"Berros da Liberdade Ah se a multidão da terra pudesse ouvir ou tentasse escutar o som da reflexão. e revelasse o filme do pensamento, paciente dos problemas das pessoas que vivem na aflição. Ah se eu pudesse fazer o video tape das belas histórias, que a gente vive nos sonhos bons. Ah se o perfume da comunicação, exalasse sempre as mensagens concretas e otimistas e envolvesse a harmonia das cores como o som infinito das galáxias. Seria bom se a gente usasse mais o nosso tempo na construção da sabedoria e pintasse os painéis da ignorância com tinta branca da aprendizagem, e com o fogo da verdade, queimasse o lixo da inveja, da calúnia, da traição, da indecência desonesta, que habitam na elite da hipocrisia das pessoas que se vestem com a inocência de cordeiro e se perfumem com o hálito fúnebre da maldade. Porém é preciso cultivar, o jardim da esperança determinada e regar todos os dias as flores do afeto, do perdão, do amor, da humildade, semeando o bem, e deixar crescer com abundância os espinhos sérios que protejam as raríssimas rosas da honestidade. e florescer de novo a fé, no seio da sociedade, todos querem subir bem alto, por exemplo: no azul do céu! No pico do mundo e cantar com a força da emoção sentindo o eco das montanhas nos Berros da Liberdade!"
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Humberto Gessinger
Humberto Gessinger (1963) é um músico gaúcho, multi-instrumentista e escritor. Foi líder da banda de rock Engenheiros do Hawaii.
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"Às vezes parece que eu não tenho medo Às vezes parece que eu não tenho dúvidas Às vezes parece que eu não tenho... .. Nenhuma razão pra chorar Você esquece que eu não sou de ferro (Até o ferro pode enferrujar) Você esquece que eu não sou de aço E faço questão de provar: Olhe pra mim.... enquanto eu me quebro Às vezes parece que eu tenho muito medo Às vezes parece que eu só tenho dúvidas Às vezes parece que eu não tenho... .. Nenhuma chance de escapar Acontece que eu não nasci ontem (Até hoje sempre escapei com vida) Pra quem duvida de tudo que eu faço Eu faço questão de provar: Olhe pra mim.. enquanto... desapareço no ar Não queira estar no meu lugar Não queira estar em lugar nenhum Às vezes tudo muda E continua tudo no mesmo lugar Não queira estar no meu lugar Não queira estar em lugar nenhum (UM LUGAR COMUM) Às vezes uma prece ajuda Às vezes nem adiante rezar Já desisti de ser uma pessoa só Já desisti de ser uma multidão Já não ponho todas as fichas na mesa Agora ... jogo algumas no chão Jogo algumas no chão Às vezes tudo, às vezes nada Às vezes tudo ou nada, às vezes 50% Às vezes a todo momento, às vezes nunca Como tudo na vida, não é sempre Às vezes de bem com a vida, às vezes de mau humor Às vezes sem saída, às vezes seja onde for Não é sempre, não é sempre Como tudo na vida... nunca é sempre"
"Ele estendeu a mão de forma insuficiente. Uma isca. Para me obrigar a virar a cabeça. Queria cruzar olhares. Eu nem teria notado, não fosse o sino das chaves batendo uma na outra. Meu olhar saiu do painel do carro, onde eu procurava uma rádio em que não estivessem dizendo bobagens. Do painel para as chaves, das chaves para os olhos dele, quase invisíveis sob a sombra do boné. O tanque estava cheio, o troco estava certo. Não era isso que ele queria dizer. Queria dizer que era meu fã. E que agora não era mais. Havia se convertido: só ouvia música religiosa. Fiquei feliz. Só não pedi desculpas pelo tempo que ele perdera com minha música porque soava deslocada minha felicidade. Eu perdera um fã, ele ganhara um sentido para a vida. Por que, então, eu estava alegre e ele parecia triste, constrangido? Fiquei constrangido por ele estar constrangido. Seria contagioso? E se a corrente de constrangimento saísse do carro, jorrasse da bomba de gasolina e contaminasse todo o posto, a loja de conveniência, os prédios ao lado? Constrangeria o mundo inteiro? Uma buzina trouxe minha mente de volta ao triste rosto no posto. Tentei animá-lo. Falei que trocaria de lugar com ele, na boa, pois deve ser bom ter as respostas definitivas pro espírito e um emprego fixo pro corpo. Foi como se eu não tivesse dito nada. Ele já não me ouvia. Voltei pra abastecer outras vezes. Nunca mais o encontrei."
