"O primeiro me chegou Como quem vem do florista: Trouxe um bicho de pelúcia, Trouxe um broche de ametista. Me contou suas viagens E as vantagens que ele tinha. Me mostrou o seu relógio; Me chamava de rainha. Me encontrou tão desarmada, Que tocou meu coração, Mas não me negava nada E, assustada, eu disse "não"."
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Chico Buarque
Francisco Buarque de Hollanda (1944-), ou Chico Buarque, é um músico, compositor, poeta, dramaturgo e escritor brasileiro. É considerado um dos mais importantes nomes da MPB. Em 2019, recebeu o Prêmio Camões de Literatura pelo conjunto da obra (incluindo livros, músicas e peças). É autor de clássicos como Apesar de Você, Quem Te Viu, Quem Te Vê, Roda Viva, Olhos nos Olhos, Cálice, entre outros.
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Frases - Página 16
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"Bom dia, flor do dia, mas deve haver modos menos agourentos de se despertar que com uma filha choramingando à cabeceira. E pelo visto, mais uma vez você veio sem os meus cigarros, que dirá os charutos. Que é proibido fumar aqui dentro eu sei, mas dá-se um jeito, também não estou lhe pedindo para entrar no hospital com cocaína."
"'Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar, mas se o destino insistir em nos separar; danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas, os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos, sinopses, espelhos, conselhos, que se dane o evangelho e todos os orixás, serás o meu amor, serás a minha paz.'"
"Ouça um bom conselho que eu lhe dou de graça: inútil dormir que a dor não passa. Espere sentado, ou você se cansa. Está provado: quem espera nunca alcança. Faça como eu digo, faça como eu faço; aja duas vezes antes de pensar. Corro atrás do tempo. Vim de não sei d’onde… devagar é que não se vai longe. Eu semeio o vento na minha cidade, vou pra rua e bebo a tempestade."
"Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer. Olhos nos olhos, quero ver o que você faz, ao sentir que sem você, eu passo bem demais. E que venho até remoçando, que me pego até cantando, sem mais, nem porquê. Quando talvez precisar de mim, cê sabe que a casa é sua, venha sim! Olhos nos olhos, quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz!!"
"Sabia Gosto de você chegar assim Arrancando páginas dentro de mim Desde o primeiro dia Sabia Me apagando filmes geniais Rebobinando o século Meus velhos carnavais Minha melancolia Sabia Que você ia trazer seus instrumentos E invadir minha cabeça Onde um dia tocava uma orquestra Pra companhia dançar Sabia Que ia acontecer você, um dia E claro que já não me valeria nada Tudo o que eu sabia Um dia"
"Daí a eterna impaciência, e adoro ver seus olhos de rapariga rondando a enfermaria: eu, o relógio, a televisão, o celular, eu, a cama do tetraplégico, o soro, a sonda, o velho do Alzheimer, o celular, a televisão, eu, o relógio de novo, e não deu nem um minuto. Também acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus, para pensar no galã da novela, nas mensagens do celular, na menstruação atrasada."
"Ouça um bom conselho Que eu lhe dou de graça Inútil dormir que a dor não passa Espere sentado Ou você se cansa Está provado, quem espera nunca alcança Venha, meu amigo Deixe esse regaço Brinque com meu fogo Venha se queimar Faça como eu digo Faça como eu faço Aja duas vezes antes de pensar Corro atrás do tempo Vim de não sei onde Devagar é que não se vai longe Eu semeio o vento Na minha cidade Vou pra rua e bebo a tempestade"
"mor, eu me lembro ainda Que era linda, muito linda Um céu azul de organdi A camisola do dia Tão transparente e macia Que eu dei de presente a ti Tinha rendas de Sevilha A pequena maravilha Que o teu corpinho abrigava E eu, eu era o dono de tudo Do divino conteúdo Que a camisola ocultava A camisola que um dia Guardou a minha alegria Desbotou, perdeu a cor Abandonada no leito Que nunca mais foi desfeito Pelas vigílias de amor"
"Futuros amantes Não se afobe, não Que nada é pra já O amor não tem pressa Ele pode esperar em silêncio Num fundo de armário Na posta-restante Milênios, milênios no ar E quem sabe, então O Rio será Alguma cidade submersa Os escafandristas virão Explorar sua casa Seu quarto, suas coisas Sua alma, desvãos Sábios em vão Tentarão decifrar O eco de antigas palavras Fragmentos de cartas, poemas Mentiras, retratos Vestígios de estranha civilização"
"Quando você me quiser rever Já vai me encontrar refeita, pode crer. Olhos nos olhos, Quero ver o que você faz Ao sentir que sem você eu passo bem demais E que venho até remoçando, Me pego cantando, sem mais, nem por quê. Tantas águas rolaram, Quantos homens me amaram Bem mais e melhor que você. Quando talvez precisar de mim, Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim. Olhos nos olhos, Quero ver o que você diz. Quero ver como suporta me ver tão feliz."
"DESENCONTRO A sua lembrança me dói tanto Eu canto pra ver Se espanto esse mal Mas só sei dizer Um verso banal Fala em você Canta você É sempre igual Sobrou desse nosso desencontro Um conto de amor Sem ponto final Retrato sem cor Jogado aos meus pés E saudades fúteis Saudades frágeis Meros papéis Não sei se você ainda é a mesma Ou se cortou os cabelos Rasgou o que é meu Se ainda tem saudades E sofre como eu Ou tudo já passou Já tem um novo amor Já me esqueceu"