Introdução
Green Book: O Guia, lançado em 2018, é um filme norte-americano de comédia dramática dirigido por Peter Farrelly. O título refere-se ao Negro Motorist Green Book, um guia real de viagens para afro-americanos durante a era da segregação racial nos EUA. A trama baseia-se na história verídica da amizade entre o pianista clássico Don Shirley, interpretado por Mahershala Ali, e Tony "Lip" Vallelonga, motorista ítalo-americano vivido por Viggo Mortensen. Ambientado em 1962, o filme acompanha uma turnê musical pelo sul dos Estados Unidos, destacando tensões raciais e o desenvolvimento de uma relação improvável. Estreou no Festival de Toronto em setembro de 2018 e foi lançado nos cinemas em novembro do mesmo ano. Em 2019, venceu o Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) e Melhor Roteiro Original, entre outros prêmios. Dirigido por Farrelly, conhecido por comédias como There's Something About Mary (1998), o filme marca sua transição para dramas com humor. O roteiro foi escrito por Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly, inspirado em relatos familiares de Vallelonga. Sua recepção gerou debates sobre precisão histórica e representações raciais, mas consolidou-se como um sucesso comercial, arrecadando mais de 321 milhões de dólares mundialmente com orçamento de 23 milhões.
Origens e Formação
O conceito do filme surgiu de memórias pessoais de Nick Vallelonga, filho de Tony Vallelonga. Tony, um bouncer de boate em Nova York, trabalhou como motorista de Don Shirley em 1962. Shirley, um pianista clássico talentoso com doutorados em música, literatura e psicologia pela Universidade de Nova York, contratou Tony para uma turnê de duas meses pelo Deep South. O Negro Motorist Green Book, publicado de 1936 a 1966 por Victor Hugo Green, serviu como inspiração literal e simbólica, listando estabelecimentos seguros para negros viajantes.
Peter Farrelly, irmão de Bobby Farrelly, dirigiu o projeto após anos de tentativas para adaptá-lo. Nick Vallelonga escreveu o roteiro inicial nos anos 1990, mas enfrentou resistências de estúdios. Em 2016, Farrelly assumiu, com produção de Participante Media, que foca em histórias sociais. Viggo Mortensen, indicado ao Oscar por Eastern Promises (2007), e Mahershala Ali, de Moonlight (2016), foram escalados após audições. Linda Cardellini interpreta Dolores, esposa de Tony, enquanto Dimiter D. Marinov vive o irmão de Shirley. Filmagens ocorreram em Nova Orleans e Louisiana em 2017, recriando locações dos anos 1960 com fidelidade. O score, composto por Kris Bowers – neto de um homem que dirigiu com o Green Book –, inclui jazz e clássicos tocados por Ali, treinado para o papel.
Trajetória e Principais Contribuições
O filme estreou mundialmente no Toronto International Film Festival em 16 de setembro de 2018, vencendo o Prêmio do Público. Lançado comercialmente nos EUA em 21 de novembro de 2018 pela Universal Pictures, expandiu-se internacionalmente em 2019. Arrecadou 170 milhões de dólares nos EUA e Canadá, mais 151 milhões no exterior.
Na 91ª edição do Oscar, em 24 de fevereiro de 2019, Green Book surpreendeu ao vencer Melhor Filme, superando favoritos como Roma e A Favorita. Mahershala Ali levou Melhor Ator Coadjuvante, seu segundo Oscar consecutivo. Nick Vallelonga, Brian Currie e Peter Farrelly ganharam Melhor Roteiro Original. Outros prêmios incluem Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, Producers Guild Award e BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante para Ali.
Contribuições incluem popularizar a história de Don Shirley, pouco conhecido apesar de sua carreira nos anos 1950-60, com álbuns como Water Boy (1960). O filme destaca o Green Book, elevando awareness sobre segregação Jim Crow. Cenas icônicas, como Tony comendo fried chicken ou tocando piano em bar sulista, misturam humor com crítica racial. Farrelly equilibra comédia slapstick e drama, evitando excessos sentimentais.
| Marcos Principais | Data | Detalhes |
|---|---|---|
| Estreia em Festival de Toronto | Setembro 2018 | Prêmio do Público |
| Lançamento nos EUA | 21/11/2018 | Bilheteria inicial de 1,2 milhão |
| Oscar de Melhor Filme | 24/02/2019 | 3 estatuetas |
| Arrecadação global | Até 2019 | 321,7 milhões USD |
Vida Pessoal e Conflitos
O filme retrata Tony como rude e preconceituoso inicialmente, evoluindo via amizade com Shirley, que enfrenta racismo velado como artista "excepcional". Dolores envia cartas, e Shirley revela isolamento social. Fora da tela, controvérsias surgiram pós-lançamento. Em 2019, a família de Don Shirley – falecido em 2013 – contestou a narrativa via The Washington Post. Afirmaram que Shirley e Tony não eram amigos íntimos; Shirley descrevia Tony como "empregado". Críticos como Ira Deutchman questionaram simplificações, como Shirley bebendo iogurte em vez de aprender a gostar de frango frito. Nick Vallelonga rebateu, citando cartas e relatos de Tony. Peter Farrelly admitiu licenças dramáticas, mas defendeu a essência emocional.
Viggo Mortensen enfrentou backlash por usar "black" em tom pejorativo durante promoção, apologizando publicamente. Mahershala Ali consultou família de Shirley, mas priorizou visão de Vallelonga. Apesar disso, o filme manteve apoio de críticos como Roger Ebert (3,5/4 estrelas), elogiando química entre atores.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até 2026, Green Book permanece referência em discussões sobre amizade interracial e racismo histórico. Disponível em streaming como Netflix e HBO Max em ciclos, influenciou produções como The United States vs. Billie Holiday (2021). Peter Farrelly dirigiu The Greatest Beer Run Ever (2022), expandindo seu portfólio. Mahershala Ali estrelou Eternals (2021) e Swarm (2023), consolidando status. Viggo Mortensen retornou a arthouse com The Dead Don't Die (2019).
Críticas persistem em círculos acadêmicos, como em estudos de Spike Lee, que o chamou de "punch down". No entanto, o filme impulsionou interesse pelo Green Book real, republicado em edições modernas. Em 2023, documentários sobre Don Shirley citaram-no como ponto de entrada. Sua vitória no Oscar reflete apelo de narrativas "feel-good" em premiações, contrastando com Bohemian Rhapsody. Até fevereiro 2026, sem sequências anunciadas, mantém relevância em listas de "melhores filmes da década" por sites como IMDb (8,2/10 de 750 mil votos). Representa tensão entre entretenimento acessível e história complexa, sem projeções futuras.