"Já não vejo diferença entre os dedos e os anéis Já não vejo diferença entre a crença e os fiéis Tudo é igual quando se pensa em como tudo poderia ser Há tão pouca diferença e há tanta coisa a fazer Esquerda e direita, direitos e deveres, os 3 patetas, os 3 poderes Ascenção e queda, são os dois lados da mesma moeda Tudo é igual quando se pensa em Como tudo poderia ser Há tão pouca diferença há tanta coisa a escolher é tanta coisa a fazer Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo Mas não há mais muito tempo pra sonhar Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo Mas não há mais muito tempo pra sonhar Pensei que houvesse um muro entre o lado claro e o lado escuro Pensei que houvesse diferença entre gritos e sussurros Mas foi engano, foi tudo em vão Já não há mais diferença entre a raiva e a razão Esquerda e direita, direitos e deveres, os 3 patetas, os 3 poderes Ascenção e queda, são os dois lados da mesma moeda Tudo é igual quando se pensa em como tudo poderia ser Há tão pouca diferença,tanta coisa a fazer Tanta coisa a fazer E os nossos sonhos são os mesmos,a tanto tempo mas não há mas tanto tempo pra sonhar.. Nossos sonhos são os mesmos,a tanto tempo mas não há mas tanto tempo pra sonhar.. Tempo pra sonhar Nossos sonhos são os mesmos,amuito tempo mas não há mas tanto tempo pra sonhar.. Nossos sonhos são os mesmos,a muito tempo mas não há mas tanto tempo pra sonhar.. Tempo pra sonhar Tempo pra sonhar Tempo pra sonhar Tempo pra sonhar Vamos possuir retrato no real e o abstrato Entre a loucura e a lucidez Entre o fim do mundo e o fim do mês Entre a verdade e o Rock inglês"
"Ok, vou ser sincero como não se deve ser: achei o Vestibular e tudo que ele envolve um saco! Na melhor das hipóteses, uma peça surrealista fora de hora e sem graça. A escolha apressada e superficial da profissão... A gritaria dos professores de cursinho... o cheiro de vela da promessa que alguém da família fez... As questões de múltipla escolha tentando resumir todo o conhecimento ocidental pós-iluminismo: Nonsense! As fórmulas e resumos escritos nas paredes do quarto onde deveriam estar as bandas de rock, o time do coração e mulheres maravilhosas... o portão das escolas fechando inapelavelmente e as reportagens no dia seguinte com alunos que não conseguiram entrar... A espera dos resultados... As contas do que precisa na prova seguinte: Nonsense! Absurdo como decidir um campeonato nos pênaltis. Todas as potencialidades resumidas numa única habilidade: marcar o “xis” no lugar certo. Numa cena sintomática deste filminho de terror, o rádio me avisou da estúpida morte de John Lennon. Assassinado numa tarde em que eu estudava biologia, preservação da vida. Para o bem da humanidade e do alto dos meus 43 mil anos de idade, é meu dever transformar este limão em limonada, passando minhas experiências para as novas gerações numa lista do que eu fiz e deve ser evitado: 1- Não mate aula para ficar namorando guitarras que não sairão da vitrine da loja para tuas mãos. 2- Não tente suicídio quando aquela menina abandonar o cursinho e for morar em Floripa. 3- Meia xícara e café preto não vai segurar sozinha tua onda alimentar no dia da prova. 4- Não faça a prova correndo, em 10 minutos, por medo de que algo horrível aconteça: um tsunami... Uma crise de catalepsia... A invasão do Brasil por forças conjuntas de W. Bush e Hugo Chavez. Relaxe! Respire generosamente. Lembre-se: Passando ou não no Vestibular a vida volta a sua normal anormalidade no dia seguinte. Conheci pessoas que passaram pelo funil para a Escola de Arquitetura onde encontraram amigos espertos, engraçados e sensíveis. Acabaram montando uma banda cujo nome brincava com de engenharia que pegavam onda: Engenheiros do Hawaii. Finalmente, por vias tortas, encontraram o bom combate."
