Introdução
Christopher Eric Hitchens nasceu em 13 de abril de 1949, em Portsmouth, Inglaterra, e faleceu em 15 de dezembro de 2011, em Houston, Texas, aos 62 anos. Jornalista, ensaísta e polemista, ele se destacou como uma das vozes mais combativas do debate intelectual do final do século XX e início do XXI. Hitchens escreveu mais de uma dúzia de livros, incluindo best-sellers como God Is Not Great: How Religion Poisons Everything (2007), no qual argumentou contra as religiões organizadas com rigor lógico e evidências históricas.
Sua relevância decorre da capacidade de desafiar ortodoxias, tanto da esquerda quanto da direita. Inicialmente trotskista, ele evoluiu para posições neoconservadoras em questões como a Guerra do Iraque, o que gerou controvérsias. Colunista em publicações como The Nation, Vanity Fair e Slate, Hitchens debateu publicamente com figuras como Tony Blair e Mother Teresa. Sua morte por câncer de esôfago, diagnosticado em 2010, inspirou o ensaio póstumo Mortality (2012). Até 2026, sua influência persiste em discussões sobre ateísmo e geopolítica.
Origens e Formação
Hitchens cresceu em uma família de classe média baixa na Inglaterra pós-Segunda Guerra. Seu pai, Eric Hitchens, era oficial da Marinha Real Britânica, conhecido como "o Comandante". Sua mãe, Yvonne, era dona de casa de origem judaica (embora não praticante). A família se mudou várias vezes devido à carreira militar do pai. Em 1956, matricularam-no na preparatória Mount House School, em Tavistock, Devon. Lá, Hitchens descobriu a leitura voraz, influenciado por autores como Orwell e Orwellianas.
Em 1962, ingressou no Leys School, em Cambridge, onde se envolveu em debates e política de esquerda. Formou-se em Filosofia, Política e Economia (PPE) no Balliol College, Oxford, em 1970. Durante a universidade, filiou-se ao Partido Trabalhista e ao International Socialists, grupo trotskista. Amizades com Martin Amis e Julian Barnes moldaram seu círculo literário. Após a graduação, mudou-se para Londres, trabalhando como professor substituto e pesquisador para o Times Educational Supplement. Esses anos iniciais forjaram seu estilo combativo e erudito.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira jornalística de Hitchens decolou em 1973, quando ingressou na New Statesman. Cobriu eventos como a Guerra Civil do Líbano e a Revolução Iraniana de 1979. Em 1981, mudou-se para Nova York como correspondente da Nation, onde escreveu por quase 30 anos. Sua coluna "Minority Report" criticava tanto liberais quanto conservadores.
Nos anos 1980, publicou livros como Imperial Spoils: George Bush and the Invasion of the Gulf (1986) e Prepared for the Worst: Selected Essays and Minority Reports (1989). Rompeu com a esquerda após o 11 de setembro de 2001, apoiando a remoção de Saddam Hussein. Em 2002, naturalizou-se americano. Hitch-22: A Memoir (2010) detalha essa trajetória.
Suas contribuições principais incluem:
- Crítica religiosa: God Is Not Great (2007) vendeu milhões, argumentando que a religião causa violência e irracionalidade. Hitchens debateu com clérigos e foi nomeado ao National Book Award.
- Biografias críticas: The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice (1995) expôs alegadas ligações dela com ditadores; No One Left to Lie To (1999) atacou Bill Clinton.
- Defesa da liberdade: Apoio a dissidentes como Salman Rushdie após a fatwa de 1989. Escreveu Letters to a Young Contrarian (2001), incentivando o pensamento independente.
Colaborou com Vanity Fair desde 1992, produzindo perfis de figuras como Gore Vidal e Noam Chomsky. Seus debates no C-SPAN e Oxford Union atraíram milhões de visualizações online.
Vida Pessoal e Conflitos
Hitchens casou-se duas vezes. Em 1981, com Eleni Meleagrou, com quem teve uma filha, Sophia. Divorciaram-se em 1989. Em 1991, casou-se com Carol Blue, com quem teve um filho, Alexander. A família residiu em Washington, D.C., e Connecticut. Hitchens era conhecido por seu consumo de álcool e cigarros, hábitos que ele discutiu abertamente em ensaios sobre seu câncer.
Conflitos marcaram sua vida. Rompeu com amigos como Noam Chomsky por discordâncias sobre o Iraque. Acusado de islamofobia por críticas ao Islã fundamentalista, rebateu como defesa da laicidade. Processos judiciais, como contra Sidney Blumenthal por difamação em 1998, reforçaram sua reputação de provocador. Sua saúde deteriorou em 2010; colunas em Vanity Fair documentaram o tratamento quimioterápico sem arrependimentos pela vida vivida intensamente.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Hitchens deixou um corpus de mais de 20 livros e milhares de artigos. God Is Not Great permanece referência no movimento "New Atheism", ao lado de Dawkins e Harris. Até 2026, debates sobre religião e secularismo citam seus argumentos. Documentários como Collision (2009), com debates contra Douglas Wilson, circulam em plataformas digitais.
Sua mudança ideológica influencia discussões sobre intervencionismo liberal. Em 2011, recebeu o National Magazine Award. Reedições de Hitch-22 e Mortality mantêm-no relevante. Críticos o veem como modelo de intelectual público; detratores, como inconsistente. Até fevereiro de 2026, podcasts e YouTube revivem seus debates, destacando sua erudição e retórica afiada.
