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Fagundes Varela

Fagundes Varela

Biografia Completa

Introdução

Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em 17 de agosto de 1841, em Mariana, Minas Gerais. Filho de imigrantes portugueses, órfão de pai aos três anos e de mãe aos 15, cresceu sob os cuidados da avó. Estudou no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde iniciou sua vocação poética.

Membro da terceira geração romântica brasileira, o ultrarromantismo, Fagundes Varela ganhou o apelido de “Poeta da Natureza”. Seus versos reproduzem com fidelidade a flora, fauna e paisagens do Brasil, diferenciando-se do indianismo predominante. Obras como Noturnas (1865) e Cânticos do Coração (1873) o consagraram. Morreu em 17 de fevereiro de 1875, em Niterói, Rio de Janeiro, aos 33 anos, vítima de tuberculose. Sua produção poética influencia até hoje a literatura brasileira pela fusão de lirismo e realismo natural.

Origens e Formação

Fagundes Varela veio ao mundo em uma família modesta. Seu pai, Francisco de Paula Varela, era açoriano; a mãe, Maria das Dores Fagundes, brasileira. A morte precoce do pai, em 1844, deixou a família em dificuldades. Varela mudou-se para o Rio de Janeiro ainda criança.

A avó materna assumiu sua criação. Aos 12 anos, ingressou no Colégio Pedro II, instituição de elite. Lá, conviveu com futuros escritores como Bernardo Guimarães e Franklin Távora. O ambiente fomentou seu interesse pela poesia. Influenciado pelo romantismo europeu, especialmente Lord Byron, Varela absorveu o tom byroniano de melancolia e rebeldia.

Não concluiu os estudos formais. Aos 17 anos, abandonou o colégio para trabalhar como tipógrafo na Imprensa Nacional. Essa experiência o aproximou da edição e publicação. Em 1860, publicou seus primeiros versos em jornais cariocas, como Correio Mercantil. Esses poemas iniciais já revelavam sensibilidade para a natureza brasileira, tema que o definiria.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Varela decolou na década de 1860. Em 1863, lançou Vozes da América, seu primeiro livro, com poemas patrióticos e descrições naturais. A obra passou despercebida, mas marcou sua estreia.

O sucesso veio com Noturnas (1865), aos 24 anos. O livro reúne sonetos e odes noturnas, exaltando a lua, estrelas e florestas tropicais. Críticos elogiaram a precisão descritiva: “É o poeta que melhor reproduz a natureza nos versos brasileiros”, conforme registros da época. Poemas como “A uma Estrela” e “Solidão” exemplificam o lirismo introspectivo.

Viajou para São Paulo em 1866, onde colaborou com jornais abolicionistas. Publicou Mensagens do Coração (1867? Dados indicam dispersos em periódicos), mas enfrentou censura por versos eróticos. De volta ao Rio, integrou a boemia literária. Em 1872, editou Cânticos do Coração, com temas de amor maternal e dor pessoal. Destaque para “A Margarida”, hino à maternidade.

Sua terceira fase, em Cânticos do Céu (1873), aprofunda a espiritualidade natural. Poemas celebram cachoeiras, matas e o céu brasileiro. Varela inovou ao priorizar o real sobre o exótico, contrastando com Álvares de Azevedo, seu contemporâneo byroniano.

Publicou também em folhetos e revistas. Em 1874, Lira dos Cem anos homenageou o centenário da Independência. Sua produção totaliza cerca de 200 poemas, dispersos em coletâneas póstumas como Obras Completas (1878). Contribuições principais:

  • Exaltação da natureza brasileira: Descrições vívidas de ipês, jabuticabas e Iguassu.
  • Ultrarromantismo acessível: Mistura de mal do século com otimismo natural.
  • Poesia social: Versos abolicionistas e republicanos discretos.

Vida Pessoal e Conflitos

Varela casou-se em 1863 com Elisa de Sousa Vianna, com quem teve seis filhos. A união azedou pela boemia do poeta. Gastador, acumulou dívidas com jogos e saídas noturnas. Separaram-se em 1870; Elisa ficou com as crianças.

Sofreu com a morte de dois filhos pequenos, o que inspirou poemas de luto. Tuberculose o acometeu cedo, agravada pelo estilo de vida. Viveu em hotéis precários em Niterói nos últimos meses. Amigos como Artur Barreiros o socorreram.

Críticas o acusavam de imoralidade por versos sensuais. A imprensa conservadora o rotulou de “poeta maldito”. Apesar disso, manteve círculo literário com Tobias Barreto e Sousândrade. Não há registros de grandes escândalos públicos, mas sua vida errante contrastava com a pureza dos versos.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Fagundes Varela consolidou-se como ponte entre romantismo e realismo. Antologias escolares incluem seus poemas desde o Império. Em 1921, centenário de nascimento, o Brasil ergueu monumentos em Mariana e Niterói.

Críticos como Mário de Andrade o elogiaram em Aspectos da Literatura Brasileira (1943) pela “natureza viva”. Até 2026, edições críticas de Noturnas circulam em universidades. Influencia poetas ecológicos contemporâneos, como nos estudos sobre romantismo ambiental.

Em 1975, sesquicentenário de morte, seminários na USP analisaram seu indianismo sutil. Obras completas, editadas por José Aderaldo Castello em 1983, permanecem referência. Sua imagem de “Poeta da Natureza” persiste em sites educativos e Pensador.com, destacando versos como: “Ó natureza! Ó mãe fecunda e santa!”. Sem projeções, seu impacto reside na preservação da identidade natural brasileira na poesia.

Pensamentos de Fagundes Varela

Algumas das citações mais marcantes do autor.