Introdução
Greenpeace surgiu em 1971 como uma iniciativa de ativistas canadenses preocupados com testes nucleares americanos no Alasca. Fundada em Vancouver, British Columbia, a organização rapidamente se tornou um símbolo global de ativismo ambiental. Seu nome deriva da combinação de "Green" (verde, pela ecologia) e "Peace" (paz, contra armas nucleares).
Com o tempo, expandiu seu escopo para questões como caça às baleias, mudanças climáticas, oceanos plásticos e desmatamento. Presente em mais de 55 países, mobiliza três milhões de colaboradores e apoiadores individuais. Greenpeace opera de forma independente, financiada por doações privadas, sem aceitar fundos governamentais ou corporativos. Sua relevância persiste até 2026, influenciando políticas ambientais mundiais por meio de campanhas de alto impacto visual e ações diretas não violentas.
Origens e Formação
A fundação do Greenpeace remonta a 15 de setembro de 1971, em Vancouver, Canadá. O grupo inicial, chamado "Don't Make a Wave Committee", formou-se em 1970 com o objetivo de protestar contra os testes nucleares dos Estados Unidos na ilha de Amchitka, no Alasca. Ativistas como Irving Stowe, Dorothy Stowe, Jim Bohlen, Marie Bohlen e Bob Hunter lideraram a iniciativa.
O primeiro navio, Phyllis Cormack, foi rebatizado como Greenpeace e partiu em 15 de outubro de 1970 com 12 tripulantes. Embora interceptado pela Guarda Costeira dos EUA, a ação gerou cobertura midiática global, expondo os testes. Após o terremoto de 1969 no Alasca, os testes nucleares pararam em 1971, atribuído em parte à pressão pública gerada pelo Greenpeace.
Em 1972, o grupo formalizou-se como sociedade sem fins lucrativos. Bob Hunter tornou-se o primeiro presidente. Inicialmente financiado por doações locais, o Greenpeace cresceu com o apoio de celebridades e doadores individuais. Sua sede internacional estabeleceu-se em Amsterdã, Países Baixos, em 1978, para coordenar operações globais.
Trajetória e Principais Contribuições
A década de 1970 marcou o foco em campanhas antinucleares e anticaçadas. Em 1975, ativistas escalaram a Torre Eiffel com faixas contra testes nucleares franceses no atol de Mururoa. Em 1976, confrontaram caçadores de focas no Atlântico Norte, expondo a crueldade da caça comercial. Isso levou à proibição canadense da caça a crias de foca branca em 1983.
Nos anos 1980, o Greenpeace expandiu para Europa e Ásia. Campanhas contra a caça às baleias influenciaram a moratória da Comissão Baleeira Internacional em 1986. O navio Rainbow Warrior estreou em 1978, simbolizando ações marítimas. Em 1985, o Rainbow Warrior afundou em Auckland, Nova Zelândia, por bombas francesas, matando o fotógrafo Fernando Pereira. O incidente gerou condenação internacional, acelerando o fim dos testes nucleares franceses em 1996.
Na década de 1990, o foco virou para ogivas nucleares russas e derramamentos de petróleo, como o Exxon Valdez em 1989. O Greenpeace ajudou a banir o cloro no branqueamento de papel e pressionou pela proibição global de mineração no fundo marinho. Em 1995, bloqueou a retomada de testes nucleares franceses em Mururoa.
Os anos 2000 trouxeram campanhas contra organismos geneticamente modificados (OGMs), com destruição simbólica de campos experimentais na Europa. Em 2004, o Arctic Sunrise iniciou patrulhas no Ártico contra perfurações petrolíferas. O grupo influenciou a criação da Reserva da Ross Sea em 2016 e a proibição de plásticos descartáveis na União Europeia.
Até 2026, campanhas recentes incluem "Detox" contra poluentes têxteis (desde 2011, levando 80 marcas a compromissos zero descargas tóxicas) e proteção à Amazônia via relatórios anuais de desmatamento. Em 2023, ações contra plataformas de óleo no Mar do Norte e plásticos oceânicos mobilizaram milhões. O Greenpeace possui 28 escritórios nacionais e uma frota de navios como Esperanza, Arctic Sunrise e Rainbow Warrior III (lançado em 2011).
Vida Pessoal e Conflitos
Como organização, o Greenpeace não tem "vida pessoal", mas sua estrutura envolve uma rede de entidades nacionais semi-independentes sob coordenação internacional. Financiamento vem exclusivamente de doações individuais, rejeitando subsídios governamentais desde 1975 para manter independência. Em 2023, arrecadou cerca de 400 milhões de euros anuais de três milhões de apoiadores.
Controvérsias incluem críticas por métodos radicais. Em 1995, o CEO francês foi condenado por violação de sigilo em retaliação ao afundamento do Rainbow Warrior. Nos anos 2000, ações contra OGMs levaram a processos judiciais na Índia e Europa por danos a plantações. Em 2012, 30 ativistas foram presos na Rússia por escalada de uma plataforma de petróleo da Gazprom no Ártico, gerando debate sobre limites do ativismo direto.
Internamente, houve cisões: em 1978, fundadores como Bob Hunter deixaram por divergências estratégicas, priorizando mídia sobre ação direta. Em 2021, vazamentos internos revelaram tensões salariais e diversidade. Críticos, como a indústria pesqueira, acusam sabotagem; defensores destacam impacto sem violência contra pessoas. O Greenpeace responde com princípios de não violência estrita e transparência anual de relatórios financeiros.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O Greenpeace moldou o ativismo moderno, popularizando táticas de ação direta como infláveis contra navios baleeiros e escaladas de chaminés industriais. Influenciou tratados como o Protocolo de Montreal (1987) contra CFC e o Acordo de Paris (2015) sobre clima. Até 2026, sua rede de 55 países e três milhões de colaboradores sustenta pressão contínua.
Relatórios como "Destino Final dos Plásticos" (2018) expõem fluxos globais de resíduos, impulsionando leis em 60 nações. No Brasil, campanhas contra Belo Monte e soja na Amazônia geraram vitórias judiciais. Em 2025, ações contra deep-sea mining bloquearam licenças na Clarion-Clipperton Zone. Seu legado reside na conscientização pública, com 80% das metas de campanhas históricas alcançadas, segundo relatórios internos. Permanece referência para ONGs como WWF e Sea Shepherd.
