Introdução
Ivan Andreevich Krylov nasceu em 2 de fevereiro de 1769, em Moscou, Rússia. Ele se tornou o mais proeminente fabulista da literatura russa do século XIX, conhecido por fábulas que usam animais para criticar vícios humanos e falhas sociais. Suas obras, publicadas em nove livros entre 1809 e 1844, totalizam 236 fábulas. Inspirado em clássicos como Esopo, Fedro e Jean de La Fontaine, Krylov adaptou o gênero à realidade russa, tornando-o acessível e satírico.
Ele trabalhou como funcionário público e bibliotecário, ocupando cargos em instituições como a Biblioteca Imperial Pública de São Petersburgo. Em 1841, foi eleito membro honorário da Academia Russa de Ciências. Sua obra influenciou gerações de escritores russos e consolidou o formato da fábula moral na cultura eslava. Krylov faleceu em 9 de novembro de 1844, em São Petersburgo, deixando um legado de sátira sutil e lições universais. Até 2026, suas fábulas continuam editadas e ensinadas em escolas russas e internacionais, com traduções em dezenas de idiomas.
Origens e Formação
Krylov veio de uma família modesta. Seu pai, Andrey Prokofievich Krylov, era um oficial do exército de baixa patente na província de Tver. A mãe, Maria Porfirievna, cuidava da casa. A família enfrentou dificuldades financeiras após a morte do pai em 1779, quando Ivan tinha apenas 10 anos. Eles se mudaram para Tver, onde a viúva viveu de uma pensão mínima.
Ivan frequentou a escola por pouco tempo, apenas até os nove anos, em Moscou. Tornou-se autodidata, lendo vorazmente obras disponíveis na biblioteca local e de amigos. Aos 14 anos, mudou-se para São Petersburgo com a família. Lá, conseguiu emprego como escrevente no departamento administrativo da presidência da Academia de Artes. Essa posição inicial o expôs à burocracia russa, tema recorrente em suas fábulas.
Sem educação formal avançada, Krylov desenvolveu seu estilo através de leituras de teatro francês e literatura clássica. Influências iniciais incluíam as comédias de Molière e as fábulas de La Fontaine, acessíveis em traduções russas. Ele começou a escrever cedo, produzindo sua primeira peça aos 18 anos.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira literária de Krylov iniciou-se no final do século XVIII. Em 1787, publicou "A Noite de Ano Novo", uma comédia em verso. Seguiram-se outras peças como "O Amigo dos Camponeses" (1789) e "O Pródigo" (1800), mas sem grande sucesso. Ele colaborou em periódicos satíricos, como o "Zritel" (Espectador) e "Pchela" (Abelha), criticando a sociedade.
O ponto de virada veio com as fábulas. Em 1809, lançou o primeiro livro de "Fábulas", com 23 narrativas, incluindo "O Quarteto" e "O Elefante e o Mosquito". As coleções subsequentes saíram em 1811, 1813, 1818, 1825, 1834 e 1844. Cada fábula apresenta animais antropomórficos em situações cômicas que expõem ganância, preguiça e hipocrisia. Exemplos incluem "A Libélula e a Formiga" (sobre procrastinação) e "O Lobo e o Cordeiro" (sobre injustiça).
Krylov usava linguagem simples e ritmada, facilitando a memorização. Suas obras venderam milhares de cópias, financiando sua vida. Paralelamente, ocupou cargos públicos: supervisor de livros na Casa dos Livros Estrangeiros (1806-1810) e bibliotecário na Biblioteca Imperial Pública (1816-1844). Esses papéis lhe deram acesso a milhares de volumes, enriquecendo seu repertório.
Em 1823, a Imperatriz Maria Feodorovna lhe concedeu uma pensão anual de 5.000 rublos. Suas fábulas foram ilustradas em edições luxuosas e encenadas no teatro. Krylov evitou política direta, mas suas sátiras aludiam à servidão e à corrupção cortesã, ganhando popularidade entre camadas sociais variadas.
Vida Pessoal e Conflitos
Krylov permaneceu solteiro toda a vida, sem filhos documentados. Viveu modestamente em São Petersburgo, compartilhando casa com a mãe até sua morte em 1791 e depois com parentes. Amigos incluíam nobres como o conde Fyodor Rostopchin e escritores como Alexander Pushkin, que o elogiou como "o primeiro poeta popular russo".
Ele enfrentou críticas iniciais por seu estilo coloquial, considerado vulgar por alguns literatos. Acusações de plágio surgiram devido às inspirações em La Fontaine, mas Krylov defendia adaptações culturais. Problemas de saúde marcaram sua velhice: obesidade extrema (pesava cerca de 180 kg), gota e dificuldades de locomoção. Ainda assim, frequentava o Teatro Imperial, chegando atrasado para evitar aplausos em sua homenagem.
Conflitos burocráticos ocorreram em empregos iniciais, como demissão em 1797 por insubordinação. Financeiramente instável até os 40 anos, dependeu de favores de patronos. Apesar disso, manteve neutralidade política durante as guerras napoleônicas e reformas de Alexandre I.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Krylov é considerado o pai da fábula russa moderna. Suas obras foram canonizadas na literatura nacional, incluídas em antologias escolares desde o século XIX. Monumentos erguidem-se em São Petersburgo (no Jardim de Verão, 1855) e Moscou. O asteróide 3127 Krylov homenageia-o desde 1978.
Até 2026, edições críticas persistem, com traduções para inglês, francês, chinês e outros idiomas. Filmes de animação baseados em suas fábulas, como os da Soyuzmultfilm soviética (décadas de 1940-1980), foram restaurados digitalmente. Em 2019, celebraram-se 250 anos de seu nascimento com exposições na Biblioteca Russa Nacional.
Pesquisas acadêmicas analisam suas sátiras sociais, comparando-as a Gogol e Saltykov-Shchedrin. Em contextos educacionais russos, ensinam moralidade e crítica cívica. Globalmente, servem como exemplo de alegoria acessível, influenciando quadrinhos e literatura infantil.
