Introdução
Ernesto Guevara de la Serna, nascido em 14 de junho de 1928 em Rosario, Argentina, e falecido em 9 de outubro de 1967 na Bolívia, é amplamente reconhecido como Che Guevara. Médico de formação, ele se tornou um dos principais líderes da Revolução Cubana e símbolo duradouro da luta armada contra o imperialismo. Sua trajetória abrange viagens pela América Latina, participação no derrocamento de Fulgencio Batista em 1959 e tentativas de exportar a revolução para o Congo e a América do Sul.
A imagem de Che, fotografada por Alberto Korda em 1960, transformou-o em ícone pop, estampada em camisetas e murais globais. Seus escritos, como Diários de Motocicleta e Guerra de Guerrilhas, documentam sua evolução ideológica do peronismo ao marxismo-leninismo. Até 2026, seu legado persiste em debates sobre revolução, com críticas a métodos violentos e elogios à dedicação anti-capitalista. Sua vida curta, mas intensa, exemplifica o compromisso radical com a transformação social. (178 palavras)
Origens e Formação
Che Guevara nasceu em uma família de classe média alta de origem basca e irlandesa. Seu pai, Ernesto Guevara Lynch, era engenheiro civil, e sua mãe, Celia de la Serna, incentivava leituras políticas e independência. A família se mudou para Alta Gracia, Córdoba, em 1932, devido à asma grave de Ernesto desde os dois anos de idade, que o acompanhou lifelong.
Ele frequentou escolas públicas e se destacou em esportes como rugby, apesar da saúde frágil. Em 1948, ingressou na Universidade de Buenos Aires para estudar medicina. Formou-se em 1953, com tese sobre alergias. Durante a faculdade, viajou extensivamente pela Argentina e América do Sul, trabalhando em leprosários e hospitais.
Em 1951-1952, com Alberto Granado, percorreu 8.000 km de moto pela América Latina, de Buenos Aires ao Chile, Peru, Colômbia e Venezuela. Essa viagem, registrada em Notas de Viaje, expôs-no à pobreza indígena, exploração de minas como Chuquicamata e reformas agrárias no Guatemala de Jacobo Árbenz. Esses eventos radicalizaram suas visões, influenciadas por autores como Pablo Neruda, Karl Marx e José Martí. Em 1953, após graduação, viajou pela América Central, testemunhando o golpe contra Árbenz em 1954, que atribuiu aos Estados Unidos. (212 palavras)
Trajetória e Principais Contribuições
Em dezembro de 1955, no México, Che conheceu Fidel e Raúl Castro, exilados após o assalto ao Moncada. Juntou-se ao Movimento 26 de Julho como médico do Granma, que partiu para Cuba em 1956 com 82 homens. Após desembarque desastroso na Bahia de Cochinos, sobreviveram 12 na Sierra Maestra. Che comandou a Coluna 4, adotando táticas de guerrilha: emboscadas, sabotagens e recrutamento camponês.
Em dezembro de 1958, sua coluna tomou Santa Clara, chave para a queda de Batista, que fugiu em 1º de janeiro de 1959. Che entrou em Havana como herói. Nomeado comandante das Forças Armadas Revolucionárias, supervisionou julgamentos sumários de batistianos na Fortaleza de La Cabaña, onde autorizou cerca de 500 execuções. De 1959 a 1965, serviu como presidente do Banco Nacional (1959-1961) e ministro da Indústria (1961-1965), implementando industrialização e campanhas de alfabetização. Viajou à URSS, China e Argélia, criticando a burocracia soviética.
Em 1965, renunciou a cargos cubanos para exportar a revolução. Liderou 128 homens no Congo contra o governo de Moïse Tshombe, mas falhou devido a divisões tribais e falta de apoio local, retornando em novembro. Em 1966, chegou à Bolívia com plano de focos guerrilheiros para América do Sul. Instalou-se no Ñancahuazú, mas enfrentou deserções, fome e rastreamento da CIA. Em 8 de outubro de 1967, capturado ferido por rangers bolivianos treinados pelos EUA. (248 palavras)
Vida Pessoal e Conflitos
Che casou-se em 1955 com Hilda Gadea Acosta, economista peruana, com quem teve Hilda Beatriz em 1956. Divorciaram-se em 1959. Em junho de 1959, uniu-se a Aleida March, combatente cubana, com quem teve quatro filhos: Aleida (1959), Camilo (1962), Celia (1963) e Ernesto (1965). Priorizava a família, mas ausências prolongadas marcaram relações. Escrevia cartas afetivas, enfatizando educação revolucionária.
Conflitos incluíam divergências com Fidel Castro sobre aliança soviética; Che defendia "foco guerrilheiro" autônomo. Enfrentou críticas por rigidez: fumava charutos incessantemente, dormia pouco e exigia disciplina férrea. Na Cuba pós-revolução, chocou-se com privilégios emergentes. Na Bolívia, traições de "Tania" (Haydée Tamara Bunke) e falta de apoio comunista local agravaram isolamento. Sua captura seguiu confronto em La Higuera; o presidente René Barrientos ordenou execução sumária por um sargento Mario Terán. Fotos do corpo nu, mãos cortadas para identificação, chocaram o mundo. (192 palavras)
Legado e Relevância Atual (até 2026)
A morte de Che galvanizou a esquerda global. Seu corpo foi exibido em Vallegrande, mas sepultado secretamente até exumação em 1997, transferido a Cuba em mausoléu em Santa Clara. Guerra de Guerrilhas (1960) inspirou movimentos como Sendero Luminoso e FARC, embora criticado por romantizar violência. Seus diários bolivianos, publicados em 1968, revelam frustrações finais.
Até 2026, Che permanece ícone: foto de Korda é uma das mais reproduzidas da história. Movimentos anti-globalização, como Occupy Wall Street e protestos na América Latina, invocam-no. Críticos o veem como assassino e fracassado econômico; defensores, como mártir do Terceiro Mundo. Em Cuba, feriado nacional em 8 de outubro. Filmes como Diários de Motocicleta (2004, Oscar) e Che (2008, Soderbergh) popularizaram sua imagem. Debates persistem sobre sua viabilidade estratégica, mas seu apelo simbólico – "hasta la victoria siempre" – perdura em grafites e merchandise. (217 palavras)
