Introdução
Eva Mozes Kor nasceu em 31 de janeiro de 1934, em Portz, uma pequena aldeia no noroeste da Romênia, então parte da Hungria. Judia de origem húngara, ela e sua irmã gêmea idêntica, Miriam, foram vítimas centrais dos experimentos médicos nazistas em Auschwitz. Deportadas em maio de 1944, aos 10 anos, separaram-se de seus pais e irmãs mais velhas, que pereceram nas câmaras de gás. Sobreviveram aos testes brutais de Josef Mengele, o "Anjo da Morte", que usava gêmeos para pesquisas pseudocientíficas.
Libertadas pelos soviéticos em janeiro de 1945, Eva e Miriam reconstruíram vidas nos EUA após passarem por campos de deslocados na Europa e Palestina. Eva tornou-se palestrante, autora e ativista. Fundou em 1985 a CANDLES (Children of Auschwitz Nazi Dr. Josef Mengele Twin Survivors), em Terre Haute, Indiana, para preservar testemunhos de gêmeos sobreviventes. Seu ato de perdão público aos nazistas em 1995 chocou o mundo, mas reforçou sua mensagem de cura pelo perdão. Até sua morte em 4 de julho de 2019, em Cracóvia, Polônia, durante uma viagem de testemunho, educou milhões sobre o Holocausto. Seus livros, como "As Gémeas de Auschwitz" (colaboração com Lisa Rojany Buccieri), documentam fatos com precisão factual. Sua relevância persiste em debates sobre memória histórica e resiliência humana.
Origens e Formação
Eva nasceu em uma família judaica pobre de agricultores. Seus pais, Alexander e Frimette Mozes, tiveram 10 filhos, mas apenas quatro sobreviveram à infância: as gêmeas Eva e Miriam, e as irmãs mais velhas Edit e Aliz. A família enfrentava antissemitismo crescente na região de Transilvânia, anexada pela Hungria em 1940. Eva descreveu uma infância simples, com brincadeiras no campo, mas marcada por discriminação: judeus não podiam frequentar escolas locais após leis antissemitas.
Em 1944, após a ocupação nazista da Hungria, a família foi confinada em um gueto em Șimleu Silvaniei. Em 29 de maio, deportaram-nos em trem lotado para Auschwitz-Birkenau. Ao chegar, Mengele selecionou as gêmeas para o "zoológico humano". Pais e irmãs foram enviados diretamente para as câmaras de gás; Eva nunca mais os viu. Nos barracões de gêmeos, cerca de 1.500 crianças judaicas foram isoladas para experimentos. Eva e Miriam receberam injeções diárias de substâncias desconhecidas, exames de sangue forçados e cirurgias sem anestesia. Quando Miriam adoeceu com febre alta – possivelmente tifus ou envenenamento experimental –, médicos extraíram sangue de Eva para transfusões, salvando a irmã.
A libertação veio em 27 de janeiro de 1945. Os soviéticos encontraram as gêmeas exaustas, pesando 25 kg cada. Órfãs, foram para o campo de Katowice, depois Łódź, e um orfanato em Cracóvia. Em 1947, uma tia as levou para a Palestina, onde viveram em um kibutz. Eva aprendeu hebraico e inglês, mas sofria pesadelos recorrentes. Em 1950, aos 16 anos, emigraram para os EUA com ajuda de parentes em Augusta, Geórgia. Lá, Eva concluiu o ensino médio e ingressou na Universidade de Indiana, formando-se em farmácia em 1960.
Trajetória e Principais Contribuições
Nos EUA, Eva casou-se em 1960 com Michael John Kor, um farmacêutico judeu não praticante, com quem teve três filhos: Ian Alexander, Romy (falecida em 2018) e Alex. Trabalhou como técnica de farmácia por 20 anos, enquanto lidava com traumas em silêncio. Em 1978, encontrou outros sobreviventes de Mengele em uma conferência em Nova York, revelando detalhes de Auschwitz pela primeira vez publicamente. Isso impulsionou sua ativismo.
Em 1984, reuniu 60 gêmeos sobreviventes na Marcha da Vida em Auschwitz, fortalecendo laços. Fundou a CANDLES em 1985, inicialmente em casa, depois em um museu dedicado em 1995, Terre Haute. A organização coletou depoimentos, organizou palestras e um museu com artefatos, incluindo fotos de Mengele. Em 1992, publicou "Surviving the Angel of Death" com Miriam, traduzido como "As Gémeas de Auschwitz" (2019, com Lisa Rojany Buccieri pela editora Sextante no Brasil). O livro detalha horrores factuais: seleções, injeções que causavam bolhas e paralisia, e a morte de 90% das crianças gêmeas. Outras obras incluem "Eva's Story" e coletâneas de palestras.
Sua contribuição máxima veio em 27 de janeiro de 1995, no 50º aniversário da libertação de Auschwitz. Eva assinou um "Contrato de Perdão" simbólico, perdoando Mengele e nazistas para libertar-se do ódio. Conheceu Oskar Gröning, SS de Auschwitz, e o abraçou publicamente. Isso gerou controvérsias, mas atraiu audiências globais. Palestrou em escolas, museus e ONU, alcançando milhões. Em 2015, testemunhou no julgamento de Oskar Gröning em Hanover. Expandiu CANDLES com um centro educacional em 2003, destruído por incêndio em 2019 (investigado como crime de ódio), mas reconstruído.
Vida Pessoal e Conflitos
Eva manteve contato diário com Miriam até a morte desta em 2019, aos 83 anos, vítima de câncer. O casamento com Michael durou até sua morte em 2013; ele apoiou seu ativismo. Seus filhos ajudaram na CANDLES. Eva lidava com PTSD: pesadelos, raiva e desconfiança em médicos. Rejeitava terapia inicialmente, optando pelo perdão como cura.
Conflitos surgiram com a comunidade judaica: rabinos criticaram seu perdão como absolvição nazista, ignorando justiça. Sobreviventes a acusaram de minimizar horrores. Eva respondia que perdoava nazistas individuais, não atos, para quebrar ciclos de ódio. Enfrentou antissemitismo nos EUA e na Romênia natal. Em 2018, processou a farmácia onde trabalhava por assédio, mas focou em educação. Sua saúde declinou; morreu de pneumonia durante viagem a Cracóvia para Marcha da Vida.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Eva impactou educação holocausto: CANDLES treinou professores e preservou 150 depoimentos de gêmeos. Seu museu atrai 10 mil visitantes anuais. Livros venderam centenas de milhares, usados em currículos escolares. O perdão inspirou debates em psicologia e ética, citados em estudos sobre trauma (ex.: APA journals até 2020).
Até 2026, sua influência persiste em memoriais: estátua em Terre Haute (2021), documentários como "Eva" (2019) e prêmios póstumos. Miriam's death e incêndio testaram legado, mas reconstrução em 2022 reforça missão. Eva alertava contra negacionismo, relevante em ascensão global de extremismos. Seus fatos documentados combatem distorções, garantindo que horrores de Auschwitz não sejam esquecidos.
