiveram três filhas: Anne, Mary e Deborah. Mary morreu em 1652, após parto.
Em 1656, casou-se com Katherine Woodcock, que faleceu em 1658. Em 1663, desposou Elizabeth Minshull, 24 anos, que o cuidou até a morte. As filhas ajudaram na cópia de manuscritos.
Politicamente, Milton arriscou-se ao defender regicídio em The Tenure of Kings and Magistrates (1649). Após 1660, publicou The Ready and Easy Way (1660), criticando a monarquia restaurada, o que levou à queima de seus livros. Viveu recluso, ditando obras. Sua cegueira isolou-o, mas não o deteve. Críticos o acusaram de radicalismo religioso e político. Como estudioso de religião, rejeitava a Trindade e defendia livre interpretação bíblica.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Milton moldou a literatura inglesa. O Paraíso Perdido é estudado como épico moderno, influenciando românticos como Blake e Shelley, que viram Satanás como herói rebelde. Sua prosa política inspira debates sobre liberdade de expressão; Areopagitica cita-se em julgamentos sobre censura.
No século XX, impactou modernistas como T.S. Eliot e estudiosos como C.S. Lewis. Até 2026, edições críticas e adaptações teatrais/filmes mantêm-no relevante. Universidades oferecem cursos dedicados. Seu republicanismo ressoa em discussões sobre democracia. Como dramaturgo, Samson Agonistes analisa tirania e resistência. O contexto o define como representante do classicismo inglês, político e estudioso religioso, fatos corroborados por biografias padrão.
