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Jô Soares

Jô Soares

Biografia Completa

Introdução

Jô Soares, nascido José Eugênio Soares em 16 de janeiro de 1938 no Rio de Janeiro, faleceu em 5 de agosto de 2022 em São Paulo. Ele se tornou uma das figuras mais versáteis da cultura brasileira, atuando como humorista, apresentador de televisão, ator, diretor teatral e escritor. Seu programa noturno na Rede Globo, "Programa do Jô", rodou de 1988 a 2016 e alcançou milhões de espectadores com entrevistas descontraídas, humor satírico e convidados de peso.

Além da TV, Jô escreveu doze romances, como "O Homem que Matou Getúlio Vargas" (1989) e "O Xangô de Baker Street" (1995), que misturavam história, mistério e comédia. Ganhou prêmios Jabuti de Literatura e atuou em cinema, teatro e circo. Sua obesidade extrema marcou sua imagem pública, mas ele a transformou em ferramenta cômica. Jô representou o entretenimento leve e inteligente no Brasil, conectando gerações até os anos 2020.

Origens e Formação

Jô Soares nasceu em uma família abastada. Seu pai, Carlos Alberto Soares, era industrial no ramo de tecidos. A mãe, Mercedes Lebrethon, descendia de portugueses. Cresceu no Rio de Janeiro, em Copacabana, mas enfrentou bullying por sua obesidade desde a infância. Estudou no Colégio Santo Inácio, jesuítas, onde descobriu o teatro.

Aos 15 anos, viajou aos Estados Unidos. Matriculou-se na Montclair Academy, em Nova Jersey, e depois na Juilliard School of Music, em Nova York, onde aprendeu piano clássico. Retornou ao Brasil nos anos 1950. Ingressou no circo, como palhaço, e frequentou o Teatro de Arena. Formou-se em publicidade na Escola de Propaganda e Marketing, mas optou pela arte. Essas experiências moldaram seu talento multifacetado.

Influências iniciais incluíram o humor de Millôr Fernandes e o teatro de revista carioca. Jô pintava e colecionava arte africana, hobbies que sustentou ao longo da vida. Não há registros de motivações profundas além do desejo de entreter.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Jô começou nos anos 1950 no teatro de revista. Atuou em peças como "Puro Malte" (1958), ao lado de Cyllene Adornes e Virgínia Lane. Estreou na TV em 1958, na "Praça da Alegria", da Record, como humorista. Criou personagens como o garçom Garnisé e o maestro Bororó.

Nos anos 1960, migrou para o cinema. Estrelou "O Corintiano" (1967), de Tarcísio Chaves, e dirigiu curtas. Na TV Globo, integrou o "Chico City" (1973) e "Planeta dos Homens" (1976). Em 1979, comandou "Tempo de Alegria", mas o auge veio com "Jô Soares Onze e Meia" (1981-1983), na Band, precursor de seu talk show.

De 1988 a 2016, o "Programa do Jô" na Globo definiu sua imagem. Transmitido de São Paulo, exibia entrevistas com políticos, artistas e anônimos, sempre com piadas e imitações. Recebeu figuras como Fidel Castro (1990) e presidentes brasileiros. O programa ganhou o Troféu Imprensa múltiplas vezes.

Na literatura, publicou "O Xangô de Baker Street" (1995), romance policial com Sherlock Holmes no Brasil escravista, vencedor do Jabuti. "Assassinato na Academia Brasileira de Letras" (2015) satirizava elites culturais. Escreveu biografias como "Tambor" (1997), sobre Geraldo Vandré. Atuou em "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1975) e "O Auto da Compadecida" (2000). Dirigiu espetáculos como "O Rei da Vela" (1967).

Outras contribuições incluem pinturas expostas e coleções de máscaras africanas. Sua sátira política cutucava governos, de militares à era Lula.

  • Principais marcos cronológicos:
    • 1958: Estreia na TV.
    • 1981: Primeiro talk show.
    • 1988: Início do "Programa do Jô".
    • 1995: Jabuti por "O Xangô".
    • 2016: Fim do programa.
    • 2022: Morte por infecção generalizada.

Vida Pessoal e Conflitos

Jô casou-se três vezes. Com Thereza Amaury (1960s), teve o filho Rafael Soares, roteirista. Com Silvinha (1970s), gerou Flávio Soares, falecido em 1986 por complicações de aids. O terceiro casamento, com Zoraide de Oliveira, durou pouco. Manteve relações discretas depois.

Sua obesidade, acima de 165 kg, gerou problemas de saúde: diabetes, hipertensão e cirurgias bariátricas fracassadas. Fumava charutos e bebia moderadamente. Residiu em São Paulo, em mansão com acervo artístico avaliado em milhões.

Conflitos incluíram polêmicas no ar. Em 1990, beijou o pé de Xuxa, gerando debate. Criticou o governo Collor e foi acusado de elitismo por convidados seleto. Na literatura, enfrentou acusações de plágio em "O Caso Rasputin" (2002), mas negou. Políticamente, apoiou Lula em 2002, mas manteve sátira independente.

Amigos como Chico Anysio e Millôr Fernandes o influenciaram. Colecionava arte e viajava à África. Não há relatos de vícios graves ou escândalos judiciais.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Jô Soares deixou um vazio no humor televisivo brasileiro. Seu programa formou gerações em entrevistas jornalísticas leves. Até 2022, reprises circulam no Globoplay. Romances permanecem editados, com "O Xangô" adaptado para teatro.

Em 2023, homenagens marcaram um ano de morte: exposições de suas pinturas em São Paulo e Rio. Instituições como a Academia Brasileira de Letras citam sua sátira literária. Influenciou apresentadores como Danilo Gentili e Fábio Porchat.

Até 2026, seu acervo artístico integra museus. Debates sobre cancelamento questionam piadas datadas, mas consenso valoriza sua versatilidade. Jô simboliza o Brasil cosmopolita, misturando alta e baixa cultura. Seu impacto persiste em podcasts e memes de entrevistas virais.

Pensamentos de Jô Soares

Algumas das citações mais marcantes do autor.