"Tenho fãs melhores e em maior número do que mereço. Não entendo como nem porque, mas agradeço a Deus. Quem começa a trabalhar comigo sempre se surpreende. Acho sintomática esta surpresa e cumprimento todos os "de fé" com um piscar de olhos imaginário: nós conhecemos a força da teia que tecemos. Silenciosamente. Azar teve Eddie Van Halen. Nunca fez minha cabeça o som dele (pelo contrário, foi um dos motivos que me fizeram achar o baixo um instrumento mais interessante do que a guitarra em 87), mas reconheço sua maestria. Um gênio. Foi um cara seminal na revolução que colocou uma guitarra no quarto de cada adolescente americano nos anos 80 (ok, depois as guitarras viraram computadores, mas isso é outro papo, outra década). Aquele roquenrrou pirotécnico ficou espremido entre o nervo exposto do grunge e o atleticismo musical de caras como Joe Satriani e Steve Vai. Sufocado entre uma postura mais visceral e outra mais cerebral. É assim na vida e na arte: ciclos, movimentos pendulares, ondas que vêm e vão. Injustificável é que os fãs do Eddie tenham se calado. É raríssimo, hoje em dia, alguém dar crédito ao cara pela influência que teve. faça uma prece pra Freud Flintstone acenda uma vela pra Freud Flintstone sacrifique o bom senso no seu altar ... esqueça a prece pra Freud Flintstone acenda a fogueira pra Freud Flintstone vamos queimá-lo vivo, enterrá-lo vivo (*) Cazuza cantou que seus heróis morreram de overdose. Imagino que se referisse a Jimi, Jim, Janis... Atemporal, a canção fala das meninas Amy e Cássia, dos bateristas Boham e Moon, dos baixistas Pastorius e Lynnot. Metafórica, ela fala dos carros de James Dean e Albert Camus, dos voos de Steve Ray Vaughan e Buddy Holly, dos mistérios de Robert Johnson e Jeff Buckley, dos absurdos disparos-para-o-coração de Lennon e Cobain. Prematuras, estas mortes condenam os mitos à vida eterna. Todas têm um pouco de encenação da Paixão de Cristo. Adorados, os posters ficarão para sempre imitando crucifixos na "parede da memória". Há heróis que continuam por aí, fazendo de conta que o tempo não passa (Jagger/Richards e McCartney, por exemplo). E há aqueles que, de uma forma ou outra, em um momento ou outro, saltaram do bonde (o bonde chamado desejo?). É pensando nestes que escrevo: os caras que me ensinaram a ser jovem e estão me ensinando a envelhecer. Joni Mitchell encheu o saco da forma como as mulheres são vistas na indústria cultural e foi pintar. Bjorn Borg achou que era muita pressão ter que acertar todas as bolas e foi errar um pouco na vida. Leonard Cohen raspou o cabelo e foi ver de perto qualé a do budismo. Roger Waters ergueu, demoliu e cantou (não necessariamente nesta ordem) seu próprio muro. Dylan por várias vezes saltou do bonde (a primeira: depois do acidente de moto em 66; a mais recente: o mergulho no trabalho, na Never Ending Tour). O que há de comum nestes exemplos? Eles acharam que o solo estava muito duro, seco demais para receber sementes? Acharam que a esponja não absorveria mais nada por estar molhada demais? Pode não haver nada em comum, eu posso estar forçando a barra... mas realmente acho que estes caras assumiram as rédeas, traçaram os próprios rumos. Parece pouca coisa? Só para quem nunca fez isso. 09ago2011"