Introdução
Euryclides de Jesus Zerbini nasceu em 20 de janeiro de 1912, em Piraju, interior de São Paulo, e faleceu em 3 de junho de 1993, em São Paulo. Cardiologista e cirurgião pioneiro, ele é amplamente reconhecido como um dos introdutores da cirurgia cardiovascular moderna no Brasil. De acordo com fontes consolidadas, Zerbini realizou o primeiro transplante de coração no país, em 2 de dezembro de 1968, posicionando-se entre os primeiros médicos do mundo a executar esse procedimento após o pioneirismo de Christiaan Barnard na África do Sul, em 1967.
Sua relevância reside na fundação do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-USP), em 1972, que se tornou referência nacional e internacional em cardiologia. Zerbini formou gerações de cirurgiões e impulsionou políticas de saúde cardiovascular. Os dados fornecidos e o conhecimento histórico até 2026 confirmam seu papel central na transição da medicina brasileira de procedimentos básicos para intervenções complexas, salvando inúmeras vidas por meio de técnicas inovadoras. Sua dedicação à pesquisa e ao ensino elevou o Brasil no mapa global da cirurgia cardíaca.
Origens e Formação
Zerbini cresceu em Piraju, cidade paulista marcada pela agricultura cafeeira. Filho de família modesta, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 1931, formando-se em 1936. Durante a graduação, destacou-se em disciplinas cirúrgicas, completando residência no Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-FMUSP).
Em 1945, viajou à França para especialização em cirurgia torácica. Estudou no Hospital Laënnec, em Paris, sob orientação de René Leriche e Paul Richet, mestres em cirurgia vascular e torácica. Permaneceu no exterior até 1948, absorvendo técnicas avançadas de toracoplastia e pneumonectomia, raras na época no Brasil. De volta, integrou o corpo docente da FMUSP e organizou o Serviço de Cirurgia Torácica do HC-SP em 1949.
Essa formação europeia foi decisiva. Zerbini adaptou métodos para realidades locais, como tuberculose pulmonar endêmica, realizando milhares de intervenções torácicas nos anos 1950. Não há detalhes no contexto sobre influências familiares ou infância específica, mas sua trajetória reflete determinação em superar limitações regionais da medicina brasileira pré-Segunda Guerra.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Zerbini evoluiu de cirurgias torácicas para cardíacas. Em 1950, introduziu a cirurgia cardíaca aberta no Brasil, com fechamento de persistência do canal arterial no HC-SP. Nos anos 1950, implantou valvuloplastias mitral e aórtica, seguindo padrões internacionais de Bigelow e Harken.
Em 1962, realizou o primeiro implante de marca-passo artificial no Brasil, em paciente com bloqueio atrioventricular completo. Esse marco controlou arritmias e pavimentou avanços em eletrofisiologia. Zerbini expandiu o serviço cardiovascular, treinando residentes e publicando em revistas como o Journal of Thoracic Surgery.
O ápice veio com transplantes. Em 2 de dezembro de 1968, no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, transplantou coração de doador para Aurélio Américo de Freitas, operário de 58 anos. O paciente faleceu após quatro dias por infecção, mas o procedimento demonstrou viabilidade técnica. Zerbini posicionou o Brasil entre os poucos países com essa capacidade, logo após Barnard. Realizou outros transplantes nos anos seguintes, refinando imunossupressão.
Em 1972, fundou o InCor-USP, integrando pesquisa, ensino e assistência. O instituto realizou milhares de cirurgias anuais, desenvolveu próteses valvares nacionais e liderou estudos epidemiológicos sobre doença coronariana. Zerbini presidiu a Sociedade Brasileira de Cardiologia (1958-1960) e a Academia Nacional de Medicina (1980s).
Principais marcos:
- 1936: Graduação FMUSP.
- 1949: Serviço de Cirurgia Torácica HC-SP.
- 1950: Primeira cirurgia cardíaca aberta no Brasil.
- 1962: Primeiro marca-passo.
- 1968: Primeiro transplante cardíaco brasileiro.
- 1972: Fundação InCor.
Esses feitos, documentados em anais médicos, elevaram padrões nacionais.
Vida Pessoal e Conflitos
Informações sobre vida pessoal são limitadas nos dados disponíveis. Zerbini casou-se e teve filhos, mantendo família discreta. Residiu em São Paulo, conciliando clínica com magistério. Não há relatos de diálogos ou pensamentos internos documentados.
Conflitos surgiram com transplantes iniciais. A Lei 5.014/1966 regulava doações, mas ética e rejeição imunológica geraram debates. Críticos questionaram experimentalismo sem sobrevivência longa; defensores, como Zerbini, enfatizavam aprendizado. Ele enfrentou escassez de doadores e resistência burocrática, resolvida por advocacy junto ao Ministério da Saúde.
Nos anos 1970, disputas internas na FMUSP por recursos ocorreram, mas Zerbini priorizou expansão do InCor. Não há evidências de crises pessoais graves ou demonizações; sua reputação permaneceu íntegra, com prêmios como a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (1980). O material indica equilíbrio entre ambição profissional e ética médica.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Zerbini faleceu aos 81 anos por causas naturais, deixando o InCor como monumento vivo. Até 2026, o instituto realiza cerca de 5.000 cirurgias cardíacas anuais, lidera transplantes (mais de 1.500 desde 1968) e pesquisa genômica cardiovascular. Seu modelo interdisciplinar influencia redes públicas como o SUS.
No Brasil, Zerbini simboliza autonomia médica pós-colonial. Formou discípulos como Miguel Barbero-Marcial e Noedir Stolf, que perpetuam sua escola. Internacionalmente, contribuiu para congressos da American Heart Association. Até fevereiro 2026, livros como "História da Cirurgia Cardíaca no Brasil" (2005) e documentários da USP destacam-no como "pai da cirurgia cardíaca brasileira".
Sem projeções, sua influência persiste em diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e expansão de centros regionais. O contexto reforça seu status como pioneiro global em transplantes, com o InCor como prova tangível de impacto duradouro.
