Introdução
Ernst Ingmar Bergman nasceu em 14 de julho de 1918, em Uppsala, Suécia, e faleceu em 30 de julho de 2007, na ilha de Fårö. Roteirista, diretor e produtor de cinema e teatro, ele dirigiu mais de 60 filmes e encenou centenas de peças. Sua obra, marcada por diálogos intensos e imagens simbólicas, aborda angústias existenciais, a busca por Deus e as fragilidades humanas. Filmes como O sétimo selo (1956), onde um cavaleiro joga xadrez com a Morte, capturam o desespero pós-Segunda Guerra. Bergman ganhou três Oscars por roteiros e um honorário em 1971. Sua influência persiste no cinema autoral europeu e americano, com diretores como Woody Allen e Lars von Trier citando-o como referência. Até sua morte, ele manteve produção ativa, incluindo TV e teatro, consolidando-se como voz única do século XX.
Origens e Formação
Bergman cresceu em um lar religioso estrito. Seu pai, Erik Bergman, era pastor luterano em Uppsala, e sua mãe, Karin Åkerblom, veio de família de classe média. A infância foi marcada por rigidez: o pai usava castigos corporais, influenciando temas de autoridade e culpa em sua obra. Aos 9 anos, Bergman descobriu o teatro com um palco de marionetes, presente de um tio. Essa paixão precoce o levou a escrever peças infantis.
Durante a adolescão, frequentou escolas em Estocolmo. Em 1937, ingressou na Universidade de Estocolmo para estudar literatura e arte, mas abandonou os estudos formais para se dedicar ao teatro. Trabalhou como assistente no Teatro Municipal de Helsingborg em 1940, dirigindo sua primeira peça profissional, Macbeth. Influenciado por Strindberg e Ibsen, autores suecos que exploravam psique humana, Bergman desenvolveu estilo introspectivo. Em 1942, estreou como roteirista com Frenesi, mas o cinema só ganhou tração após a guerra. Sua formação autodidata combinou teatro expressionista alemão e neorrealismo italiano, moldando narrativas confessionais.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira cinematográfica de Bergman começou em 1946 com Crise, baseado em peça de Sigfrid Siwertz. Contratado pela Svensk Filmindustri, dirigiu 10 filmes nos anos 1940-1950, refinando técnica. O marco veio em 1955 com Sorrisos de uma noite de verão, comédia que ganhou o Prêmio Internacional de Cannes e permitiu independência criativa.
Em 1956, O sétimo selo revolucionou o cinema. O filme, ambientado na Idade Média durante a Peste Negra, mostra o cavaleiro Antonius Block questionando fé e mortalidade em jogo de xadrez com a Morte personificada. Rodado em 35 dias com orçamento modesto, tornou Bergman ícone global. No ano seguinte, Morangos silvestres seguiu: um professor idoso viaja para receber prêmio e revive memórias em sonhos simbólicos, explorando arrependimentos e solidão. Ganhou o Grande Prêmio de Cannes.
Anos 1960 trouxeram experimentação. Através de um espelho (1961) e Persona (1966) usaram fusão de identidades e silêncios longos, influenciando o modernismo. Persona, sobre enfermeira e paciente muda, aborda identidade e voyeurismo. Na década de 1970, Gritos e sussurros (1972) explora morte e afeto entre irmãs, vencendo Oscar de fotografia. Cenas de um casamento (1973), minissérie para TV editada como filme, dissecou colapso conjugal de Marianne e Johan, com realismo cru; foi hit nos EUA.
C Fanny e Alexander (1982), seu filme mais pessoal, ganhou Oscar de fotografia e direção de arte. Semi-autobiográfico, narra infância de irmãos em família teatral sueca do início do século XX, contrastando magia natalina com fanatismo religioso do padrasto bispo. Bergman anunciou aposentadoria do cinema após ele, mas dirigiu para TV como Depois do ensaio (1984).
No teatro, liderou o Royal Dramatic Theatre de Estocolmo de 1963 a 1966, encenando Hamlet e Rei Lear. Escreveu autobiografia A lanterna mágica (1987), detalhando carreira. Sua produção total inclui roteiros para outros diretores e óperas.
Vida Pessoal e Conflitos
Bergman casou-se cinco vezes e teve nove filhos de diferentes uniões. Primeira esposa: Else Fisher (1943-1945), mãe de Lena. Seguiu Ellen Lundström (1945-1959), com filhos Eva, Jan e Mats. Günther Hasserl (?-?), mãe de Linn. Käbi Laretei (1959-1969), mãe de Daniel. Por fim, Ingrid von Rosen (1971-1995), com filhos Linn (de affair anterior) e privat. Relacionamentos turbulentos inspiraram filmes como Cenas de um casamento.
Ele sofreu depressões recorrentes e pânico religioso da infância. Em 1976, crise fiscal: acusado de sonegação de impostos por erro contábil, foi detido na Noruega durante ensaio. Fugiu para Munique, exilado voluntário até 1978, quando voltou à Suécia após anistia. O incidente abalou-o; escreveu A melhor vontade sobre trauma.
Bergman viveu recluso em Fårö desde 1960, ilha que filmou repetidamente. Amizades com atores como Max von Sydow e Liv Ullmann foram centrais; Ullmann estrelou Persona e Gritos e sussurros. Fumante inveterado, sofreu derrame em 2002, mas trabalhou até o fim.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até 2007, Bergman moldou o "cinema de autor". Seus filmes influenciaram Nouvelle Vague francesa (Godard citou Persona) e independentes americanos. Ganhou Prêmio da Palma de Ouro honorário em Cannes (1997) e Grammy por trilha de Fanny e Alexander. Obras restauradas digitalmente circulam em festivais.
Em 2026, sua obra permanece em currículos universitários, analisada por temas teológicos e feministas. Streaming como Criterion Channel disponibiliza coletâneas. Filha Linn dirigiu documentário Trespassing Bergman (2013), com depoimentos de Scorsese e Andersson. Instituto Ingmar Bergman preserva arquivos em Estocolmo. Apesar críticas por misoginia em retratos femininos, consenso o vê como mestre da introspecção humana, com O sétimo selo e Morangos silvestres como clássicos perenes.
