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Daniel Defoe

Daniel Defoe

Biografia Completa

Introdução

Daniel Defoe, nascido em 1660 e falecido em 1731, emerge como uma figura central na literatura inglesa inicial do século XVIII. Conhecido como escritor e jornalista prolífico, ele produziu centenas de obras, incluindo panfletos, ensaios e romances pioneiros. Sua fama repousa especialmente em "Robinson Crusoe", publicado em 1719, que explora temas de sobrevivência, individualismo e colonização. Defoe viveu em uma era de transformações: a Revolução Gloriosa de 1688, o comércio atlântico em expansão e debates religiosos intensos moldaram sua trajetória. Como comerciante falido, propagandista político e agente secreto, ele transitou entre polêmicas e inovação literária. Sua obra reflete o espírito empírico e aventureiro do Iluminismo inicial, influenciando o romance moderno. Até 2026, "Robinson Crusoe" permanece um clássico estudado por sua narrativa realista e alegorias morais.

Origens e Formação

Daniel Defoe nasceu em 1661 (batizado em 1660) em Londres, filho de James Foe, um açougueiro e fabricante de velas presbiteriano, e Alice Buck. A família pertencia à classe média dissentiente, não conformista com a Igreja Anglicana após a Restauração de 1660. Essa herança religiosa marcou sua vida: os presbiterianos enfrentavam perseguições sob Carlos II.

Educado em uma academia dissentiente em Newington Green, sob Charles Morton, Defoe aprendeu latim, grego, história e ciências modernas, incluindo ideias de Descartes. Não frequentou Oxford ou Cambridge, reservadas aos anglicanos. Aos 14 anos, retornou a Londres para ajudar no negócio familiar de velas e tabaco.

Em 1684, casou-se com Mary Tuffley, filha de um comerciante presbiteriano. O casal teve oito filhos. Defoe iniciou carreira como comerciante de meias, estocaria e importações, viajando à Europa. Sua ambição o levou a investir em tijolos e civetas, mas a Bolha do Mar do Sul e crises comerciais o arruinaram em 1692, deixando dívidas de £17.000.

Trajetória e Principais Contribuições

A falência impulsionou Defoe ao jornalismo. Em 1695, publicou "An Essay upon Projects", propondo reformas em bancos, seguros e educação para mulheres – ideias visionárias. Apoiou Guilherme de Orange na Revolução Gloriosa; após a morte do rei em 1702, criticou os dissidentes em "The Shortest-Way with the Dissenters", sátira que levou à prisão na Pilory de Newgate por seis meses e multa de £200.

Sob liberdade condicional, trabalhou como agente secreto para Robert Harley, ministro tory. Escreveu "The Review" (1704–1713), tri-semanal com 1.000 edições, cobrindo política, comércio e notícias estrangeiras – precursor do jornalismo moderno. Viajou pela Inglaterra, produzindo "A Tour thro' the Whole Island of Great Britain" (1724–1727), descrição geográfica e econômica em três volumes.

Sua produção literária explodiu nos anos 1710. "Robinson Crusoe" (1719), inspirado no náufrago escocês Alexander Selkirk, narra 28 anos de isolamento em uma ilha, com o protagonista construindo uma sociedade solo. Vendido em 40.000 cópias no primeiro ano, gerou sequências: "The Farther Adventures of Robinson Crusoe" (1719) e "Serious Reflections" (1720). O romance introduz realismo prosaico, diários fictícios e temas puritanos de providência divina.

Seguiram-se "The Life and Strange Surprizing Adventures of Moll Flanders" (1722), sobre uma ladra prostituta que se redime; "A Journal of the Plague Year" (1722), reconstrução factual da peste de 1665; "Roxana" (1724), drama de ambição feminina; e "Captain Singleton" (1720), aventura pirata. Defoe escreveu mais de 500 obras, incluindo "The True-Born Englishman" (1701), defesa da imigração contra xenofobia.

Sua prosa direta, com diálogos realistas e narrativas em primeira pessoa, fundou o romance inglês. Como jornalista, inovou com reportagens imparciais e economia política.

Vida Pessoal e Conflitos

Defoe enfrentou perseguições religiosas e políticas. Como dissidente, escondeu-se após a Revolução de 1688. Sua prisão em 1703 por blasfêmia o tornou celebridade: multidões o aplaudiram no pilory, e ele vendeu edições do panfleto ali.

Politicamente versátil, transitou de whig para tory sob Harley, depois criticou bolhas financeiras. Acusado de duplo jogo, manteve lealdade pragmática. Financeiramente instável, morreu endividado, possivelmente fugindo de credores em 1731, sepultado em Bunhill Fields.

Casamento com Mary durou 47 anos; ela o apoiou na falência. Filhos variaram: um morreu jovem, outros emigraram. Defoe adotou o prefixo "De" por status social. Saúde debilitada por gota e derrame o limitou nos anos finais.

Críticas o rotularam hipócrita por mudanças políticas e plágio alegado em "Robinson". Ainda assim, sua adaptabilidade reflete o caos da era.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Defoe moldou o romance como gênero realista, influenciando Fielding, Smollett e o realismo posterior. "Robinson Crusoe" simboliza o homo economicus e imperialismo britânico; edições críticas até 2026 analisam eurocentrismo e escravidão (sexta-feira como servo).

Seu jornalismo prefigurou a imprensa livre. Obras como "Moll Flanders" antecipam feminismo e picaresca. Em 2026, estuda-se sua economia em contextos pós-coloniais e ecocríticos – ilhas como alegoria ambiental.

Monumentos incluem estátua em Londres; adaptações cinematográficas persistem. Como pioneiro, Defoe permanece relevante para literatura, história e estudos culturais.

Pensamentos de Daniel Defoe

Algumas das citações mais marcantes do autor.