"Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais - se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não ser o símbolo de toda a vida."
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Fernando Pessoa
Fernando Pessoa (1888-1935) foi um dos mais importantes poetas em língua portuguesa, a figura central do Modernismo português
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Frases - Página 31
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"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão."
"Se um homem escreve bem só quando está bêbado, dir-lhe-ei: embebede-se. E se ele me disser que o seu fígado sofre com isso respondo: o que é o seu fígado? É uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto. Bernardo Soares"
"Gastei tudo que não tinha. Sou mais velho do que sou. A ilusão, que me mantinha, Só no palco era rainha: Despiu-se, e o reino acabou. (...) Que fiz de mim? Encontrei-me Quando estava já perdido. Impaciente deixei-me Como a um louco que teime No que lhe foi desmentido."
"O que me dói não é O que há no coração Mas essas coisas lindas Que nunca existirão… São as formas sem forma Que passam sem que a dor As possa conhecer Ou as sonhar o amor. São como se a tristeza Fosse árvore e, uma a uma, Caíssem suas folhas Entre o vestígio e a bruma."
"Noite Ó noite onde as estrelas mentem luz, ó noite, única coisa do tamanho do universo, torna-me, corpo e alma, parte do teu corpo, que eu me perca em ser mera treva e me torne noite também, sem sonhos que sejam estrelas em mim, nem sol esperado que ilumine do futuro."
""Substitui-te sempre a ti - próprio. Tu não és bastante para ti. Sê sempre imprevenido [?] por ti - próprio. Acontece-te perante ti - próprio. Que as tuas sensações sejam meros acasos, aventuras que te acontecem. Deves ser um universo sem leis para poderes ser superior""
"Contemplo o lago mudo que a brisa estremece Não sei se penso em tudo ou se o tudo me esquece O lago nada me diz, não sinto a brisa mexe-lo Não sei se sou feliz nem se desejo se-lo Tremulos rincos risonhos na agua adormecida porque fiz eu dos sonhos a minha única vida?"
"A chuva desce a ladeira A água da chuva desce a ladeira. É uma água ansiosa. Faz lagos e rios pequenos, e cheira A terra a ditosa. Há muitos que contam a dor e o pranto De o amor os não qu'rer... Mas eu, que também não os tenho, o que canto É outra coisa qualquer."
"Que idéia tenho eu das cousas? Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a criação do Mundo? Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos Enão pensar. É correr as cortinas Da minha janela (mas ela não tem cortinas)."
"As nuvens são sombrias As nuvens são sombrias Mas, nos lados do sul, Um bocado do céu É tristemente azul. Assim, no pensamento, Sem haver solução, Há um bocado que lembra Que existe o coração. E esse bocado é que é A verdade que está A ser beleza eterna Para além do que há."
"Não vieste à terra para perguntar Se Deus, vida ou morte existem ou não. Pega a ferramenta para trabalhar Pondo na tarefa cada pulsação. Ferramenta tens, não procures em vão – Saúde, fé em ti, arte eficiente, Capacidade, poder de expressão, Coração sensível e força da mente."