Introdução
Edward Young nasceu em 3 de julho de 1683, em Upham, perto de Winchester, Inglaterra. Morreu em 5 de abril de 1765, em Welwyn, Hertfordshire. Poeta, dramaturgo e clérigo anglicano, ele representa a transição entre o neoclassicismo e o pré-romantismo na literatura inglesa do século XVIII.
Sua obra mais célebre, The Complaint: or, Night-Thoughts on Life, Death, and Immortality (publicada entre 1742 e 1745), em nove partes, explora temas como a efemeridade da vida, o terror da morte e a esperança na imortalidade cristã. Escrita em blank verse, reflete noites de insônia e luto pessoal.
Young importa por capturar o espírito reflexivo da era, influenciando autores como Robert Blair e Edward Young (o mais jovem, mas distinto). Sua popularidade durou décadas, com traduções em várias línguas, incluindo francês e alemão. Recebeu pensões anuais de 200 libras dos reis George II e George III por serviços literários e clericais.
Origens e Formação
Edward Young veio de família modesta, mas culta. Seu pai, também Edward Young, servia como reitor de Upham e fellow do Winchester College. A mãe chamava-se Jane. Desde cedo, o ambiente religioso moldou sua visão de mundo.
Aos 13 anos, ingressou no Winchester College, escola de elite. Lá, destacou-se em estudos clássicos e retórica. Em 1702, matriculou-se no University College, Oxford, onde graduou-se em artes em 1708 e mestre em 1714. Durante a universidade, cultivou amizades literárias e compôs sátiras iniciais.
Oxford influenciou sua carreira dupla: poesia e clero. Ordenado diácono em 1710 e sacerdote em 1713, equilibrou ambições mundanas com deveres espirituais. Viajou pouco, focando em círculos londrinos e acadêmicos. Não há registros de influências familiares diretas em sua poesia, mas o puritanismo paterno ecoa em temas morais.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira literária de Young começou com poesia menor. Em 1712, dedicou versos ao conde de Clarendon. Seu primeiro sucesso veio com The Last Day (1713), poema descritivo sobre o Juízo Final, elogiado por Alexander Pope.
Entrou no teatro com tragédias: Busiris, King of Egypt (1719), The Revenge (1721) e The Brothers (póstuma, 1753). The Revenge rivalizava com Venice Preserv'd de Otway, ganhando aplausos. Essas peças mostram domínio do verso heroico e dilemas morais.
Em 1721, publicou The Instalment, sátira política anônima contra Robert Walpole. Serviu como tutor privado para nobres, como o marquês de Wharton (morto jovem em 1715) e o filho do duque de Wharton. Essa posição elevou seu status social.
De 1728 a 1731, atuou como fellow no All Souls College, Oxford, apesar de casado. Em 1730, tornou-se reitor de Welwyn, cargo vitalício até a morte. Lá, escreveu sua obra-prima.
Night-Thoughts surgiu após mortes familiares: filho em 1739, esposa em 1741? Registros indicam luto por patricio e esposa. Publicada em nove "noites" (1742-1745), vendeu 20 mil cópias rapidamente. Expande meditações em 10 mil linhas sobre vaidade mundana, dor e salvação.
Outras obras incluem Conjectures on Original Composition (1759), ensaio com Thomas Warton defendendo originalidade sobre imitação clássica – precursor romântico. Traduziu obras latinas e escreveu hinos.
Sua produção reflete ascensão: de poeta de corte a pensador grave. Pensões reais (1730s-1760s) recompensaram contribuições culturais.
Vida Pessoal e Conflitos
Young casou-se em 1731 com Lady Elizabeth Lee, viúva do conde de Lichfield e filha do conde de Pembroke. Três décadas mais velha, ela trouxe riqueza: propriedades em Hertfordshire. Morreu em 1740? Fontes variam, mas precedeu Night-Thoughts.
O casal teve uma filha, Lady Elizabeth Young, que casou com o conde de Montrose em 1761. Young adotou formalmente seu enteado, o filho de Lady Elizabeth de casamento anterior, que morreu jovem em 1739 – evento que inspirou o poema.
Viveu discretamente em Welwyn Rectory, paróquia rural. Amizades incluíam Samuel Richardson e o duque de Devonshire. Não há escândalos graves, mas críticas por oportunismo: buscava patronos nobres persistentemente.
Samuel Johnson, em Lives of the Poets (1779-1781), retratou-o como ambicioso, mas talentoso. Young enfrentou saúde fraca na velhice, morrendo aos 81 anos. Enterrado em Welwyn. Conflitos limitaram-se a rivalidades literárias, como com Pope em círculos whig-tory.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Night-Thoughts definiu o gênero "graveyard poetry", influenciando Blair (The Grave, 1743), Gray (Elegy, 1751) e pré-românticos como Young (o irlandês). Goethe admirou-o; Coleridge citou-o. Traduções persistem: em português, edições do século XIX.
No século XIX, declinou com ascensão do romantismo pleno, visto como didático demais. Século XX o redescobriu como proto-romântico por ênfase em emoção noturna. Edições críticas incluem Lonsdale (1995).
Até 2026, Young aparece em estudos de literatura inglesa setecentista. Antologias como Eighteenth-Century Poetry (2003) o incluem. Frases como "Procrastination is the thief of time" (de Night-Thoughts) circulam em sites como Pensador.com. Influencia teologia literária e estudos de luto. Sua defesa da originalidade ecoa em debates criativos modernos.
