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David Hume

David Hume

Biografia Completa

Introdução

David Hume nasceu em 26 de abril de 1711, em Edimburgo, Escócia, e faleceu em 25 de agosto de 1776, em Edimburgo. Filósofo, historiador e ensaísta, ele representa o ápice do empirismo britânico e uma das mentes mais influentes do Iluminismo escocês. Seu pensamento radicaliza a tradição de John Locke e George Berkeley, afirmando que impressões sensoriais formam a base de todo conhecimento.

Hume questionou noções fundamentais como causalidade, indução e a existência contínua do eu, gerando impactos profundos na filosofia, economia e ciências sociais. Obras como "Tratado da Natureza Humana" (1739-1740) e "Investigação sobre o Entendimento Humano" (1748) definem sua fama. Como historiador, sua "História da Inglaterra" (1754-1762) vendeu dezenas de milhares de cópias. Apesar de ateísmo implícito, manteve reputação pública impecável. Sua relevância persiste em debates epistemológicos até 2026.

Origens e Formação

Hume veio de família presbiteriana modesta. Seu pai, Joseph Home, advogado, morreu quando David tinha dois anos. A mãe, Katherine Falconer, geriu a educação inicial dos filhos em Ninewells, Berwickshire. Aos dez ou onze anos, Hume entrou na Universidade de Edimburgo, estudando direito e literatura clássica, mas sem graduar-se formalmente.

Influenciado por leituras de Ciceron, Virgílio e autores franceses como Malebranche, ele abandonou o direito aos 18 anos para perseguir filosofia. Em 1734, mudou-se para La Flèche, França, onde viveu três anos em colégio jesuíta, escrevendo seu tratado principal. Essa fase formativa moldou seu empirismo: rejeitava racionalismo continental, priorizando observação empírica. Retornou à Escócia em 1737, publicando anonimamente o volume 1 de "Tratado da Natureza Humana".

O livro, dividido em três volumes até 1740, falhou comercialmente – Hume lamentou: "Nasceu morto". Ainda assim, estabeleceu bases para sua epistemologia.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Hume evoluiu de filosofia para história e diplomacia. Em 1744, tutorou o Marquês de Annandale, experiência breve e tumultuada. Candidatou-se à cadeira de ética em Edimburgo em 1745, mas presbiterianos o rejeitaram por "heresia". Aceitou cargo como secretário do general St. Clair em expedição militar à Áustria e Itália (1746-1748).

Em 1748, publicou "Investigação Filosófica sobre o Entendimento Humano", versão revisada e acessível do Tratado. Ali, distingue impressões (vivas) de ideias (fracas), nega causalidade necessária – vemos apenas conjunção constante, não conexão inerente. Critica milagres: violam experiência uniforme. Essa obra ganhou tração imediata. Seguiu com "Investigação sobre os Princípios da Moral" (1751), defendendo moral baseada em sentimentos simpáticos, não razão.

Sua virada historiográfica veio com "História da Inglaterra" (1754-1762), em seis volumes. Narra de Júlio César a 1688, com viés tory moderado, criticando Cromwell e elogiando monarquia. Vendeu 52.000 cópias em 20 anos, financiando sua independência. Publicou "Ensaios Morais, Políticos e Literários" (1741-1742, revisados 1758), cobrindo economia, política e crítica literária.

De 1763 a 1766, serviu em Paris como secretário da embaixada britânica, frequentando salões com Diderot e Rousseau. Diplomacia o levou a subsecretário de Estado em Londres (1767-1768). Retornou a Edimburgo, onde escreveu diálogos autobiográficos e "Diálogos sobre a Religião Natural" (póstumo, 1779), atacando argumento teleológico.

Contribuições chave:

  • Epistemologia: Problema da indução – futuro não garante passado.
  • Metafísica: Sem "eu" substancial; mera coleção de percepções.
  • Ética: Virtude como útil ou agradável.
  • Economia: Antecipou teoria monetária quantitativa.
  • História: Narrativa imparcial, influenciando Ranke.

Vida Pessoal e Conflitos

Hume nunca casou, sem filhos conhecidos. Mantinha círculo intelectual: Adam Smith, amigo vitalício, dedicou-lhe "Riqueza das Nações". Outros: James Boswell, Thomas Jefferson admiravam-no. Em 1775, Adam Smith visitou-o no leito de morte.

Conflitos giravam em torno de religião. Acusado de ateísmo por "Tratado" e ensaios como "Sobre Milagres" (1748). Recusou cargo clerical jovem, declarando dúvida. Disputa com Rousseau em 1766: este o acusou de perseguição; Hume negou, publicando correspondência. Presbiterianos bloquearam sua cátedra.

Saúde declinou nos anos 1770: câncer intestinal. Recusou reconciliação religiosa, morrendo serenamente. Testamento doou bens a sobrinha e Smith. Enterrado em Calton Hill, Edimburgo. Biografia por Adam Smith descreve morte estoica, sem fanatismo.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Hume influencia filosofia analítica, com problema da indução central em Popper e Goodman. Kant creditou-lhe "despertar do dogmatismo". Positivistas lógicos e pragmatistas absorveram seu ceticismo. Na ética, utilitaristas como Mill ecoam sua simpatia. Economia: Friedman citou-o. Direito: teoria dos contratos.

Até 2026, edições críticas de obras completas (Oxford, 1975-ongoing) avançam estudos. Bicentenário de morte (1976) gerou conferências. Neurociência dialoga com sua psicologia associacionista. Críticas: feministas notam ausência de gênero; pós-coloniais, eurocentrismo histórico. Ainda assim, permanece referência em epistemologia, com "Hume's Guillotine" (fato-valor) debatido em metaética. Escócia o celebra como Iluminista nacional.

Pensamentos de David Hume

Algumas das citações mais marcantes do autor.