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Jean de La Fontaine

Jean de La Fontaine

Biografia Completa

Introdução

Jean de La Fontaine nasceu em 8 de julho de 1621, em Château-Thierry, na região de Picardie, França. Morreu em 13 de abril de 1695, em Paris. Conhecido simplesmente como La Fontaine, destacou-se como poeta e fabulista, autor das Fábulas de La Fontaine, coleção de narrativas curtas que misturam humor, ironia e moralidade. Obras como “A Lebre e a Tartaruga” e “O Lobo e o Cordeiro” exemplificam seu estilo, onde animais antropomórficos expõem vícios humanos.

Publicadas em 12 livros entre 1668 e 1694, as fábulas baseiam-se em fontes antigas como Esopo e Fedro, mas La Fontaine as adaptou ao contexto francês do século XVII, criticando sutilmente a sociedade da corte de Luís XIV. Eleito para a Academia Francesa em 1684, desfrutou de patronato de figuras como Nicolas Fouquet e Madame de La Sablière. Sua obra transcende gerações, influenciando educação e cultura literária. Representa o classicismo francês, priorizando clareza e elegância no verso alexandrino. Sua relevância persiste em adaptações escolares e teatrais até os dias atuais.

Origens e Formação

La Fontaine cresceu em Château-Thierry, filho de Charles de La Fontaine, supervisor das águas e florestas para o ducado de Orleães. Sua mãe, Françoise Pidoux, veio de família burguesa. A família possuía certa estabilidade financeira, o que permitiu educação inicial privilegiada.

Aos oito anos, estudou no colégio jesuíta de Château-Thierry, onde aprendeu latim e retórica. Posteriormente, frequentou o Seminário de Saint-Magloire, em Paris, mas abandonou a ideia de carreira eclesiástica. Em 1641, herdou o cargo do pai como mestre das águas e florestas, cargo que manteve até 1671.

Em 1647, com 26 anos, casou-se com Marie Héricart, filha de um tabelião de Reims. O casal teve um filho, Charles, em 1652. O matrimônio foi infeliz; Marie era considerada temperamental, e La Fontaine passou longos períodos longe de casa. Esses anos iniciais moldaram sua observação da natureza humana, tema recorrente em suas fábulas. Viajou pela região, gerenciando florestas, o que o expôs a ambientes rurais, fonte de inspiração para narrativas animais.

Trajetória e Principais Contribuições

Em 1654, La Fontaine mudou-se para Paris, buscando sucesso literário. Inicialmente, viveu sob a proteção de seu vizinho, o poeta Paul Scarron. Em 1657, conheceu Nicolas Fouquet, superintendente das finanças, que se tornou seu patrono. Para Fouquet, escreveu Adonis (1658) e La Captivité de Saint Malc (1659), poemas épicos sem grande impacto.

A queda de Fouquet em 1661, acusado de desvio de fundos, deixou La Fontaine em dificuldades. Ele defendeu publicamente o patrono, publicando Élégie aux Nymphes de Vaux (1661). Logo encontrou novo apoio em Madame de La Sablière, em cuja casa viveu de 1671 até sua morte, sem relação romântica confirmada.

O marco de sua carreira veio com as Fábulas, iniciado em 1668 com o primeiro livro de 124 fábulas, dedicado ao delfim Luís. Seguiram-se volumes em 1673 (Livros 7-9), 1678-1679 (Livros 10-11) e 1694 (Livro 12). Usou verso alexandrino, estrutura poética clássica, para narrativas didáticas. Exemplos incluem “A Lebre e a Tartaruga”, que ilustra pressa vs. perseverança, e “O Lobo e o Cordeiro”, sátira à tirania e pretextos injustos.

Além das fábulas, escreveu Contes (1664-1674), poemas licenciosos em prosa rimada, censurados em 1673. Produziu ballets para a corte, como Le Nouveau Monde (1674), e peças como Astrate (1691). Em 1671, tentou entrar na Academia Francesa sem sucesso inicial; elegeu-se em 1683, recebendo cadeira em 1684, apesar de oposições por seu estilo "leve".

Sua produção reflete o classicismo: equilíbrio entre prazer e instrução, como preconizava Boileau em Arte Poética. Frequentou saraus com Molière, Racine, Boileau e La Rochefoucauld, grupo dos "belos espíritos".

  • Principais marcos cronológicos:
    Ano Evento
    1668 Publicação do Livro 1 das Fábulas
    1673 Livros 7-9 das Fábulas; início com Mme de La Sablière
    1684 Eleição para Academia Francesa
    1694 Livro 12 das Fábulas

Vida Pessoal e Conflitos

La Fontaine manteve amizades duradouras. Com Racine e Boileau, compartilhou saraus literários. Sua relação com Mme de La Sablière foi de gratidão; ela o acolheu em sua Rue Saint-Honoré. Outros patronos incluíram o duque de Borgonha, para quem dedicou fábulas tardias.

O casamento com Marie Héricart deteriorou-se; ela retornou a Château-Thierry com o filho. La Fontaine visitava-os esporadicamente. Financeiramente instável após Fouquet, dependeu de subsídios. Sua lealdade ao ex-patrão gerou inimizades na corte.

Religiosamente devoto no fim da vida, converteu-se ao jansenismo em 1692, influenciado por François Harlay. Escreveu Amours de Psyché et de Cupidon (1669), novela em prosa com elementos autobiográficos. Não há registros de grandes escândalos, mas suas Contes eróticas atraíram críticas morais. Viveu modestamente, conhecido por distração e bondade, apelidado "o bom La Fontaine".

Legado e Relevância Atual (até 2026)

As Fábulas integram o cânone literário francês, traduzidas para dezenas de idiomas. São usadas em educação primária para ensinar moralidade e linguagem. Adaptações incluem óperas (como The Fox de Janáček), animações Disney (The Grasshopper and the Ants, 1934) e quadrinhos modernos.

Em França, estatua no Palais du Luxembourg e boulevard em Paris homenageiam-no. Até 2026, edições críticas persistem, como a Pléiade (1954, revisada). Influencia literatura infantil global e provérbios cotidianos ("roupa de cordeiro, dentes de lobo"). Críticos destacam sua universalidade: crítica social sem confrontos diretos, adaptável a contextos contemporâneos como desigualdades. Permanece leitura obrigatória em currículos escolares franceses e brasileiros.

Pensamentos de Jean de La Fontaine

Algumas das citações mais marcantes do autor.