Introdução
Henrique de Souza Filho, conhecido como Henfil, nasceu em 6 de janeiro de 1944, em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, e faleceu em 5 de janeiro de 1988, no Rio de Janeiro. Cartunista, jornalista e escritor, ele se destacou na resistência cultural à ditadura militar brasileira (1964-1985). Seus quadrinhos, publicados principalmente no semanário O Pasquim e na revista Fradim, satirizavam o regime autoritário com humor ácido e personagens icônicos como o frade gordo Fradim, o bode Orelana e o menino Ubaldo.
De acordo com fontes consolidadas, Henfil publicou suas primeiras histórias em quadrinhos nesses veículos, o que o tornou popular entre jovens e intelectuais opositores. Sua obra combinava jornalismo investigativo com sátira visual, denunciando censura, corrupção e violações de direitos humanos. Como militante católico progressista e homossexual assumido, ele enfrentou perseguições, mas deixou um legado de crítica social afiada. Sua relevância persiste como símbolo da imprensa alternativa brasileira até 2026.
Origens e Formação
Henfil cresceu em uma família numerosa e politizada em Minas Gerais. Filho de um metalúrgico, era o terceiro de oito irmãos, incluindo os ativistas Francisco (Betinho) e Herbert de Souza, fundadores da Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos (ABRANDH), depois Akz Ananias. A família Souza influenciou sua visão social desde cedo.
Ele estudou no Colégio São Francisco em Belo Horizonte e ingressou na PUC-MG, no curso de Jornalismo, mas abandonou os estudos para trabalhar. Em 1964, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou como office-boy no jornal O Globo. Ali, aprendeu o ofício jornalístico e desenhou seus primeiros cartuns. Influências iniciais incluíam cartunistas como Jaguar e Ziraldo, colegas no Pasquim.
O contexto familiar católico marcou sua formação. Henfil frequentava missas e lia a Bíblia, mas criticava a hierarquia eclesial alinhada ao regime. Não há registros de formação artística formal; seu estilo autodidata surgiu da observação da realidade brasileira sob a ditadura.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Henfil decolou no final dos anos 1960. Em 1969, juntou-se à equipe do Pasquim, semanário fundado por Tarso de Castro, Jaguar e Ziraldo. Ali, publicou cartuns semanais que satirizavam o AI-5 e a censura. Personagens como o Fradim, criado em 1972, personificavam um frade obeso e guloso que denunciava hipocrisias clericais e políticas. Outros, como o bode Orelana (símbolo de resistência burra) e o menino Ubaldo (inocência questionadora), viraram ícones.
Em 1972, lançou a revista Fradim, com tiragens de até 100 mil exemplares, apesar da censura. A publicação mesclava quadrinhos, textos e fotos, circulando até 1973. Henfil também colaborou com O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil. Em 1979, publicou o livro Avenida Brasil, com crônicas e desenhos sobre o cotidiano carioca.
Sua contribuição principal foi o jornalismo em quadrinhos político. Durante o "milagre econômico", ele expunha desigualdades; nos anos 1980, cobriu a campanha Diretas Já. Trabalhou na TV Globo em programas como TV Colosso (póstumo, via ideias), mas seu auge foi na imprensa alternativa. Até 1988, produziu milhares de cartuns, muitos recolhidos em coletâneas como Henfil Integral (2009, póstuma).
- 1969-1973: Pasquim e Fradim – sátira à ditadura.
- 1975-1980: Jornais grandes – críticas sociais.
- 1980s: Livros e ativismo – AIDS e direitos LGBT.
Vida Pessoal e Conflitos
Henfil casou-se brevemente nos anos 1970, mas assumiu publicamente sua homossexualidade em 1981, em entrevista à Veja. Militou no Grupo Gay da Bahia e defendeu direitos LGBT em tempos de estigma. Diagnosticado com AIDS em 1987, tornou-se um dos primeiros brasileiros a falar abertamente da doença, em colunas no Jornal do Brasil. Sua morte, aos 43 anos, de pneumonia pneumocística, chocou o país.
Conflitos marcaram sua vida. A ditadura censurou seus desenhos 47 vezes no Pasquim; ele foi preso em 1970 por um cartum sobre torturas. Brigou com a Igreja Católica por criticar bispos conservadores e sofreu boicotes. Problemas de saúde crônicos, como esclerose múltipla (diagnosticada cedo), limitaram sua mobilidade; usava muletas desde os 30 anos. Relações familiares foram próximas: Betinho o apoiou na luta contra a AIDS.
Henfil fumava e bebia excessivamente, hábitos que agravaram sua saúde. Não há diálogos ou pensamentos internos documentados além de entrevistas públicas, onde expressava otimismo apesar das adversidades.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Henfil influenciou gerações de cartunistas como Laerte, Angeli e Mauricio de Sousa (em aspectos sociais). Suas obras foram relançadas em edições como Fradim – Edição Definitiva (2014) e expostas em mostras no CCBB e MAM-SP. Em 2023, o documentário Henfil: A Paixão da Rua reviveu sua trajetória na Bienal do Livro.
Até 2026, seu legado é reconhecido como pioneiro da sátira política no Brasil. Escolas de jornalismo citam-no em disciplinas de charges; ativistas LGBT o veem como precursor. A família Souza continua seu ativismo via Instituto Betinho. Premiações póstumas, como o Jabuti, e ruas nomeadas em sua honra em MG perpetuam sua memória. O material indica que Henfil permanece relevante por humanizar críticas ao autoritarismo e à discriminação.
