Introdução
Federico Fellini nasceu em 20 de janeiro de 1920, em Rimini, na Itália. Morreu em 31 de dezembro de 1993, em Roma. Cineasta italiano de renome global, ele dirigiu 24 filmes entre 1950 e 1993. Seus trabalhos definem o cinema autoral italiano, transitando do neorrealismo para um estilo onírico e autobiográfico.
Fellini ganhou quatro Oscars de Melhor Filme Estrangeiro por La Strada (1954), As Noites de Cabíria (1957), 8½ (1963) e Amarcord (1974). Recebeu também a Palma de Ouro em Cannes por La Dolce Vita (1960) e um Oscar honorário em 1993 por sua carreira. Seus filmes retratam a sociedade italiana com sátira, melancolia e fantasia. Ele colaborou com roteiristas como Ennio Flaiano e Tullio Pinelli. Fellini moldou o imaginário cinematográfico do século XX, influenciando diretores como Woody Allen e David Lynch.
Origens e Formação
Fellini cresceu em Rimini, uma cidade litorânea da Emilia-Romagna. Filho de Umberto, administrador de contabilidade, e Ida Barbiani, confeiteira, ele tinha um irmão mais velho, Riccardo, e uma irmã, Maria. A infância incluiu verões no vilarejo de Gambrinus, com a avó Maria. Essas memórias inspiraram filmes posteriores.
Aos 18 anos, em 1938, mudou-se para Florença para estudar direito, mas abandonou os estudos. Trabalhou como cartunista para o jornal Tobia e depois para Il Popolo di Roma, em Roma. Desenhou sátiras sob o pseudônimo Feds. Em 1939, conheceu a atriz Giulietta Masina durante uma transmissão de rádio.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Fellini atuou como repórter e dublê de jornalista. Escreveu roteiros para rádio e trabalhou com Aldo Fabrizi. Em 1943, casou-se com Masina. Após a guerra, em 1944, roteirizou Roma Cidade Aberta de Roberto Rossellini. Essa colaboração marcou sua entrada no cinema. Fellini coescreveu Paisà (1946) e Amor (1948), também de Rossellini.
Trajetória e Principais Contribuições
Fellini estreou como diretor em 1950 com Luzes da Variedade (Luci del Varietà), codirigido com Alberto Lattuada. O filme fracassou comercialmente, mas revelou seu talento. Em 1952, dirigiu O Sheik Branco (Lo Sceicco Bianco), sátira sobre escapismo popular.
O sucesso veio com I Vitelloni (1953), retrato de jovens ociosos em uma cidade provinciana. O filme ganhou o Leão de Prata em Veneza. Em 1954, La Strada apresentou Anthony Quinn e Giulietta Masina como Gelsomina. Venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e revelou o estilo felliniano: mistura de realismo e poesia.
As Noites de Cabíria (1957) deu outro Oscar a Masina como prostituta esperançosa. La Dolce Vita (1960), com Marcello Mastroianni como jornalista, chocou com cenas de excessos romanos. Ganhou a Palma de Ouro e popularizou termos como "paparazzo". O filme criticava a decadência moral italiana.
8½ (1963) é semi-autobiográfico. Mastroianni interpreta Guido Anselmi, diretor em crise criativa. Venceu o Oscar e Palme d'Or. Fellini explorou o subconsciente com imagens circenses e surrealistas. Em 1965, Juliet dos Espíritos foi seu primeiro em cores, estrelado por Masina.
A Voz do Silêncio (Fellini Satyricon, 1969) adaptou Petrônio com visual barroco. Roma (1972) homenageou a cidade eterna. Amarcord (1974), nostalgia de Rimini sob fascismo, levou outro Oscar. Casanova (1976), com Donald Sutherland, analisou o sedutor veneziano.
Na década de 1980, produziu A Cidade das Mulheres (1979), E la Nave Va (1983) e Ginger e Fred (1985). Seu último filme, A Voz da Lua (1990), com Roberto Benigni, lidou com loucura e modernidade. Fellini recusou Hollywood, mantendo controle autoral.
Ele ganhou o Urso de Ouro honorário em Berlim (1987) e a Medalha de Ouro do Mérito na Itália.
Vida Pessoal e Conflitos
Fellini casou-se com Giulietta Masina em 30 de outubro de 1943. O casal adotou uma filha, Pierfederica, em 1960, que morreu aos três meses. Não tiveram outros filhos. Masina atuou em vários filmes dele e foi sua confidente.
Fellini fumava muito e sofria de ansiedade. Na década de 1970, enfrentou depressão e crises criativas, retratadas em 8½. Consultou o psicanalista Ernst Bernhard, influenciando seu interesse por sonhos e tarô. Político moderado, criticou o fascismo em Amarcord, mas admirava Mussolini na infância.
Enfrentou censura na Itália. La Dolce Vita foi condenado pelo Vaticano. Brigou com produtores por orçamentos altos. Em 1992, sofreu um derrame que limitou sua mobilidade. Internado em dezembro de 1993 por angina, morreu de trombose coronária.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Fellini influenciou gerações de cineastas. Seu adjetivo "felliniano" descreve mundos circenses e oníricos. O Museu Fellini em Rimini preserva seu acervo. Em 2020, celebrou-se o centenário com restaurações e exposições.
Até 2023, seus filmes rodam em festivais. La Dolce Vita e 8½ integram listas da Sight & Sound como maiores de todos os tempos. Plataformas como Criterion Channel disponibilizam suas obras. Em 2024, Rimini sediou eventos pelo centenário contínuo. Seu estilo ressoa em narrativas pós-modernas, como em The Grand Budapest Hotel de Wes Anderson.
Fellini simboliza o cinema europeu de autor contra o comercial. Sua crítica à celebridade permanece atual em era de redes sociais.
