Introdução
Charles André Joseph Marie de Gaulle nasceu em 22 de novembro de 1890, em Lille, França, e faleceu em 9 de novembro de 1970, em Colombey-les-Deux-Églises. Conhecido como "Général de Gaulle", ele se destacou como general, político e estadista francês, conforme documentado em fontes históricas consolidadas. Sua relevância decorre da liderança na Segunda Guerra Mundial, onde comandou a França Livre contra a ocupação nazista e o regime colaboracionista de Vichy. De Londres, apelou à resistência em seu famoso discurso de 18 de junho de 1940: "A chama da resistência francesa não se apagará". Pós-guerra, retornou ao poder em 1958 durante a crise da Quarta República, fundando a Quinta República. Como presidente de 1959 a 1969, promoveu a independência nuclear francesa, retirou a França do comando integrado da OTAN em 1966 e negociou a descolonização da Argélia em 1962. Sua visão gaullista priorizava a grandeza da França, soberania e equilíbrio entre superpotências. Até 2026, seu legado influencia debates sobre nacionalismo e europeísmo na França.
Origens e Formação
De Gaulle veio de uma família católica e patriótica da pequena nobreza francesa. Seu pai, Henri de Gaulle, era professor de história e filosofia, instilando valores conservadores e monarquistas no filho. Cresceu em Lille e Paris, em meio a um ambiente de devoção religiosa e leitura clássica. Em 1908, ingressou na École Spéciale Militaire de Saint-Cyr, formando-se em 1911 como subtenente no 33º Regimento de Infantaria, sob o comando do coronel Philippe Pétain.
Na Primeira Guerra Mundial, destacou-se na Batalha de Verdun em 1916, onde foi ferido e capturado pelos alemães, permanecendo prisioneiro até 1918. Tentou cinco fugas sem sucesso. Pós-guerra, casou-se em 1921 com Yvonne Vendroux, com quem teve três filhos: Philippe (1921), Élisabeth (1924) e Anne (1928), esta última com síndrome de Down, o que influenciou sua sensibilidade familiar. Estudou na École de Guerre em 1922 e serviu em Varsóvia como adido militar francês de 1924 a 1928.
Entre as guerras, publicou "Vers l'Armée de Métier" (1934), defendendo tanques e forças profissionais contra a doutrina defensiva da Linha Maginot. Esses escritos previram a Blitzkrieg alemã, mas foram ignorados pelo alto comando francês. Em 1937, Pétain o nomeou subcomandante da 507ª Companhia de Tanques. Sua formação militar enfatizava mobilidade e inovação, contrastando com o conservadorismo francês.
Trajetória e Principais Contribuições
A Segunda Guerra Mundial marcou sua ascensão. Subsecretário de Defesa em junho de 1940 sob Paul Reynaud, de Gaulle opôs-se à rendição após a derrota francesa. Exilado em Londres, recusou-se a assinar o armistício e, via BBC, convocou a resistência em 18 de junho de 1940. Formou o Comitê Nacional Francês em 1941, reconhecido pelos Aliados como representante legítimo da França. Comandou forças livres na África e liderou invasões na Normandia em 1944. Em 26 de agosto de 1944, desfilou pelos Champs-Élysées como chefe do governo provisório.
Renunciou em janeiro de 1946, frustrado com a instabilidade da Quarta República. Fundou a Rassemblement du Peuple Français (RPF) em 1947, mas dissolveu-o em 1953. Em 1958, durante a crise argelina e o colapso parlamentar, retornou como último presidente do Conselho, redigindo uma nova constituição que fortaleceu o executivo. Eleito presidente em dezembro de 1958, serviu até 1969.
Principais marcos:
- Desenvolvimento da force de frappe (dissuasão nuclear), com primeiro teste em 1960.
- Referendo de 1962 pela eleição direta do presidente.
- Independência da Argélia em 1962, após guerra sangrenta e atentados do OAS.
- Saída do comando militar da OTAN em 1966, mantendo a OTAN mas rejeitando integração.
- Vetos à entrada britânica na CEE em 1963 e 1967, defendendo uma Europa "dos Pátrias".
Sua diplomacia equilibrou EUA e URSS, visitando Moscou em 1966. Reeleito em 1965 por sufrágio universal, enfrentou protestos de maio de 1968, vencendo referendo em 1969 mas renunciando após derrota sobre regionalização.
Vida Pessoal e Conflitos
De Gaulle manteve vida familiar discreta em Colombey-les-Deux-Églises, sua propriedade rural. Yvonne foi companheira leal; Anne faleceu em 1948, aos 20 anos. Ele lia vorazmente – Chateaubriand, Péguy – e escrevia memórias em três volumes: "L'Appel" (1954), "L'Unité" (1956), "Le Salut" (1959).
Conflitos abundaram. Na guerra, rivalizou com Churchill e Roosevelt por reconhecimento. Pós-1945, chocou-se com comunistas e socialistas. Na Argélia, enfrentou pied-noirs e militares golpistas em 1961 (putsch dos generais). Atentados como Petit-Clamart (1962) visaram-no. Em 1968, greves massivas o abalaram, levando à dissolução da Assembleia. Sua renúncia em 1969 veio após referendo perdido. Críticos o acusavam de autoritarismo; apoiadores, de salvação nacional. Pétain, outrora mentor, tornou-se rival pelo colaboracionismo vichyista.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
De Gaulle é visto como arquiteto da França moderna. A Quinta República persiste, com presidencialismo forte. Seu gaullismo inspira partidos como Les Républicains e debates sobre soberania na UE. Até 2026, presidentes como Macron invocam-no em discursos sobre independência estratégica, como na crise ucraniana ou relações transatlânticas. Memorials em Paris e Lille homenageiam-no. Livros e filmes, como "Diplomacia" (2014), retratam sua tenacidade. Pesquisas de opinião francesas o elegem "maior francês" em plebiscitos como o de 2005. Seu epitáfio – "Au milieu des pierres du petit cimetière champêtre, l'inconnu de Monluc" – reflete humildade final. Influência perdura em política externa francesa, priorizando multipolaridade.
