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John Cheever

John Cheever

Biografia Completa

Introdução

John Cheever nasceu em 27 de maio de 1912, em Quincy, Massachusetts, e faleceu em 18 de junho de 1982, em Ossining, Nova York. Escritor prolífico de contos e romances, ele se destacou como o "Tchekhov dos subúrbios", segundo críticos, por capturar as fissuras morais da América pós-Segunda Guerra. Seus textos, muitos publicados na revista The New Yorker ao longo de décadas, somam mais de 120 contos e vários romances. Obras como The Wapshot Chronicle (1957) renderam-lhe o National Book Award, enquanto a coletânea The Stories of John Cheever (1978) lhe valeu o Pulitzer de Ficção em 1979. Cheever importa por expor o sonho americano como ilusão frágil, misturando humor irônico e pathos. Sua vida, marcada por alcoolismo e conflitos sexuais, espelhou as narrativas que criou, tornando-o ícone da literatura mid-century americana. Até 2026, suas histórias permanecem em antologias e adaptações, influenciando autores como Raymond Carver.

Origens e Formação

Cheever cresceu em uma família de classe média em declínio. Seu pai, Frederick Lincoln Cheever, era vendedor de suprimentos navais que perdeu tudo na Grande Depressão. A mãe, Mary Liley Cheever, gerenciou uma loja de presentes para sustentar a família. Teve um irmão mais velho, Frederick, que se tornou artista, e uma irmã mais nova. A infância em Quincy foi instável: o pai alcoólatra ausente e a mãe dominante moldaram sua visão de família disfuncional. Expulso da Thayer Academy aos 17 anos por um ensaio crítico sobre o diretor, Cheever não concluiu o ensino médio formal.

Mudou-se para Nova York em 1930, aos 18 anos, com poucos dólares. Viveu na pobreza, compartilhando apartamento com o irmão. Publicou seu primeiro conto, "Expelled", na revista The Atlantic Monthly em 1930, aos 18 anos – um relato semi-autobiográfico de sua expulsão escolar. Isso marcou sua entrada literária. Nos anos 1930, frequentou círculos boêmios em Greenwich Village, influenciado por escritores como John Dos Passos e E.E. Cummings. Trabalhou em empregos marginais, incluindo como camareiro em navios. Casou-se em 1941 com Mary Winternitz, filha de um patologista de Yale, após um namoro intermitente. Enviado ao Exército na Segunda Guerra, serviu como capelão assistente na Pacific Theater, experiência que inspirou contos sobre guerra e isolamento.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Cheever decolou com publicações regulares no New Yorker a partir de 1935. Seu primeiro conto lá, "Buffalo", estabeleceu seu estilo: narrativas curtas sobre subúrbios de Nova Inglaterra, com personagens de classe média alta lidando com infidelidade, perda e vazio existencial. Em 1943, publicou The Enormous Radio, conto icônico sobre um rádio que capta segredos alheios, simbolizando voyeurismo suburbano.

Nos anos 1950, transitou para romances. The Wapshot Chronicle (1957) – saga de duas gerações da família Wapshot em St. Botolphs – ganhou o National Book Award. Sequência The Wapshot Scandal (1964) explorou decadência familiar. Bullet Park (1969) misturou sátira e thriller, com um homem obcecado em sacrificar uma criança. Falconer (1977), seu romance mais experimental, segue Farragut, presidiário fictício inspirado em experiências pessoais, lidando com drogas, sexo e redenção. Publicou Oh What a Paradise It Seems (1982), seu último romance, meses antes da morte.

Contos dominaram sua produção: coletâneas como The Way Some People Live (1943), The Housebreaker of Shady Hill (1958) e a premiada The Stories of John Cheever (1978), com 61 textos. Recebeu Guggenheim Fellowship (1951, 1956), Howells Medal (1965) e National Medal for Literature (póstuma, 1982). Lecionou em workshops como Yaddo e Bread Loaf. Contribuições incluem revitalizar o conto americano, influenciando minimalistas como Carver, e retratar subúrbios como palco de tragédia cômica.

Vida Pessoal e Conflitos

Cheever casou-se com Mary em 1941; tiveram três filhos: Sarah, Susan e Federico. Moraram em Scarborough-on-Hudson, subúrbio neoyorquino, e depois em Ossining. O casamento sofreu com affairs dele – bissexualidade reprimida levou a relacionamentos com homens, incluindo um longo com o escritor Allan Seager e supostos com colegas no New Yorker. Alcoolismo crônico agravou-se nos anos 1960-1970: bebia galões diários, o que afetou saúde e escrita. Internado em reabilitação em 1975 no Smithers Center, emergiu sóbrio por sete anos.

Conflitos incluíram depressão, paranoia e inveja de pares como Updike e Salinger. Brigou com editores do New Yorker por cortes em textos. Diários revelados postumamente (publicados em 1991 como The Journals of John Cheever) expuseram autodesprezo por sua homossexualidade e vícios: "Eu sou um homem miserável". Cancer de próstata diagnosticado em 1981 levou à morte em 1982, aos 70 anos. Filhos e esposa gerenciaram seu legado, doando arquivos à Houghton Library.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Cheever influencia literatura contemporânea por humanizar falhas americanas. Suas histórias aparecem em currículos universitários e antologias como The Best American Short Stories. Adaptações incluem filmes como The Swimmer (1968, baseado em conto de 1964, com Burt Lancaster) e episódios de TV. Em 2021, a Library of America publicou edições completas. Até 2026, biografias como Cheever: A Life (2009, de Blake Bailey) mantêm-no relevante, com podcasts e ensaios revisitado em era de #MeToo por temas de repressão sexual. Críticos o veem como ponte entre modernismo e pós-modernismo, com ressonância em desigualdades suburbanas atuais. Seu arquivo na Harvard garante estudos contínuos.

Pensamentos de John Cheever

Algumas das citações mais marcantes do autor.