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Jacques Prévert

Jacques Prévert

Biografia Completa

Introdução

Jacques Prévert nasceu em 4 de fevereiro de 1900, em Neuilly-sur-Seine, perto de Paris. Morreu em 11 de abril de 1977, em Omonville-la-Petite, na Normandia, vítima de um câncer pulmonar. Poeta, roteirista e letrista, ele marcou a cultura francesa do século XX com versos acessíveis e roteiros poéticos para o cinema.

Sua obra reflete uma visão anárquica e humanista, crítica à autoridade, à guerra e à burguesia. Paroles, publicada em 1946, vendeu milhões de exemplares e popularizou sua poesia coloquial. No cinema, colaborou com Marcel Carné em filmes como Les Enfants du Paradis, considerado um clássico. Prévert influenciou gerações com sua recusa a convenções literárias e premiações oficiais, como o Oscar de 1946, que rejeitou. Até 2026, seus textos continuam em antologias escolares e recitais públicos na França.

Origens e Formação

Prévert cresceu em uma família modesta. Seu pai, André Prévert, era contador e caricaturista amador. A mãe, Suzanne Catusse, cuidava da casa. Teve um irmão mais novo, Pierre Prévert, que se tornou cineasta.

Aos 15 anos, abandonou o liceu. Trabalhou como operário em uma fábrica de pneus, vendedor de livros e fotógrafo em um estúdio parisiense. Em 1920, alistou-se no exército e serviu na Síria, experiência que alimentou seu antimilitarismo. De volta a Paris em 1923, instalou-se no bairro de Montparnasse.

Ali, conheceu pintores como Yves Tanguy e escritores como Raymond Queneau e Marcel Duhamel. Juntou-se ao grupo surrealista de André Breton em 1925, contribuindo para a revista Littérature. No entanto, rompeu com o surrealismo em 1928, criticando seu dogmatismo. Formou, com amigos, o grupo teatral Octobre em 1932, focado em espetáculos engajados para operários.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Prévert decolou nos anos 1930 com roteiros para o cinema. Em 1936, escreveu Drôle de drame para Marcel Carné, comédia satírica estrelada por Louis Jouvet. Seguiram-se Quai des brumes (1938), Le Jour se lève (1939) e Les Visiteurs du soir (1942), todos com Carné e Jean Gabin, definindo o "realismo poético" francês.

O ápice veio com Les Enfants du Paradis (1943-1945), roteirizado durante a Ocupação nazista. Filmado em estúdios clandestinos, retrata o teatro parisiense do século XIX com atores como Arletty e Jean-Louis Barrault. O filme ganhou o Grand Prix no Festival de Cannes de 1946 e foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original, que Prévert recusou.

Na poesia, publicou Paroles em 1946 pela editora Seghers. O livro reuniu textos como "Déjeuner du matin", "Barbara" e "Pssst!", com linguagem cotidiana, ironia e imagens vívidas. Vendeu 500 mil cópias em poucos anos. Outras coletâneas incluem La Cinquième Colonne (1950), Fatras (1948) e Spectacle (1951). Escreveu canções para Joseph Kosma, como "Les Feuilles mortes" (1945), imortalizada por Yves Montand.

Nos anos 1950, colaborou em Le Rendez-vous des quais (1955) e dirigiu curtas como La Belle Arlequine (1945). Produziu peças com o grupo Octobre até sua dissolução em 1936. Em 1961, publicou Choses et autres. Sua produção continuou esparsa, com colagens visuais e roteiros menores.

Vida Pessoal e Conflitos

Prévert casou-se em 1925 com Simone Dienne, com quem teve uma relação instável até o divórcio em 1936. Viveu com Simone Vary a partir de 1934, com quem adotou um filho, David. Residiu em Saint-Paul-de-Vence nos anos 1950, próximo a pintores como Yves Montand e Simone Signoret.

Enfrentou críticas por seu engajamento político. Pacifista, opôs-se à Guerra da Argélia e ao colonialismo. Durante a Ocupação, manteve distância da Resistência organizada, focando em Les Enfants du Paradis como ato de resistência cultural. Acusado de oportunismo por alguns, defendeu-se com ironia.

Sua saúde deteriorou-se pelo tabagismo. Fumante inveterado, sofreu enfisema e câncer. Recusou hospitalizações, preferindo a Normandia. Conflitos familiares incluíram desavenças com o irmão Pierre, com quem colaborou em L'Affaire est dans le sac (1932), curta surrealista.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Prévert simboliza a poesia popular francesa. Paroles é editado anualmente e declamado em escolas. Filmes roteirizados por ele circulam em festivais e plataformas de streaming até 2026.

Em 2000, celebrou-se seu centenário com exposições no Centre Pompidou. Em 2011, a Maison Jacques Prévert abriu em Omonville-la-Petite, museu com seus originais. Até 2026, edições críticas de Paroles saem pela Gallimard, e adaptações teatrais ocorrem em Paris. Sua influência persiste em chanson française e poesia spoken word. Artistas como Léo Ferré e Serge Gainsbourg citam-no. Críticos o veem como ponte entre surrealismo e cultura de massas, com relevância em debates sobre acessibilidade literária.

Pensamentos de Jacques Prévert

Algumas das citações mais marcantes do autor.

"O gato e o pássaro Uma cidade escuta desolada O canto de um pássaro ferido É o único pássaro da cidade E foi o único gato da cidade Que o devorou pela metade E o pássaro deixa de cantar E o gato deixa de ronronar E de lamber o focinho E a cidade prepara para o pássaro Funerais maravilhosos E o gato que foi convidado Segue o caixãozinho de palha Em que deitado está o pássaro morto Levado por uma menina Que não pára de chorar Se soubesse que você ia sofrer tanto Lhe diz o gato Teria comido ele todinho E depois teria te dito Que tinha visto ele voar Voar até o fim do mundo Lá onde o longe é tão longe Que de lá não se volta mais Você teria sofrido menos Só tristeza e saudades É preciso nunca fazer as coisas pela metade."
"As Folhas Mortas Oh! Gostaria tanto que você se lembrasse Dos dias felizes onde nos éramos amigos Naquele tempo a vida era mais bela E o sol mais brilhante do que é hoje As folhas mortas juntamos com a pá Você vê, eu não me esqueci As folhas mortas juntamos com a pá As lembranças e os arrependimentos também. E o vento do norte leva-as. Na noite fria do esquecimento Você vê, eu não me esqueci A canção que você me cantava. É uma canção que é semelhante a nós. Você, que me amava e eu te amava. E nós vivíamos sempre juntos Você que me amava, eu que te amava. Mas a vida separa aos que se amam. Tão docemente, sem fazer barulho. E o mar apaga sobre a areia Os passos dos amantes separados As folhas mortas juntamos com a pá As lembranças e os arrependimentos também Mas o meu amor, silencioso e fiel Sempre sorri e é grato pela vida. Eu te amei tanto, você estava tão bonita. Como você espera que eu esqueça? Naqueles dias, a vida era mais bonita E o sol mais brilhante do que é hoje. Você era meu doce amigo Mas eu não tenho nenhum arrependimento E a música que você cantou, Sempre, sempre vou ouvi-la! É uma canção que é semelhante a nós. Você, que me amava e eu te amava. E nós vivíamos sempre juntos Você que me amava, eu que te amava. Mas a vida separa aos que se amam. Tão docemente, sem fazer barulho. E o mar apaga sobre a areia Os passos dos amantes separados"