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Getúlio Vargas

Getúlio Vargas

Biografia Completa

Introdução

Getúlio Dornelles Vargas nasceu em 19 de abril de 1883, em São Borja, Rio Grande do Sul, e faleceu em 24 de agosto de 1954, no Rio de Janeiro. Foi presidente do Brasil por um total de dezenove anos, divididos em dois mandatos principais: de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954. Sua trajetória política marcou profundamente o país, com a Revolução de 1930 que o levou ao poder, o regime autoritário do Estado Novo e reformas trabalhistas e industriais que moldaram a sociedade brasileira.

De acordo com dados históricos consolidados, Vargas emergiu como figura central após a crise da República Oligárquica. Governou em contextos de instabilidade, como a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. Seu suicídio, acompanhado de uma carta-testamento, gerou comoção nacional e influenciou eleições subsequentes. Até 2026, seu legado divide opiniões: para alguns, modernizador; para outros, ditador. A relevância persiste em debates sobre populismo e Estado interventor no Brasil.

Origens e Formação

Getúlio Vargas cresceu em uma família de tradição militar e política no interior gaúcho. Seu pai, Manuel do Nascimento Vargas, era militar, e sua mãe, Cândida Dornelles Vargas, descendia de famílias influentes. São Borja, sua cidade natal, era fronteiriça com a Argentina, ambiente que moldou sua visão regionalista inicial.

Aos 15 anos, Vargas mudou-se para Porto Alegre para estudar no Colégio Militar de Porto Alegre, concluindo o curso em 1898. Posteriormente, formou-se em Direito pela Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre em 1907. Durante a juventude, envolveu-se em conflitos locais, como a Revolução Federalista (1893-1895), embora ainda criança, e a Revolta da Vacina no Rio de Janeiro em 1904, que testemunhou.

Sua entrada na política ocorreu cedo. Em 1909, foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul pelo Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), dominado por Júlio de Castilhos, cujo positivismo legalitário influenciou Vargas. Como deputado, defendeu pautas gaúchas, como estradas e educação. Em 1923, elegeu-se deputado federal, atuando na Câmara até 1926. Esses anos forjaram sua habilidade retórica e rede de aliados, conhecida como "tenentistas" e oligarcas regionais.

Trajetória e Principais Contribuições

A ascensão nacional de Vargas veio com a Revolução de 1930. Após a eleição de Júlio Prestes em 1930, contestada por fraude, Vargas liderou a Aliança Liberal contra o presidente Washington Luís. Tropas gaúchas e mineiras depuseram Luís em outubro de 1930, instalando Vargas como chefe provisório do governo. Governou sem Constituição até 1934.

Em 1932, enfrentou a Revolução Constitucionalista em São Paulo, que exigia eleições. Vargas concedeu a Constituição de 1934, mas manteve poder concentrado. Em 1935, comunistas intentaram golpe (Intentona Comunista), reprimido com rigor. Em 1937, ante ameaça de esquerda e direita (Ação Integralista Brasileira), Vargas proclamou o Estado Novo via Decreto 1.134, dissolvendo o Congresso e instituindo censura e Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Durante o Estado Novo (1937-1945), Vargas centralizou o poder. Criou o Tribunal Superior do Trabalho e, em 1943, a CLT, que unificou direitos trabalhistas como salário mínimo, jornada de 8 horas e férias remuneradas. Impulsionou a industrialização: fundou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda (1941), a Vale do Rio Doce (1942) e preparou a criação da Petrobras (1953). Na Segunda Guerra, inicialmente neutro, rompeu com o Eixo em 1942 e enviou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) à Itália em 1944.

Deposto em 29 de outubro de 1945 por pressão militar e dos EUA, Vargas retornou à política. Em 1946, fundou o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Democrático (PSD). Candidatou-se em 1945, mas perdeu para Eurico Gaspar Dutra. Em 1950, eleito presidente com 48,79% dos votos, governou até 1954, criando o BNDES e acelerando a Eletrobras.

  • Marcos chave:
    • 1930: Início do governo provisório.
    • 1937: Estado Novo.
    • 1943: CLT.
    • 1953: Petrobras.
    • 1954: Carta-testamento e suicídio.

Vida Pessoal e Conflitos

Vargas casou-se em 1894 com Darcy Lake, prima distante, com quem teve cinco filhos: Lutero, Getúlio (Jurema), Alzira, Oswaldo e Darcy. Darcy Lake faleceu em 1930, logo após a Revolução. A família residiu no Palácio de Catete, palco de seu fim. Alzira Vargas foi confidente política, atuando como secretária informal.

Conflitos marcaram sua vida. Acusado de corrupção em 1954 pela oposição (UDN), enfrentou crise com a revista O Cruzeiro e o bombardeio do quartel-general do II Exército. Pressionado por militares, optou pelo suicídio com tiro no coração, deixando carta-testamento lida nacionalmente: "Saio da vida para entrar na história". O ato gerou mobilizações populares pró-Vargas.

Críticas incluem autoritarismo: prisões de opositores como Luís Carlos Prestes (1936-1945) e censura. Aliados o viam como protetor dos trabalhadores; detratores, como populista manipulador.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Até 2026, o legado de Vargas influencia o Brasil. A CLT permanece base dos direitos trabalhistas, apesar de reformas como a de 2017. Políticas estatais, como Petrobras e BNDES, simbolizam nacional-desenvolvimentismo. Seu estilo populista ecoa em líderes subsequentes, de João Goulart a Lula.

Historiadores debatem: para Boris Fausto, modernizador autoritário; para Thomas Skidmore, pai do corporativismo. Em 2023, centenário da Revolução de 1930 gerou eventos acadêmicos. Museus como o de São Borja preservam sua memória. Divisões persistem: herói para esquerda trabalhista, vilão para liberais. Sua frase "O povo quer solução, não conversa" resume abordagem pragmática. Não há projeções além de fatos consolidados até fevereiro de 2026.

Pensamentos de Getúlio Vargas

Algumas das citações mais marcantes do autor.