Introdução
Dorothy Parker, nascida Dorothy Rothschild em 22 de agosto de 1893, em West End, Nova Jersey, e falecida em 21 de junho de 1967, em Nova York, destaca-se como uma das vozes mais agudas da literatura americana do século XX. Escritora, poetisa, dramaturga e crítica, ganhou fama por seu humor cáustico, sátiras sociais e observações precisas sobre o cotidiano feminino. Seu trabalho apareceu em publicações como Vanity Fair, The New Yorker e em livros como Enough Rope (1926), que vendeu mais de 50 mil cópias.
Membro fundador do Algonquin Round Table, um círculo literário nos anos 1920 que reunia intelectuais em almoços diários no Hotel Algonquin, Parker personificou a era do jazz com sua inteligência afiada. Sua carreira abrangeu legendas para revistas, críticas teatrais, roteiros de cinema e poesia versificada. Apesar de sucessos comerciais, enfrentou depressão crônica e alcoolismo. Seu legado persiste em antologias e adaptações, influenciando escritores contemporâneos até 2026, quando continua citada em estudos sobre feminismo e sátira.
Origens e Formação
Dorothy nasceu em uma família judia de classe média. Seu pai, Jacob Henry Rothschild, era um comerciante judeu de origem alemã que dirigia uma fábrica de cigarros. Sua mãe, Eliza Annie Marston, era uma escocesa protestante que morreu de tuberculose quando Dorothy tinha apenas três anos. Essa perda precoce marcou sua infância. Criada por uma madrasta católica, que a tratava com severidade, Dorothy frequentou escolas católicas em Nova York, mas foi expulsa do convento de Blessed Sacrament por sua "incapacidade de se comportar como dama".
Aos 14 anos, após a morte do pai em 1913, Dorothy herdou uma modesta fortuna e mudou-se para Nova York. Sem educação formal universitária, autodidata voraz, leu autores como Kipling e Benchley. Em 1916, começou a trabalhar como telefonista em Wall Street, mas logo ingressou no mundo editorial. Seu primeiro emprego fixo veio em 1917 como legenda para Vogue, contratada pelo editor Frank Crowninshield. Ali, desenvolveu o estilo conciso e espirituoso que a definiria. Em 1918, passou para Vanity Fair como editora teatral, substituindo Robert Benchley, que se tornou amigo próximo.
Trajetória e Principais Contribuições
A ascensão de Parker acelerou nos anos 1920. Em 1919, integrou o Algonquin Round Table, grupo que incluía Alexander Woollcott, Robert Benchley, George S. Kaufman e Harpo Marx. Nessas reuniões, trocavam-se piadas e críticas, moldando sua reputação de "espírito mais afiado de Nova York". Demitida da Vanity Fair em 1920 por críticas muito duras, colaborou com Ainslee's Magazine e vendeu poemas a The New Yorker desde sua fundação em 1925.
Sua estreia em poesia veio com Enough Rope (1926), prefaciado por Edmund Wilson, que esgotou edições e rendeu elogios mistos – Sinclair Lewis chamou-a de "flapper desiludida". Seguiram Sunset Gun (1928) e Death and Taxes (1931), com versos como "Men seldom make passes / At girls who wear glasses" e o poema "Résumé", que lista métodos de suicídio com ironia: "Razors pain you, / Rivers are damp". Esses textos capturam desilusão amorosa e existencial.
Na década de 1930, Parker migrou para Hollywood como roteirista. Com Alan Campbell, adaptou A Star Is Born (1937), ganhando indicação ao Oscar, e trabalhou em Ninotchka (1939) com Billy Wilder. Voltou a peças teatrais como Close Harmony (1924, com Elmer Rice) e The Coast of Illyria (1949). Crítica teatral no New Yorker de 1927 a 1933, suas resenhas eram implacáveis, como a de um ator: "Ele corre o risco de ser um astro de quinta". Publicou contos em Laments for the Living (1930) e After Such Pleasures (1933), retratando hipocrisias sociais.
Nos anos 1940-1950, engajou-se politicamente. Membro da Liga Anti-Nazista e apoiadora da Guerra Civil Espanhola, listada como "subversiva" pelo HUAC em 1947. Escreveu para revistas esquerdistas e apoiou o Hollywood Ten.
Vida Pessoal e Conflitos
Parker casou-se três vezes. Em 1917, com Edwin Pond Parker II, veterano da Primeira Guerra, cujo sobrenome adotou. O casamento durou até 1928, marcado por alcoolismo dele e infidelidades mútuas; divorciaram-se após ele revelar homossexualidade. Em 1933, uniu-se a Alan Campbell, ator bissexual 10 anos mais jovem; casaram em 1934, divorciaram em 1947, recasaram em 1948 e separaram novamente. Campbell morreu de overdose em 1948. Um terceiro casamento breve com Paul Barrymore Johnson ocorreu em 1950.
Parker lutou contra depressão severa, com múltiplas tentativas de suicídio – uma em 1923, cortando pulsos após demissão; outra em 1932, com Veronal. Alcoólatra crônica, frequentou clínicas como Blythewood em 1936. Abortos espontâneos e infertilidade agravaram seu desespero. Amizades tensas: rompeu com Benchley por ciúmes, mas manteve laços com Lillian Hellman. Políticamente, sua lista negra no macartismo limitou trabalhos. Viveu anos finais em pobreza relativa, com um cachorro poodle chamado "Clinton" como companhia. Morreu sozinha no Volney Hotel, de ataque cardíaco aos 73 anos; seu testamento legou US$ 20 mil à NAACP.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Parker influenciou gerações com sua prosa minimalista e feminismo implícito. The Portable Dorothy Parker (1944, reeditado múltiplas vezes) permanece em listas de best-sellers. Peças teatrais como The Ladies of the Corridor (1953) são encenadas off-Broadway. Em 2026, biografias como You Might as Well Live (1970, Marion Meade) e filmes como Mrs. Parker and the Vicious Circle (1994) mantêm-na viva. Citada em estudos sobre gênero – seus textos questionam papéis femininos –, inspira autoras como Nora Ephron. A NAACP homenageou seu legado em 1967. Sua tumba, sem lápide até 1988, agora carrega inscrição de seu poema: "Excuse my dust".
