Introdução
Ethel Barrymore nasceu em 15 de agosto de 1879, na Filadélfia, Pensilvânia, e faleceu em 18 de junho de 1959, em Los Angeles, Califórnia. Ela integrou a proeminente família Barrymore, dinastia de atores teatrais americanos que dominou os palcos no final do século XIX e início do XX. Filha de Maurice Barrymore e Georgiana Drew, ambos performers, Ethel era irmã de Lionel e John Barrymore, formando o trio conhecido como "Os Barrymores".
Sua relevância reside na longevidade e versatilidade: atuou em teatro por mais de 40 anos antes de se dedicar ao cinema nos anos 1930 e 1940, participando de cerca de 80 filmes. Recebeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1944 por None But the Lonely Heart, consolidando seu status. Apelidada de "The First Lady of the American Theatre", Ethel representou a transição do teatro vitoriano para o cinema clássico de Hollywood. Seus papéis variaram de heroínas românticas a mães autoritárias, influenciando gerações de atrizes. Até 2026, seu legado persiste em retrospectivas teatrais e homenagens à Era de Ouro de Hollywood.
Origens e Formação
Ethel Mae Blythe Barrymore cresceu imersa no mundo do teatro. Sua mãe, Georgiana Emma Drew Barrymore, descendia da família Drew, atores desde o século XVIII. O pai, Herbert Blythe (Maurice Barrymore), era ator inglês que adotou o palco como profissão após estudar medicina. A família vivia uma vida nômade, seguindo turnês teatrais.
Aos 15 anos, em 1894, Ethel estreou profissionalmente em Londres, ao lado do pai, na peça The Rivals, de Richard Brinsley Sheridan. Inicialmente relutante, pois preferia cantar, ela foi convencida pela mãe a seguir a carreira familiar. Em 1895, retornou aos EUA e integrou a companhia de sua avó, Mrs. John Drew, no teatro familiar em Filadélfia.
Sua formação foi prática: aprendeu ofício nos bastidores, sem escola formal de atuação. Influências iniciais incluíam Sarah Bernhardt, de quem foi protegida durante turnê europeia em 1901. Ethel absorveu técnicas de dicção, postura e presença cênica. Casou-se em 1903 com Russell Griswold, mas o matrimônio durou pouco devido à agenda teatral. Esses anos moldaram sua identidade como atriz independente.
Trajetória e Principais Contribuições
A ascensão de Ethel veio cedo. Em 1901, aos 22 anos, protagonizou Captain Jinks of the Horse Marines, de Clyde Fitch, em Nova York. A peça rendeu críticas elogiosas e estabeleceu-a como estrela da Broadway. Turnês subsequentes solidificaram sua fama, com sucessos como Alice-Sit-by-the-Fire (1905), de J. M. Barrie, e The Twelve Pound Look (1910).
Nos anos 1910, equilibrou teatro e cinema silencioso. Estreou nos filmes em 1914 com The Nightingale, produzida por sua própria companhia. Produziu e estrelou curtas-metragens, mas priorizou os palcos. Em 1917, abriu o Ethel Barrymore Theatre na Broadway, ainda em operação. Papéis icônicos incluem Déclassée (1919) e The Kingdom of God (1920).
A Grande Depressão forçou a transição para Hollywood. Em 1939, assinou com a MGM e atuou em Rasputin and the Empress, reunindo-se com irmãos Lionel e John – primeiro filme dos três Barrymores juntos. Seguiram-se papéis em The Spiral Staircase (1946), It's a Wonderful Life (1946, cameo) e Portrait of Jennie (1948). O auge veio em 1944 com None But the Lonely Heart, de Clifford Odets, onde interpretou Ma Mott, rendendo o Oscar aos 64 anos – um dos primeiros para atriz em papel de apoio.
Ao longo da carreira, Ethel contribuiu para o teatro americano com produções próprias e defesa da arte dramática. Atuou em rádio nos anos 1930-1940 e televisão experimental nos 1950. Sua presença em mais de 60 peças e 80 filmes marcou a era.
Marcos teatrais principais:
- 1901: Captain Jinks – Estrela da Broadway.
- 1928: The Kingdom of God – 250 apresentações.
- 1940s: Retornos esporádicos pós-cinema.
Marcos cinematográficos:
- 1944: Oscar por None But the Lonely Heart.
- 1946: The Spiral Staircase – Suspense clássico.
- 1957: Johnny Trouble – Último papel principal.
Vida Pessoal e Conflitos
Ethel casou-se com o ator Russell Griswold em 1903; tiveram três filhos – Samuel, Ethel e John Blythe. O divórcio ocorreu em 1923, atribuído às demandas da carreira. Educou os filhos longe dos holofotes, embora o filho John seguisse o teatro.
Conflitos incluíram rivalidades familiares: os irmãos Barrymore lutaram com alcoolismo e dívidas, contrastando com a disciplina de Ethel. Ela recusou papéis vulgares e defendeu padrões éticos no teatro. Em 1940, sofreu acidente que quebrou o quadril, limitando mobilidade, mas continuou atuando.
Críticas apontavam seu estilo "grandioso", herdado do teatro vitoriano, menos adaptado ao cinema realista. Ethel rebateu publicamente, afirmando preferir o palco. Saúde declinou nos 1950 com problemas cardíacos; recusou cirurgias para preservar a voz.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Ethel Barrymore faleceu aos 79 anos de insuficiência cardíaca. Deixou um legado como ponte entre teatro e cinema. O Ethel Barrymore Theatre permanece ativo, sediando musicais como Hamilton até 2026. Sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood (1960) atrai fãs.
Retrospectivas em festivais como o TCM Classic Film Festival (até 2025) destacam seus filmes. Frases atribuídas a ela, como as coletadas em sites como Pensador, circulam online: reflexões sobre felicidade e perseverança. Influenciou atrizes como Jessica Tandy e Katharine Hepburn. Em 2026, biografias e documentários mantêm sua relevância na história do entretenimento americano, simbolizando resiliência feminina no show business.
