Introdução
Ingrid Bergman nasceu em 29 de agosto de 1915, em Estocolmo, Suécia, e faleceu exatamente 67 anos depois, em 29 de agosto de 1982, vítima de câncer de mama. Ela se tornou uma das atrizes mais celebradas do cinema do século XX, com três Oscars de Melhor Atriz – por Gaslight (1944), Anastasia (1956) e Assassinato no Expresso do Oriente (1974) – e duas indicações adicionais. Bergman trabalhou com diretores como Alfred Hitchcock, George Cukor e Ingmar Bergman (sem parentesco). Sua carreira incluiu mais de 50 filmes em três idiomas, destacando-se por papéis que exploravam vulnerabilidade emocional e força interior. O impacto de sua imagem reside na transição de estrela europeia para ícone hollywoodiano, marcada por controvérsias pessoais que afetaram sua trajetória profissional.
Origens e Formação
Ingrid Bergman cresceu em um ambiente familiar instável. Sua mãe, Friedel Henrietta Adler, uma alemã protestante, morreu de doença hepática quando Ingrid tinha três anos. O pai, Justus Samuel Bergman, um artista e fotógrafo sueco de ascendência alemã e sueca, faleceu em 1929, aos 49 anos, deixando-a órfã aos 13. Ela foi criada por uma tia materna, Ellen Adler, que morreu em 1932.
Bergman frequentou a escola primária em Estocolmo e demonstrou interesse precoce pelo teatro. Em 1933, aos 17 anos, ingressou na Royal Dramatic Theatre (Dramatens elevskola), a principal escola de atuação da Suécia, onde estudou por um ano. Lá, aprimorou técnicas clássicas e ganhou experiência em peças como A Midsummer Night's Dream. Seu talento natural chamou atenção durante audições para cinema. Em 1934, assinou contrato com a produtora sueca Svenska Filmindustri.
Seu primeiro papel significativo veio em 1935, no filme Munkbrogreven, dirigido por Sigurd Wallen. Bergman apareceu em cerca de 10 filmes suecos nos anos 1930, incluindo Swedenhielms (1935) e Intermezzo (1936), uma versão sueca que a lançaria internacionalmente. Esses trabalhos iniciais destacaram sua fotogenia e presença em tela, pavimentando o caminho para Hollywood.
Trajetoria e Principais Contribuições
Bergman chegou aos Estados Unidos em 1939, convidada pelo produtor David O. Selznick para refazer Intermezzo em inglês, ao lado de Leslie Howard. O filme, lançado em 1939, marcou sua estreia em Hollywood e revelou seu sotaque charmoso e beleza sem maquiagem excessiva. Selznick a promoveu como "estrela natural".
Em 1942, ela estrelou Casablanca, dirigido por Michael Curtiz, como Ilsa Lund, o grande amor de Rick Blaine (Humphrey Bogart). A cena do aeroporto tornou-se icônica. Bergman ganhou seu primeiro Oscar em 1944 por Gaslight, de George Cukor, interpretando Paula Alquist, uma mulher manipulada pelo marido (Charles Boyer). O filme popularizou o termo "gaslighting".
Hitchcock a dirigiu em três filmes: Spellbound (1945), com Gregory Peck; Notorious (1946), um thriller de espionagem com Cary Grant; e Under Capricorn (1949). Esses papéis solidificaram sua imagem como heroína sofisticada e sensual. Em 1948, interpretou Joana D'Arc em Joan of Arc, dirigido por Victor Fleming, rendendo outra indicação ao Oscar.
O período italiano marcou uma guinada. Em 1949, Bergman contatou Roberto Rossellini para trabalhar em Stromboli (1950), filmado na ilha vulcânica. O filme gerou polêmica, mas iniciou uma fase neorrealista. Ela atuou em Stromboli terra di Dio (1950), Europa '51 (1952) e Viaggio in Italia (1954), explorando temas de alienação e crise espiritual.
Após hiato forçado por Hollywood, retornou com Anastasia (1956), de Anatole Litvak, vencendo seu segundo Oscar como a grã-duquesa impostora. Seguiram-se Indiscreet (1958), com Cary Grant, e The Inn of the Sixth Happiness (1958). Na década de 1960, atuou em Cactus Flower (1969) e na TV em Hedda Gabler (1969). Seu terceiro Oscar veio por Assassinato no Expresso do Oriente (1974), de Sidney Lumet, como Greta Ohlsson. Bergman continuou ativa até 1982, com papéis em Autumn Sonata (1978), de Ingmar Bergman, e A Woman Called Golda (1982, Emmy póstumo).
Ao longo da carreira, acumulou prêmios como o NYFCC (1944), Globo de Ouro (1957, 1975) e Cecil B. DeMille (1971). Participou de cerca de 40 filmes americanos, 10 suecos e 8 italianos.
Vida Pessoal e Conflitos
Bergman casou-se três vezes. Em 1940, com o dentista sueco Petter Aron Lindström, com quem teve uma filha, Pia (nascida em 1943). O casamento terminou em divórcio em 1950. Em 1950, uniu-se a Roberto Rossellini, com quem teve três filhos: gêmeos Isabella (atriz) e Isotta Ingrid (1950), e Roberto (1950–1977, publicitário). O relacionamento gerou escândalo: em 1949, grávida de Rossellini enquanto casada, foi condenada pelo senador Edwin C. Johnson como "má influência pública". A AFI a boicotou por 7 anos. Divorciaram-se em 1957.
Em 1958, casou-se com o produtor sueco Lars Schmidt, relação que durou até 1975. Bergman manteve amizade com ele após o divórcio. Teve sete filhos no total, incluindo Pia, os três com Rossellini e três com Schmidt (Lars, Per e um adotado? Não, correção factual: filhos confirmados são Pia, Isabella, Ingrid Isotta, Roberto Ingmar – wait, Roberto com Rossellini; e com Schmidt: nenhum biológico listado como filhos principais, mas ela teve total de 4 filhos: Pia, twins Isabella e Ingrid, Roberto. Erro: filhos são 4. Bergman teve 4 filhos: Pia (1944), gêmeas Isabella e Ingrid Isotta (1950), Roberto (1950). Schmidt foi padrasto.
Diagnósticada com câncer em 1973, Bergman recusou tratamento inicial, mas operou em 1974. O câncer metastatizou, levando à morte em Londres, aos 67 anos. Seu funeral ocorreu em Estocolmo.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até 2026, Ingrid Bergman permanece referência no cinema clássico. O American Film Institute a lista entre as maiores estrelas femininas (3ª posição em 1999). Seus filmes são restaurados e exibidos em festivais como Cannes e Veneza. Filha Isabella Rossellini segue carreira como atriz e modelo, perpetuando o legado. Documentários como Ingrid Bergman: In Her Own Words (2015) usam arquivos pessoais. Em 2015, o Google Doodle homenageou seu centenário. Sua influência persiste em atrizes como Cate Blanchett e Jessica Chastain, que citam sua autenticidade. Em 2022, o centenário de morte reacendeu debates sobre sexismo em Hollywood.
